É fantástica a
história de Phiona Mutesi, a sem teto de Uganda que virou mestre de xadrez. Ela
nasceu em 1996 na favela de Katwe, em Kampala, capital do Uganda. Aos três
anos, perdeu o pai, vítima de aids, e teve de deixar a casa onde vivia, pois a
mãe não podia pagar o aluguel.
Aos dez anos quando
ela procurava comida com o irmão nas ruas da cidade africana, momento no qual
conheceu Robert Katende, um missionário religioso que alimentava crianças em
troca de aprenderem a jogar xadrez.
Phiona rapidamente
aprendeu a dominar os adversários no tabuleiro, o que lhe garantiu vitórias em
diversas competições regionais, que a qualificavam para disputas internacionais.
Em 2012, tornou-se a primeira mulher de Uganda a ser mestre feminina de xadrez.
Em 2013, ela foi a
primeira mulher a vencer o Campeonato Nacional Júnior de xadrez, em Uganda, e
em 2014, ela representou o país nas Olimpíadas de Xadrez, na Noruega. Com o
dinheiro ganhado nas competições, ela conseguiu, em menos de cinco anos,
comprar uma casa para a mãe e melhorar a qualidade de vida da família, além de
investir em escolas de xadrez para crianças.
Atriz Lupita interpreta a mãe da jogadora de xadrez
A “ascensão
meteórica” da ugandense no xadrez chamou a atenção de Tim Crothers, antigo
editor da revista desportiva Sports Illustrated, que lançou em 2012 o livro The
Queen of Katwe, que virou filme, estrelado pela atriz Lupita Nyong que interpreta sua mãe.
Deve estrear em
janeiro de 2017 o filme Hidden Figures que conta a história real de três cientistas
negras que foram importantes com seus cálculos matemáticos para tornar possível
as primeiras missões espaciais da Nasa.
O filme resgata As biografias
de Katherine Johnson interpretada por Taraji P. Henson, Dorothy Vaughn interpretada
por Octavia Spencer, e Mary Jackson interpretada por Janelle Monáe, que foram
as responsáveis pelo lançamento de John Glenn, o primeiro americano no espaço.
O feito das três
mulheres não foi só étnico, mas também de gênero. Nos livros, documentários e
até filmes, as mulheres sempre foram retratadas na Nasa como meras funcionárias
coadjuvantes ou no máximo as esposas dos astronautas.
Katherine Johnson fez contribuições fundamentais para programas aeroespacial com a
aplicação antecipada de computadores eletrônicos digitais na NASA. Conhecido
pela precisão na computadorizada navegação astronômica, o seu trabalho na NASA
se estendeu por décadas. Ela calculava as trajetórias, janelas de lançamento e
caminhos de emergência para muitos voos de Projeto Mercury , incluindo as
primeiras missões da NASA de John Glenn e o voo da Apollo 11 voo para a Lua. Ainda está viva com 98 anos.
Dorothy Vaughan
trabalhou no Comitê Consultivo Nacional para a Aeronáutica (NACA), a agência
antecessora NASA. Ela fez programação de computadores dos computadores da Nasa.
Por anos foi chefe de computação de um grupo de trabalho composto inteiramente
por matemáticas negras. Ela saiu da NASA em 1971, e morreu 10 de novembro de
2008.
Mary Jackson – foi a
engenheira aeroespacial que desenvolveu os cálculos precisos para as simulações
de voos dos primeiros foguetes da NASA. Seu trabalho foi fundamental para
evitar muitos acidentes.
Mary analisou dados
de túnel de ventos experimentais e do mundo real de voo de aeronaves com
objetivo de compreender o fluxo de ar, incluindo impulso e arrasto forças.
Por toda sua vida
Mary incentivou mulheres negras a avançar em suas carreiras, inclusive
aconselhando-os como estudar para que pudessem alterar os seus títulos de matemáticas
para engenheiras para assim aumentar suas chances de promoção. Morreu em fevereiro de 2005.
Imagem ilustrativa de Maria Felipa a frente do grupo de mulheres na luta contra as tropas de Portugal
A independência do
Brasil colônia de Portugal não ocorreu simplesmente após o grito de Dom Pedro
I, em 7 de setembro de 1822. O ato não contou com adesão de todas as regiões do
país e a batalha mais difícil aconteceu na Bahia. Foi lá onde se destacou uma
figura obscura dos livros escolas, Maria Felipa de Oliveira, a heroína negra.
Maria Felipa nasceu
em uma casa na rua das Gameleiras dentro do município de Itaparica e morou num
casarão chamado de “convento” na Ponta das Baleias na ilha de Itaparica. Ela
era uma negra alta e forte, sobrevivia da pesca. Era muito respeitada como capoeirista
e virou liderança na comunidade.
Lideranças rurais e
políticas de Salvador, contrários a independência, pediram ajuda a Portugal que
enviou uma frota com 20 barcos para defender a cidade.
Liderando um grupo
de mulheres e homens, brancos, negros e índios, ela organizou uma milícia que
construiu trincheiras nas praias e atacou em forma de guerrilha as tropas
portuguesas.
Ao lado das tropas
fieis a Dom Pedro, a guerrilha de Maria Felipa incendiou inúmeras embarcações.
Armados de facas e galhos de cansanção, folha que causam urticária, seu grupo
expulsava os portuguesas dos barcos e depois ateava fogo as embarcações usando
tochas feitas de palha de coco e chumbo.
Na primeira
cerimônia de hasteamento da bandeira nacional, após a derrota definitiva dos
portugueses, na Fortaleza de São Lourenço em Ponta das Baleias, Felipa e seu
grupo invadiram e depredou o comércio de um dos comerciantes portugueses que se
aliaram as tropas ligadas a Coroa Portuguesa.
Na Bahia a
independência tem uma data especial 2 de julho de 1823, quando ocorre a vitória
definitiva sobre as tropas leais a Portugal.
Maria Felipa morreu
em 1873 sem reconhecimento de seu papel na luta contra as tropas fieis a
Portugal. Sua vida só foi citada pelo escritor Xavier Marques no romance
histórico O Sargento Pedro e pelo historiador Ubaldo Osório em A Ilha de
Itaparica. A história de Maria Felipa pode bem ter sido inspiração para a Maria
da Fé de Viva o Povo Brasileiro, obra de João Ubaldo Ribeiro.
Quem vê Barack
Obama como presidente dos Estados Unidos
não sabe que o caminho na política foi aberto no começo do século 20, com o
advogado Oscar Stanton De Priest, o primeiro negro americano eleito deputado
federal, que exerceu três mandatos.
Nascido em 1871, no
estado do Alabama, Oscar era filho de ex escravos mulatos. Ele tinha um irmão
chamado Robert. Sua mãe, Martha Karsner era lavadeira, e seu pai Neander era
carroceiro.
Quando criança,
assistiu o linchamento de um homem negro na porta de sua casa.
Quando adulto ele
fez uma fortuna em Chicago como um empreiteiro, e no mercado imobiliário e do
mercado de ações. Como deputado ele falou contra a discriminação racial e
introduziu a legislação anti-linchamento.
A carreira polícia
de Oscar começou em 1914 quando ele foi eleito o primeiro vereador negro de
Chicago. Cinco anos depois criou uma organização negra política e se tornou uma
liderança respeitável.
Em 1928, Oscar
disputou e ganhou sua primeira eleição para deputado federal. Durante três anos
foi o único negro no congresso americano.
Uma de seus projetos
de lei permitiu a transferência de comarca o julgamento, se um réu acreditava
que ele não poderia ter um julgamento justo por causa da raça ou religião.
Mas no congresso, os
deputados brancos se recusavam almoçar no mesmo lugar que Oscar.
Em 1929, De Priest
foi notícia nacional, quando a primeira-dama dos Estados Unidos - Lou Hoover
convidou sua esposa, Jessie, para um tradicional chá para as esposas do
Congresso na Casa Branca. Ele morreu aos 80 anos em Chicago.
Oscar se casou com a
Jessie L. Williams. Eles tiveram dois filhos juntos: Laurence W., que morreu
com 16 anos e Oscar Stanton de Priest, Jr.
“Canta, canta minha
gente, deixa a tristeza para lá. Canta forte, canta alto, que a vida vai
melhorar”, música de Martinho da Vila, um dos maiores sambistas vivos do Brasil.
Filho do casal de
trabalhadores rurais, Josué Ferreira e Teresa de Jesus Ferreira, Martinho
nasceu em 12 de fevereiro de 1938, em uma fazenda, na cidade de Duas Barras,
interior do Rio de Janeiro. Quando se tornou famoso, comprou a fazenda onde nasceu.
Ele só foi colocar os pés na capital do estado, aos
quatro anos quando os mais se mudaram para periferia.
Martinho no exército
Quando criança, seu
sonho era se tornar jogador de futebol, igual a de todas crianças do seu tempo.
O primeiro contato com samba veio quando sua família passou a morar em Lins de
Vasconcelos, na Serra dos Pretos Forros, perto da Escola de Samba Aprendizes da
Boca do Mato. Já com 16 anos, já era compositor e foi chamado para integrar a
escola. Não demorou a virar diretor da ala dos compositores e da harmonia
Nos desfiles,
Martinho tocava frigideira e depois já foi para os instrumentos de percussão.
Fora do samba,
ganhava a vida como laboratorista industrial, profissão que aprendeu no Senai.
Logo depois ingressou no exército, onde foi sargento-escrevente, datilógrafo e
contador no Ministério da Guerra. Serviu ainda no Laboratório Químico e Farmacêutico
e na Diretoria Geral de Engenharia e Comunicação.
Martinho até tentou
conciliar a vida de compositor e de soldado, mas como os horários não batiam, depois
de 13 anos, ele teve de sair do exército, para se dedicar integralmente a
música.
A carreira artística
foi deslanchar em 1967, no III Festival da Record, quando ele concorreu com a
música "Menina Moça".
“Menina moça vai
passear
vai passear iá, iá
quer rapaizinho pra
acompanhar
pra acompanhar, iá,
iá”
Em 1968, na quarta
edição do Festival da Record veio o clássico “Casa de Bamba”, que virou uma das
canções mais tocadas nos rádios naquele ano.
Primeiro LP de Martinho
Com o sucesso, deu
moral para conseguir gravar seu primeiro álbum, Martinho da Vila, em 1969. De
cara, ele emplaca mais quatro sucessos "O Pequeno Burguês",
"Quem é Do Mar Não Enjoa" e "Prá Que Dinheiro" e "Tom
Maior". Foi o bastou para se firmar
como sambista reconhecido nacionalmente.
Em 1972, Martinho
fez sua primeira viagem a Angola, pioneira entre os sambistas para conhecer um
dos berços da cultura negra do Brasil. Ele fez questão de conhecer as favelas
de Luanda, onde viu semelhanças entre a pobreza brasileira e angolana, mas
também a mesma genialidade artística.
Martinho ao lado de Clara Nunes
Em outros anos, o
cantor ainda visitou Benin, Nigéria, Cabo Verde, Moçambique e África do Sul.
Toda essa influência africana foi homenageada por ele, em 1988 com o
samba-enredo Kizomba, da escola Vila Isabel, que foi consagrada campeã naquele
ano.
Nas suas canções
pode escutar ritmos como ciranda, frevo, côco, samba de roda, capoeira, bossa
nova, calango, samba-enredo, toada e canções africanas.
O cantor é membro do
Partido Comunista do Brasil e se assume como artista de esquerda, ao lado da
cantora Beth Carvalho. Foi padrinho musical de muitos cantores, principalmente de Clara Nunes.
Família
Martinho da Vila é pai
de oito filhos. Sua primeira esposa foi a cantora Anália Mendonça, com quem
teve três filhos, sendo um deles, a cantora e compositora Mart'nália. O
sambista ainda foi casado com Lícia Maria Caniné, mãe de mais três filhos, Rita
Freitas, mãe de uma filha e por fim Clediomar Corrêa Liscano Ferreira, a Cléo,
com quem tem dois filhos. O interessante é que Martinho só se casou de papel
passado com Cléo. O passado de tantas
mulheres e incontáveis amores, deu inspiração para compor Mulheres.
“já tive mulheres de
todas as cores.
De várias idades de muitos amores.
Com umas até certo tempo
fiquei.
Pra outras apenas um pouco me dei”
Martinho escritor
Além de compositor,
Martinho também é escritor. Seu primeiro livro foi "Vamos brincar de
política?", lançado em 1986, pela Editora Globo. Em 1992 publicou pela
Editora Léo Cristiano Editorial - "Kizombas, andanças e festanças",
no qual contou experiências profissionais e pessoais, que seis anos depois foi relançado pela Editora
Records.
Em 1993, Martinho
escreveu "Joana e Joanes - Um
romance fluminense", lançado pela ZFM Editora. Em 2001 publicou "Ópera
Negra", seu quarto livro, pela Editora Global. Em 2002 lançou pela editora
portuguesa Eurobrape o livro de ficção "Memórias Póstumas de Tereza de
Jesus". No ano seguinte o livro foi publicado também no Brasil pela
Editora Ciência Moderna. Em 2003 foi o principal articulador da construção da
nova sede da Escola de Samba Vila Isabel, com projeto de Oscar Niemeyer.
No ano de 2006
lançou "Os Lusófonos" pela Editora Ciência Moderna. No ano seguinte
lançou o livro infantil "Vermelho 17" pela ZFM Editora. Em 2008
publicou pela Lazuli Editora o livro "A Rosa Vermelha e o Cravo
Branco".
Em 2009 lançou o
livro de ficção "A Serra do Rola Moça" (ZFM Editora) - nome de uma
localidade em Minas Gerais e também, nome de um poema de Mário de Andrade
musicado pelo compositor. Ainda em 2009 foi exibido, no "Festival 19º Cine
Ceará", o documentário "O Pequeno Burguês- Filosofia de Vida",
dirigido por Edu Mansur. Neste mesmo ano, pela Lazuli Editora, lançou "A
Rainha da Bateria".
A Irmãos Vitale
Editores lançou "O Melhor de Martinho da Vila", compilação de
partituras com algumas de suas composições mais conhecidas e com comentários do
crítico e jornalista Roberto Moura.
No município de Duas
Barras criou o Instituto Cultural Martinho da Vila, que atende à crianças do
município e adjacências com aulas de música e outras atividades de formação
profissional.
Em 2010
candidatou-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, não sendo eleito. No
ano posterior, em 2011 a cidade de Duas Barras lhe prestou homenagem com uma
estátua em tamanho natural. Neste mesmo ano proferiu palestra sobre Noel Rosa
na Academia Carioca de Letras. Neste mesmo ano foi lançado, na Livraria do Museu
da República, no Rio de Janeiro, o livro "Martinho da Vila - Tradição e
Renovação", dos escritores João Batista de M. Vargens e André Conforte,
com prefácio de Sérgio Cabral, pela Editora Almádena.
No ano de 2014 foi
eleito para a Academia Carioca de Letras na vaga de Fernando Segismundo,
ex-presidente da ABI. Na votação, obteve 28 votos dos 38 acadêmicos
integrantes. Em dezembro deste mesmo ano foi ano foi empossado na Cadeira nº 6,
que tem como patrono Evaristo da Veiga, em solenidade presidida por Ricardo
Cravo Albin na Sala Pedro Calmon, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
(IHGB), no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.
Nascida em 1933, Troy,
no estado da Carolina do Norte, desde o berço ela cresceu rodeada de música,
religiosa, mas harmoniosa. Sua mãe era pastora nos corais da igreja. Mas seu
nome de batismo era Eunice Kathleen Waymon, a sexta filha numa lista de oitos
filhos de um marceneiro e uma pastora batista.
O nome artístico surgiu
do apelido dado por um namorado que a chamava de Nina. O Simone ela adotou em
homenagem a atriz francesa Simone Signoret.
O talento para
cantar surgiu na infância, na adolescência se apaixonou pelo blues e jazz. Como
os pais eram conservadores, ela mentia para eles dizendo que iria dormir na
casa de amigas, quando na verdade subiu nos palcos para tocar piano.
Sua primeira
experiência de preconceito racial veio quando foi impedida de frequentar o Instituto
de Música Curtis na Filadélfia.
Seu sonho se tornou concertista
clássica de piano acabou, mas surgiu a cantora da noite de cidades como Nova
York e Atlanta.
m 1961 Nina se casou
com Andy Stroud e, em 1962, nasceu sua filha Lisa Celeste Stroud.
Ela também aderiu a
luta pelos direitos dos negros. Em 1963, ela compôs a música Mississippi
Goddamn escrita sobre a morte de quatro crianças negras em uma igreja de
Birmingham.
A fama veio tão rápido
que Nina foi convidada para cantar no funeral de Martin Luther King, em abril
de 1964. O fato mexeu muito com Sinome que mais uma vez recorreu ao talento
musical para expressar seus sentimentos e escreveu a canção ‘Why? The King of
Love is Dead’
Depois vieram
canções como Feeling Good, Don't Let Me Be Misunderstood, Ain't Got No - I Got
Life, I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free e Here Comes The Sun, além de
My Baby Just Cares For Me.
A canção To Young
Gifted and Black’, é em homenagem ao trabalho da amiga, conhecida por usar a
arte como ativismo em prol dos negros e também por despertar a consciência
política de Nina.
Na década de 70,
cantora se recolheu na Europa e morreu aos 70 anos na cidade francesa Carry-le-Rouet,
um balneário próximo a Marselha.
Para conhecer mais
de Nina Simone há o documentário "What Happened, Miss Simone?"
dirigido por Cynthia Ann Mort. Tem também a cinebiografia estrelada por Zoe
Saldana, mas a atriz foi criticada por ter de escurecer a pele e usar prótese para
parecer com a cantora.
Tem estreia mundial
marcada para outubro o filme The Birth of a Nation dirigido e estrelado pelo
ator Nate Parker, que é baseado na biografia de Nat Tuner, um personagem da
luta contra a escravidão nos Estados Unidos.
Turner nasceu no dia
2 de outubro de 1800 em Southampton, estado da Virginia. Era filho de um casal
de escravizados, de propriedade do fazendeiro Benjamin Turner.
Desde pequeno, sua
mãe e avó, incentivaram nele, sua autoestima e a não aceitação da condição
escrava. Desde criança ele dizia ter visões divinas.
Sua infância seria
comum se não fosse esperto em conseguir convencer que um dos filhos do
fazendeiro o alfabetiza-lo. Em pouco tempo, ele tomou gosto pela Bíblia Sagrada
e se tornou um pregador. Percebendo o poder de persuasão de Nat, o dono da
fazenda resolveu usá-lo para pregar e pacificar os escravos.
Não demorou em Nat
perceber que era manipula-lo para perceber seu papel importante no processo de
libertação de sua comunidade negra. Nat tinha inclusive a convicção, que estava
predestinado, divinamente a ser o líder desse movimento.
Aos 31 anos de
idade, Nat foi separado de sua família e vendido para Joseph Travis. E naquele
ano, em fevereiro, durante um eclipse solar, ele sentiu que era o momento para articular
uma rebelião.
Ilustração sobre o massacre promovido pelo grupo de Nat Turner
Inicialmente a data
escolhida foi 4 de julho – onde é comemorado a Independência dos Estados Unidos,
mas concluíram que não estavam prepararam e adiaram. Remarcaram para o 13 de
agosto e realmente executaram 8 dias depois. Primeiro mataram Benjamin, o dono
dos escravos. Logo depois libertaram mais de 75 escravos.
Alarmadas
autoridades da Virginia conseguiram reunir uma milícia de 3 mil homens. A ideia
era derrotar os ex-escravos, e tornar a punição exemplar. Mal equipados, os
liderados de Turner, não resistiram por muito tempo e foram dominados, em 48
horas, após o inicio.
Como retaliação,
mais de 100 pessoas negras foram assassinadas, inclusive, algumas nem tinha
qualquer participação na rebelião. Nat, a exemplo de Zumbi dos Palmares,
consegui escapar e tentava organizar outra revolta, mas foi detido, no dia 30
de outubro. No dia 5 de novembro foi sentenciado a morte, e executado no dia 11
de novembro de 1831, na cidade de Jerusalém, estado de Virginia.
Enforcamento de Nat Turner
Mas sua morte não
foi em vão, pois motivou a discussão do fim da escravidão no estado da
Virginia. E ele se tornou um dos primeiros heróis afro-americanos da luta pela
libertação dos escravos.
Há um livro, escrito
é lógico sob a ótica dos senhores de escravos, contando o episodio. O titulo é
“The Confessions of Nat Turner”(As Confissões de Nat Turner), escrito por
Thomas Ruffin Gray.
O filme também é uma resposta a outro filme "O Nascimento de uma Nação", de 1915, dirigido por D. W. Griffith. O
filme relata a história de duas famílias, uma do Sul escravista e outra do Norte abolicionista, durante a Guerra de Secessão e a reconstrução do país.
Mas o filme é um desastre porque os personagens negros eram interpretados por atores brancos, com rosto pintados de negros. Para piorar, os negros são retratados de forma preconceituosa. Além disso, retrata a organização racista Ku Klux Klan como entidade heroica para os sulistas.
Ator e diretor Nat Parker
O diretor de The Birth Of a Nationa, Nat Parker enfrenta uma polêmica que pode prejudicar as chances do filme concorrer ao Oscar 2017. Ele é suspeito de ter estuprado uma mulher, que depois cometeu suicídio. O ator afirma que o sexo foi consensual, porém, vai ter de encontrar mais que palavras para provar a inocência.
Polemicas a parte, veja o trailer e não percam a chance de assistir.
Revendo a lista de seguidores do blog tive a grata surpresa
de descobrir que um deles é o
ex-deputado federal Carlos Alberto Oliveira dos Santos, o Caó, autor da lei
pioneira de combate ao racismo. Só há possibilidade de colocar um racista na
cadeia, graças ao deputado.
Caó começou sua militância política em associação de
bairros, depois foi para o movimento estudantil. Ele foi perseguido e preso
pela Ditadura Militar. Diplomado em direito, mas ele se destacou mesmo como um
excelente jornalista, especializado em economia e político e diretor do
sindicato da categoria.
Ele foi parlamentar na Constituinte de 1988, num Congresso
Nacional com pouquíssimos negros. Além disso, ele foi autor da federal que
transforma em crime inafiançável o crime de racismo.
Caó tem uma história que vale a pena ser contada para muita
gente, principalmente para juventude negra da periferia, para saber que tem
exemplo de um homem negro que virou
liderança política.
Vira e mexe, os canais de televisão pecam muito ao não mostrar a
diversidade étnica do povo brasileiro. O mais novo exemplo será a novela Sol
Nascente, da TV Globo. No papel de patriarca de uma família japonesa é o brilhante ator Luis Mello, que
porém, não tem traços orientais. Poderiam muito bem ter escalado outro bom
ator, Ken Kaneko, descendente de japonês. Para o papel de atriz principal,
porque não escalar Danielle Suzuki.
Atriz Danielle Suzuki
É fraca a explicação do autor, Walter Negrão, ao dizer que
não achou atores orientais para os papeis. Tomara que a trama não seja também
igual. Mas não é erro só da Globo. A TV Record regravou a novela Escrava
Isaura, novamente com atriz competente, mas branca.
As emissoras não são obrigadas a colocar orientais e negros.
Nenhuma lei obriga. Mas ao contar suas histórias com personagens destes dois
povos, o mínimo que se exige é coerência.
Estreia no dia 30 de setembro na Netflix o seriado Luke
Cage. Integrante da lista de muitos personagens negros da Marvel, o herói é o
campeão do Harlem, bairro da periferia de Nova York.
O super-herói foi criado, claramente inspirado
nos boxeadores e personagens de filmes como Shaft, bem nos moldes dos anos 60 e
70.
Luke Cage dos HQs da Marvel e o ator Mike Colter
Só pelos trailers deu para ver que o ator Mike Colter vai mandar muito bem no
papel de justiceiro do gueto.
Se o
seriado for tão bom quanto o Demolidor, há muita chance de vir um filme por ai.
É esperar para ver.
Depois de longo recesso, estou retomando as postagens no blog Marco Negro. O tempo de ausência coincide com a necessidade de maior dedicação a profissão de repórter e a família. Iniciado em maio de 2005, o blog virou uma das referências para divulgação da história e cultura do povo negro. Vou também falar do meu trabalho como jornalista.
Na Bahia, com a esposa, Ana Paula
Agora vou reeditar aos poucos os textos, adicionar novas postagens e prometo atualizar com mais frequência. Muitas coisas mudaram, mas o racismo e preconceito permanecem.
Numa procura por informações na internet, esbarrei num clip de Sara Tavares, cantora portuguesa de ascendência cabo verdiana. Para quem ainda não conhece, a cantora é uma delícia sonora. Quem gosta de Cesária Evora já vai gostar muito desta cantora. Ela explodiu no cenário português em 1996, após participação no Festival RTP da Canção, em 1996. Foi a primeira colocada.
No Brasil, seu trabalho ficou conhecido pela inclusão da faixa "Eu Sei" na trilha sonora da novela "A Padroeira", da Rede Globo de Televisão. Mas ela já tem ligação com o país, antes, ao gravar Minha Mãe Estrela, canção de Ivan Lins.
É uma grata surpresa ouvir o timbre da voz dela, com um repertorio, com muito da cultura africana, sobrevivente em Portugal, principalmente nos emigrantes dos países de língua portuguesa.
Para quem acha Ray, o filme da biografia de Ray Charles, sensacional, não pode deixar de assistir um dos mais melhores do gênero: Mais e Melhores Blues. Dirigido pro Spike Lee, impossível não ficar encantado do começo ao fim.
Diferente da maioria dos outros filmes do cineasta, este roteiro discute em primeiro plano as questões raciais. O maior personagem é a música e como ela conduz esta história de ascenção, queda e ressurreição da carreira de um instrumentista, Denzel Washington.
Lançado em 1990, foi injustamente ignorado por Hollywood. Nos dias de hoje, ganharia estatuetas do Oscar facilmente. Trilha sonora, fotografia,edição e roteiro estão muito bons. Inclusive para os padrões atuais.
Vale a pena comprar o DVD: tem ainda Rubens Blades, Samuel Jakcson (numa ponta) Wesley Snipes, antes de se tornar um ator de filme de ação e o sempre competente John Torturro. Para quem gosta de jazz, vai ficar fascinado e terminará nos créditos dizendo, “por que não fazem mais filmes assim?”
Todo mundo recorda facilmente das duplas Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Milionário e Zé Rico, mas poucos fazem justiça aos irmãos José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca e Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho (Uberlândia 1942), a mais famosa dupla sertaneja feita apenas por negros.
Segundo relata o Dicionário de Música Sertaneja, a historia dos irmãos começou na roça onde trabalhavam junto com o pai, a mãe e mais cinco irmãos. José Ramiro era bom de viola e Ranulfo bom na voz. Para começar na vida artística, resolveram tentar a sorte em São Paulo em 1968. Em 1980 inscreveram-se no Festival MPB Shell da TV Globo, com a música Que terreiro é esse?, de Xavantinho, que foi classificada para a final. No mesmo ano, a dupla lançou o seu primeiro LP: Velha morada, com destaque para Cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque) e Velha morada (Xavantinho).
O impulso na carreira veio mesmo depois de 1981, quando apareceram no programa dominical, Som Brasil, da Rede Globo apresentando por Rolando Boldrin. Chegaram a fazer excursões pelos Estados Unidos nos anos 90. Em 2000, o mundo sertanejo chorou com a morte de Xavantinho. Dez anos depois, vai Pena branca, em 2010, com um enfarte.
O mundo é semi destruído por uma guerra nuclear. Os sobreviventes lutam para recomeçar entre os escombros, falta de comida e água. Esta ficção cientifica já foi contada diversas vezes, em inúmeros filmes. O mais famoso é Mad Max. E cá entre nós, a trilogia estrelada por Mel Gibson faz o restante parecer cópia.
O filme, O Livro de Eli não foge a fórmula batida. Mundo pós-apocalíptico, cenário cinzento e o cardápio da civilização está resumido entre carne de gato ou humana.
O diferencial do roteiro é no mínimo inusitado. O vilão, Gary Oldman, tenta arrancar do herói, Eli, Denzel Washington, nada menos do que a cópia da Bíblia Sagrada. Além disto, o personagem central recita trechos de Salmos.
Desde os Dez Mandamentos e Ben Hur, o filme tinha se afastado de histórias religiosas. Exceção fica por conta daUltima Tentação de Cristo e Paixão.
Se lançado na Quaresma ou na Semana Santa, o filme será automaticamente adotada por igrejas e seitas. Mas quem está atrás de diversão, sairá do cinema decepcionado. Melhor seria se tivesse ido a um culto ou missa.
Finalmente, após meses de busca, consegui encontrar uma boa cópia do melhor filme da História: Malcolm X, dirigido por Spike Lee.
Infelizmente, não dá para encontrar o DVD original. A Warner Bros não quer saber de relançar no Brasil. A versão que tenho é legendada, baixada da internet. O filme merecia o Oscar em 1992. Está quase igual ao livro. E Denzel Washington está perfeito como Malcolm.
Todo mundo está vendo o personagem compõe o Trio de Ouro do seriado Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Mas pouca informação é mostrada sobre ele. O cantor nasceu em Barra do Piraí, em 1917 e morreu em 1973, pobre, no Rio de Janeiro.
Em 1935 alcançou a fama ao substituir o falecidoFrancisco Sena, como parceiro deHerivelto Martins, na dupla Preto e Branco. Um ano depois, entrou Dalva, criando assim, em 1938, oTrio de Ouro.
Em 1950, Dalva, recém separada de Herivelto. No lugar entra Noemi Cavalcanti. Mas esta formação só dura dois meses, quando em, eles são substituídos por Raul Sampaio e Maria de Lourdes Bittencourt.
Clima de Copa do Mundo da África do Sul vai contagiar todos. Brasil é favorito, mas o que vale é bola no campo. Mas para os amantes do esporte devem ficar atento a um filme que entrará em cartaz em 29 de janeiro de 2009: Invictus.Ainda sem nome em português, mas dispensável a tradução: Invictos.
Em 1995, logo após sua posse, Nelson Mandela enfrentava os desafios de transformar suas promessas de campanha em realidade. A maioria negra votou nele e a minoria branca não. O que se esperava de um resultado de urna assim, seria o revanchismo, após décadas de violenta segregação racial.
Neste clima pró desagregação, Mandela mostrou porque é um líder incontestável: propôs manter um time de rugby, um dos símbolos da separação étnica. A seleção nacional tinha apenas um negro, onde eles são 80%.
De forma inesperada, para negros, e os partidos da base de apoio de Mandela, o presidente incentivou o time e conseguiu fazer com que todos se unissem em torno da equipe: “uma nação, um time”. Coisa que acontece há muito tempo no Brasil.
Não foi fácil incentivar os massacrados negros, apoiarem um time de seus ex-opressores. Somente a tática do perdão mútuo (principalmente dos negros) conseguiu isto. Todos passaram a se ver como uma única nação, multirracial e com diversidade cultural.
A interpretação de Mandela, feita por Morgan Freeman está espetacular e correta. Fala pausada e ponderada, semelhante a do líder sul-africano. E Matt Damon como o capitão da equipe sul-africana de rugby foi boa. O único senão é que Mandela é mais baixo que o atleta, na vida real. Mas o cinema nem sempre tem obrigação de ser 100% fiel em todos os detalhes. Há indícios de que Jesus nunca foi louro de olhos azuis, no entanto, em todos os filmes ele está assim.
Detalhe importante de Invictus é destacar as dificuldades que Mandela teve em seu mandato. E o desapego ao poder. Poderia tentar outro mandato nas urnas e ganhar. Mas está é a diferença de dele e de Hugo Chaves. Sem falar do clima constante de tensão, com medos de golpes e atentados contra Madiba.
Pena a propaganda ser menor, mas seria uma boa competição saber qual o melhor filme: Invictus ou Lula do Brasil, que retrata a epopéia do sertão ao Palácio do Planalto do presidente do Brasil.
Não dá para deixar de citar a direção, Clint Eastwood,em Invictus. A pouco tempo, o cineasta se envolveu num caloroso bate boca com Spike Lee sobre a falta de negros nos filmes. Será que esta foi a resposta?
Exceto a pisada de bola com a esposa, a linda ex-modelo sueca Elin Nordegren, a história do golfista Tiger Woods seria impecável. Até dezembro de 2009, era o atleta mais bem pago do planeta A Revista Forbes publicou que Tiger Woods se tornou neste mesmo ano o primeiro esportista bilionário da história. Sua destreza em campo perdeu espaço em noticiários para informações como os US$ 300 mil de presente de Natal, que ele deu a esposa, para tentar desculpar-se da infidelidade. Nem os filhos ele está autorizado a ver. Woods é atualmente um jogador americanos de golfe, que teve uma infância difícil. Ele se tornou profissional em 1996 e passou ao posto de estrela ao vencer o Masters em 1997. Até fevereiro de 2007, ele já havia ganhado 75 torneios. Tiger faturou quatro vezes o Masters, três vezes o PGA Championships, duas vezes o U.S. Open e três vezes o British Open. Ele se tornou o primeiro homem da história a deter os títulos dos quatro maiores títulos da categoria de uma só vez, em 2001. Nasceu em 30 de dezembro de 1975, em Cypress, Califórnia Woods, que é filho de pais mestiços, que incentivaram muito o interesse no golfe. Seu pai, Earl, é um militar aposentado da Força Armada dos Estados Unidos. Ele é descendente de afro-americanos, chineses e índios. Sua mãe Kutilda, é tailandesa, filha de alemães. A torcida é para que este escândalo termine, para que o astro volte aos campos de golpe para encantar o público com suas jogadas. Mesmo porque o caso da infidelidade não pode ser eternamente uma manchete.
Todo consegue imediatamente recordar os nomes dos grandes jogadores de futebol: Pelé, Garrincha, Zico, Romário e Ronaldo. Apenas um deles é branco. Mas se a questão for listar os técnicos negros de futebol, a tarefa é bem mais difícil.
O técnico do Flamengo, Andrade (José Luis Andrade da Silva), tornou o primeiro negro a conquistar o título do Campeonato Brasileiro. Se bem que o Vanderlei Luxemburgo, considerado negro, já foi várias vezes campeão. Mas por não se auto identifica assim, não entra nesta categoria.
Andrade começou a carreia como volante no Flamengo, em 1974. Levou quatro anos para subir das categorias de base até conseguir a camisa de titular do time principal. Ele participou das conquistas da Taça Libertadores da América e Mundial de Interclubes, todos em 1981.
Os bons desempenhos, quatro títulos brasileiros, deram chance de conseguir um contrato para jogar no Roma, na Itália, mas já em 1989 retornou ao Brasil para atuar pelo Vasco, onde participou da conquista do titulo de campeão brasileiro.
Depois, Andrade passou por equipes menores do Espírito Santo, Mato-Grosso e até Maranhão. Não demorou em a experiência de ele ser reconhecida na sua contratação como auxiliar técnico no Flamengo e, por três vezes, chegou a assumir o cargo de técnico interino da equipe principal.
A grande chance, veio em 2009, quando Cuca deixou o cargo, em meio a uma péssima campanha e grande cobrança dos torcedores. Com bom entrosamento com o time, experiência de Petkovic e a habilidade de Adriano, ele conquistou o Campeonato Brasileiro de 2009.
A conquista do troféu de Melhor Técnico de Futebol, concedido pela CBF, em cima de treinadores mais renomados e caros como Luxemburgo e Murici Ramalho.
Na renovação do contrato, o racismo voltou aparecer, com a relutância da diretoria do Flamengo em fechar um melhor salário. Afinal de contas, há anos, o time não conquistava o titulo.