sexta-feira, junho 30, 2006

Senador Ernie Chambers e os Contra Cotas no Brasil

A campanha pela Abolição da Escravidão, ocorrida no século XIX durou décadas, com mais publicidade e força nos anos 80 daquele período. Na minha humilde opinião a Campanha pela Implantação das Ações Afirmativas promete mesmo seguir o mesmo caminho, em duração e dificuldades. Espero que o resultado em forma de lei não seja tão frustrante, quando foi a incompleta Lei Áurea de 1888.
Assim como acontecia na luta dos abolicionistas e dos quilombolas existiam entre negros libertos ou cativos os que eram am favor e os que eram contra a adoção radical e imediata de libertação. Não esqueçamos que alguns tinham a sorte de obter a liberdade comprando a cara carta de alforria. Foram pessoas que a custa de muito sacrifício e renuncia juntaram a quantia necessária para sair da senzala e posteriormente libertas companheiros e familiares. Isso também graças a organizações como as irmandades religiosas negras e outras ongs.
Hoje há aqueles negros que conseguiram também com sacrifício e renuncias durante a vida, ascender socialmente, mesmo que não muito, e acreditam que este é o caminho e não o das cotas para negros. Não os odeio, pois sei que isso é fruto da perversidade da fome, que adestra através da miséria, as pessoas a não olhar em voltar e ver que a realidade é bem pior. Estas pessoas ainda preferem ajudar seus companheiros e familiares a melhorar de vida, a participar de uma luta coletiva que irá beneficiar a toda uma etnia.
Mas para os intelectuais brancos que participam de um Movimento Contra as Cotas, não há perdão: eles enxergam longe, e percebem que não eles, mas seu grupo social perderá com a implantação de um sistema de inclusão racial e social, que não use como critério um pseudo-sistema de meritocracia. Gente esta que inclusive acaba se beneficiando a indústria dos cursinhos pré-vestibular, que chegam a ter mensalidades mais caras que curso universitário.
Enfim, a luta promete!
Ah... onde entrar o senador afro-americano Ernie Chambers: político negro que votou com políticos conservadores pela reimplantação de um sistema de segregação racial nas escolas da cidade de Ohama, terra natal de Malcolm X. Isso demonstra que o Movimento Negro nos Estados Unidos, antes inspirado para nós, brasileiros, entrou em decadência. E o legislador é um novo tipo de Pai Tomás, que não conta historinhas, mas é submisso. Não isenta em nada no seu currículo sua luta pelo fim do Apartheid na África do Sul. Tem gente que encena coragem só longe de casa, com medo de encarar os próprios medos.

Link para a carta dos contra cotas:
www.geocities.com/cartapublica2006/
 Posted by Picasa

quinta-feira, junho 29, 2006

MANOEL CONGO – O VERDADEIRO IRMÃO DO QUILOMBO

Diferente do que os meios de comunicação tentam nos fazer crer a luta pela emancipação do povo negro aconteceu com protagonismo afro-brasileiro. São muitos os personagens: Chica da Silva, Zumbi, Dandará, Chico Rei, Ganga Zumba e muitos anônimos. Um desses heróis pouco lembrado é Manoel Congo, líder quilombola no Estado do Rio de Janeiro, e mais uma das vítimas do sanguinário Duque de Caxias.
Não há nenhuma informação sobre a origem e infância de Manoel do Congo. Apenas o sobrenome dá uma pista de onde ele pode ter vindo no continente africano. Mas é importante ressaltar que a costa do Congo foi uma das muitas que enviaram pessoas para o Brasil.
Ele era de propriedade do fazendeiro Manoel Vieira dos Anjos, na cidade de Vassouras, que tinha uma fama de cruel no trato com as pessoas escravizadas. A revolta que dá origem ao quilombo, foi conseqüência de uma série de assassinatos que ele cometeu. Segundo denunciou o trabalhador rural negro Antonio ao juiz de Vassouras, José Pinheiro de Souza Werneck, foram mortas quatro pessoas barbaramente a pauladas pelo senhor de escravo, sendo eles: Antonio Congo, João Cambinda, Antonio Ângelo e Maria Congo. Os corpos estavam ocultados próximo da propriedade rural.
Mesmo com a descoberta dos cadáveres das vítimas pelas autoridades, como era comum na época, o promotor público, Lucidoro Francisco Xavier ofereceu denuncia contra o fazendeiro, mas não conseguiu condená-lo. Em seu julgamento em Júri Popular, no dia 23 de janeiro de 1838, Manoel Vieira foi inocentado. Ele ainda alegou em sua defesa que as pessoas tinham morrido de causas naturais e que não foram sepultados em um cemitério dos escravos, por não serem batizados.
Como ninguém teve coragem de testemunha contra o fazendeiro e pelo Código Penal da época, os escravos eram impedidos de fazê-lo, os 23 jurados, o inocentaram por 20 votos. Alguns ainda argumentavam em particular, que só o prejuízo que teve com a morte de cinco pessoas trabalhadoras, já era castigo suficiente.
Ciente da noticia, todos na senzala ficaram indignados com a injustiça e impunidade, que pouco tempo depois, voltou a matar uma pessoa escravizada. 300 escravos de propriedade do assassino, liderados por Manoel Congo, resolveram fazer a Justiça com as próprias mãos. Invadiram a fazenda Maravilha, de Manoel Vieira, no dia 13 de novembro de 1838 e mataram o feitor e expulsaram todos e destruíram a sede e colocaram fogo no engenho.
Diante da momentânea vitória, eles decidiram refugiarem na Floresta de Santa Catarina, da Serra da Estrela, a caminho da Serra da Taquara, e criar uma comunidade quilombola. Tinha inclusive na operação de tomada da fazenda, obtido armas de fogo. No local, devido sua coragem e determinação desempenhada no conflito, Manoel foi eleito rei e sua companheira Mariana Crioula, ex-mucama de Francisca Xavier, mulher do senhor de escravo, foi nomeada rainha.
O Quilombo de Manoel Congo e seus comandados 400 conquistaram fama entre os negros e temor entre os fazendeiros. Toda semana, se aventuraram nas senzalas no período noturno, para libertar os cativos. Também eram saqueados viajantes, de quem roubavam armas e alimentos.
Não demorou em que os fazendeiros se organizassem e solicitassem providencias das autoridades policiais. Foi enviada a preparada Guarda Nacional de Vassouras, comandada por Laureano Correia e Castro que tinha também o experiente major Lourenço Luis de Atayde. Eram mais de 160 homens armados, perfeitamente aparelhados e divididos.
Este exército saiu saudado pelos fazendeiros, que aliviados, acreditavam que em poucos dias, senão horas, destruiriam o Quilombo de Manoel Congo e recuperariam seus escravos.
Na véspera do ataque, dormiram no que restava da sede da fazenda Maravilha, do assassino Manoel Vieira. Mas eles não sabiam que mesmo lá estavam sendo vigiados e observados pelos guerreiros quilombolas. Estrategicamente, as casas dos arredores da comunidade quilombola foram abandonadas, tentando assim, trazer o adversário para dentro da Floresta de Santa Catarina, terreno conhecidos dos negros, que aplicaram uma tática de guerrilhas e terror nos soldados da Guarda Nacional.
A debandada da tropa foi grande, sendo muitos mortos na fuga e outros abandonando as armas, fugindo sem rumo, que segundo relatos, demoraram a reunião dos sobreviventes.
A repercussão da derrota foi grande: fazendeiros se apavoraram e os escravos secretamente festejavam, sonhando com a possibilidade de fazer parte das batalhas e aguardando sua libertação pelos guerreiros do Quilombo de Manoel Congo.
A noticia chegou até o comando do Exército do Império, que temendo maiores conseqüências, determinaram que um jovem militar fosse o comandante da tropa. Era Luis Alves de Lima e Silva, conhecido pelo sangue frio e a falta de piedade dos combates. A ordem era clara: massacrar os quilombolas de forma exemplar, sem fazer reféns e sem negociação.
No dia 11 de dezembro a tropa do futuro Duque de Caxias atacou o quilombo. Ele cercou o local e como ordenado, praticamente não fez prisioneiros. Mas os guerreiros resistiram até a ultima bala, e uns entraram em luta corporal suicida contra os soldados, conseguindo inclusive matar alguns. Mas a superioridade em armamentos da tropa repressora era grande. Morreram mulheres, crianças e velhos desarmados.
A rainha guerreira lutou também até o fim e tentava incentivar “morrer sim, entregar-se nunca”. Foram necessários vários soldados para dominá-la a golpes de coronhadas.
Os sobreviventes foram castigados a açoites e depois entregues aos seus donos, que continuaram o suplicio por conta própria. Os líderes Justino Benguela, Antonio Magro, Pedro Dias, Belarmino, Miguel Crioulo, Canuto Moçambique e Afonso Angola receberam cada um 650 chibatadas, distribuídas em 10 dias. Depois foram marcados a ferro.
Manoel Congo, machucado em combate ainda foi captura, mantido vivo, para ser morto de forma exemplar. No dia 22 de janeiro de 1839, na Praça da Concórdia, diante da Igreja Matriz da Vila de Vassouras, até o dia 31 do mesmo mês, ocorreu o julgamento dele, sendo condenado à pena máxima – enforcamento. A sentença foi cumprida no dia 6 de setembro de 1839, em praça pública de Vassouras. Mas exibia a mesma coragem e determinação de antes. Mesmo que não fosse condenado, preferia à morte a escravidão. Tinha 49 anos de idade.
Mariana teve sua vida poupada à pedida de sua antiga senhora, mas foi obrigada a assistir a morte de seu companheiro.
Posted by Picasa

quarta-feira, junho 28, 2006

Grande Otelo


Grande Otelo nasceu em 1915, na cidade de Uberlândia, batizando com o nome Sebastião Bernardes de Souza Prata. Ele poderia ter se tornado mais um trabalhador rural nos grandes cafezais do Triangulo Mineiro, mas já aos 7 anos revelava um talento extraordinário para o canto, dança e até poesia.
A grande oportunidade para seguir seu destino surgiu com o aparecimento de um circo. No inicio do século XX, eram os únicos representantes da cultura no interior do Brasil, viajando de cidade em cidade. Assim que a lona foi levantada em Uberlândia, o Tiãozinho – apelido da época, conseguiu conseguir uma chance e se apresentou num quadro humorístico, sendo um sucesso. Ele ficou extasiado com a repercussão, sendo inclusive convidado para seguir viagem com a trupe do picadeiro, mas achou melhor esperar.
Não demorou muito que conseguisse novamente obter uma chance de atuar. Atendendo suas preces e apelos, a companhia de teatro da saudosa Abigail Ferreira, em visita a Uberlândia, se encantou com o promissor ator mirim. Ela praticamente o adotou e passou a lhe ministrar aulas de canto lírico.
Nesta fase da vida, convivendo com os atores e atrizes de Abigail, ele acabou lendo as peças do inglês Willian Shakespeare e fascinou-se pelo único personagem com características afro – Otelo – o guerreiro mouro. Nasce ali o seu nome artístico: Otelo. Foi adicionado o tremo “Grande” pelo produtor artístico Jardel Jércolis, pai do ator Jardel Filho.
Jardel lapidou o talento de Otelo, que passou se apresentar de forma sofisticada, chegando a cantar em inglês. Ele aprendia rápido. Além disso, ele sambava e contava piada. E em uma das apresentações estava na platéia outra pessoa que iria ajudá-lo: Joaquim Rolla, uma espécie de caça talento do Cassino da Urca – uma das maiores casas de espetáculo no Rio de Janeiro entre os anos 30 e 40.
Este foi outro grande momento da vida do artista que pode contracenar ao lado das mulheres mais talentosas e bonitas do Brasil e do Mundo as cantoras e irmãs Dirce e Linda Batista, a atriz Carmem Miranda e a diva afro-americana Josephine Baker. O dinheiro também foi abundante, mas deslumbrado pela fama, Otelo desperdiça com suas inúmeras namoradas, comendo do bom e do melhor e comprando muita roupa. Era também o reflexo da infância pobre, onde não tinha dinheiro para nada e até fome passou.
Mas a falta de poupança desse tempo bom, se fez necessária com a queda de Getulio Vargas e a subida ao poder do conservador general Dutra. Ao contrário do antecessor, ele mandou fechar todos os cassinos, incluído o da Urca, numa pseudo-onda moralista.
Foi neste momento que surgiu na vida de Grande Otelo a sétima arte., através do convite do cineasta Ademar Gonzaga para estrelar Samba em Berlim. O sucesso foi estupendo e logo fez amizade com outro ator e comediante em carreira ascendente, o filho de imigrantes espanhóis, Oscarito. Começava ali uma parceria típica da época, como Dean Martin e Jerry Lewis, com a diferença de que nenhum dos dois agia como galã conquistador, pelo menos em público.
Na vida intima Otelo era sim um verdadeiro namorador. Seu primeiro grande amor foi Lucia Maria, mas que devido o ciúme doentio acabou se matando. Depois veio Olga, uma adolescente que o apaixonou e tiveram quatro filhos e seguiram juntos por aproximadamente 20 anos. O casamento acabou com o aparecimento da atriz Josephine Helene, e viveu maritalmente por 15 anos.
Foram 12 filmes – todos exibidos nas salas de cinema com bilheterias astronômicas, entre sessões noturnas e matines. A dupla Grande Otelo e Oscarito protagonizou o sinônimo das palavras Chanchada para a Companhia de Cinema Atlântida.
Ele ainda pode ser recorda no cinema em sua atuação antológica como Macunaíma, para as telas, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. Outro sucesso do cinematográfico. O currículo engrossa com os filmes: Assalto ao Trem Pagador, nem Sansão Nem Dalila. O único filho que seguiu na capacidade de atuação foi Pratinha, que trabalhou em novelas da TV Globo.
Também foi um compositor e fez em parceria com Constantino Silva a musica carnavalesca Vou para Folia, e com Erivelton Martins: Praça onze, Bom Dia, Avenida e Pixaim.
Grande Otelo morreu aos 78 anos de idade, em 1993, no Aeroporto de Paris – Charles de Gaulle, de um enfarte quando participaria de um festival artístico, em que seria homenageado. 

segunda-feira, junho 26, 2006

Afropress - Agência de Noticias Negras


Tenho que dar uma boa e uma má noticia.
A má é que um dos melhores sites de informação e debate sobre as Ações Afirmativas e Cultura do Povo Negro acabou: www.afirma.inf.br. Segundo um dos responsáveis, o jornalista Marcio Alexandre M. Gualberto, haverá ainda uma revista a ser lançada sobre todo o trabalho desenvolvido. Um pena!
Mas a Boa Noticia é o site www.afropress.com organizado pelo jornalista Dojival Vieira(foto)da ong ABC Sem Racismo. É uma ótima opção e os artigos são excelentes.

Malcolm X



Família
Não é difícil saber por que Malcolm X se tornou um dos maiores líderes negros do mundo – era filho de um pastor batista afro-americano de militância ativa: o reverendo Earl Little, também filiado a UNIA – Associação para a Melhoria Universal do Negro. Possuía uma deficiência, sendo cego de um olho e era alto, 1 metro e 90 centímetros de altura.
Earl era de Reynolds, estado da Geórgia, sul dos Estados Unidos e logo cedo teve que abandonar os estudos, para ajudar no sustento da família. Era um seguidor das idéias de Marcus Garvey que propunha para o negro a liberdade, independência e o amor próprio, além do retorno a África.
A mãe de Malcolm era Louise Little, imigrante de Granada, América Central. Tinha cabelos pretos, lisos e por ser filha de uma união entre um homem branco e uma mulher negra herdou um tom de pele muito claro, chegando a ser considerada uma branca. Mas isso não era motivo de orgulho para ela, por saber o sofrimento e preconceito que passavam as pessoas de cor preta.
O líder nasceu no dia 19 de maio de 1925 em um hospital de Omaha, sendo o sétimo filho do casal. Os irmãos mais velhos eram Ella, Earl Junior, Mary, Wilfred, Hilda, e Philbert. Tem ainda os caçulas Yvonne e Reginald e Robert.
O pai de Malcolm tinha uma fama de agitador e por isso estava sempre mudando de cidade. Sempre pregando nos finais de semana nas igrejas batistas e durante semana propaganda as idéias de Marcus Garvey. Mas estava juntando economias para ter seu próprio negocio e fazia o possível para dar um bom nível de vida para todos.
Mas constantemente perseguido por membros da Ku Klux Klan e entidades correlatas, ele acabou sendo morto em 1931, por integrantes da Legião Negra – grupo racista de Lasing. Foi espancado e depois colocado sob os trilhos da ferrovia onde seu corpo foi praticamente cortado ao meio, na passagem de um trem. Ainda com medo dos assassinos racistas, seu velório não foi aceito em nenhuma igreja, sendo velado na casa da família.

Desintegração da família
Imediatamente a situação da família piorou financeiramente. Apenas um dos seguros foi pago, sendo o maior negado, pois a Seguradora afirmava que o reverendo tinha na verdade cometido suicídio. Louise passou a trabalhar como empregada domestica, mas às vezes perdia o trabalho, quando as famílias brancas descobriam de quem ela era viúva.
Por causa da fome, e a depressão do inicio dos anos 30, passaram fome. Às vezes conseguiam dinheiro vendendo coelhos que caçavam, e às vezes, Malcolm até furtava comida nas lojas de Lasing. Por causa disso, era detido e levado para o conselho tutelar e ao serviço de Assistência Social. Quando chegava a casa levava homéricas surras da mãe. Não demorou a ser encaminhado a lares adotivos, de onde era mudado constantemente devido seu comportamento.
O golpe falta para desintegração do núcleo família, foi o progressivo desequilíbrio mental da Louise que chegou a ser internada no Hospital Estadual de Doenças Mentais, em Kalamazoo. Não esqueçamos que estamos no inicio de século XX, e o tratamento psicológico é deficiente e preconceituoso, principalmente com os negros. A mãe de Malcolm passou 26 anos internada, e nunca mais recuperou a sanidade mental. Só Deus, sabe a que foi submetida.
Na adolescência Malcolm teve que lidar com ambiente extremamente discriminatório. Tentou lutar boxe para se destacar na escola e tirava boas notas. Mas suas aspirações foram reduzidas a pó quando seu professor de inglês, Senhor Ostrowski, disse que não poderia se tornar um advogado, pois não era uma profissão típica de negros. “Você tem que ser realista” disse.
Terminado os estudos correspondentes ao Primeiro Grau, Malcolm foi para Boston, ajudado por sua irmã, Ella. Lá conheceu seu amigo inseparável de juventude, Shorty, que logo lhe apelidou de Red, por causa da coloração avermelhada dos cabelos castanhos que tinha. Pelo parceiro passou a dar dicas de como vestir, agir e falar em uma grande cidade e juntos passaram a trabalhar como engraxates.

Juventude e Criminalidade
Shorty também foi que iniciou a vida social de Malcolm, com seu alisamento de cabelo, com congolene, que consistia na mistura de: lixívia, dois ovos e duas batatas de tamanho médio, vaselina, uma barra de sabão, luvas de borrachas e dois pentes, sendo um de dentes largos e outro fino. O processo era doloroso, além de fazer cair cabelo, ainda ardia indescritivelmente.
Com 21 anos conseguiu emprego de garçom em uma companhia ferroviária, onde conseguiu chegar até Nova Iorque e por conseqüência no Harlem, bairro de predominância negra. Mas logo abandonou este trabalho para tornar-se um apontador de apostas e traficante de drogas. Em 1943 foi quase convocado para o Exercito, que lutava na Segunda Guerra Mundial, mas conseguiu ser dispensado.
Após ter se desentendido com um dos chefes do crime organizado do Harlem, West Indian Archie, Malcolm passou a cometer furtos e foi preso. Condenado no Tribunal do Condado de Middlesex, a 10 anos de prisão a serem cumpridos a partir de fevereiro de 1946 na Penitenciária Estadual de Charlestown.

A Passagem pela Prisão.
Quando Malcolm chegou à prisão estava no auge de toda sua revolta de tudo que havia acontecido na vida, desde a morte do pai até o envolvimento com o crime. Mesmo lá, ele não foi abandonado pelos irmãos Ella, e Philbert que tinha se tornado um pastor em Detroit que estava rezando por sua recuperação moral.
Na cela desenvolveu um novo vicio o consumo de noz-moscada, que misturada em um copo de água fria, dada o mesmo efeito da maconha, de acordo com seu relato. Com o dinheiro enviado pela irmã passou a comprar outros entorpecentes: nembutal, benzidrina e baseados.
Por freqüentemente insultar os guardas e passar muito tempo na solitária por isso, ganhou o apelido de Satã, também devido aos cabelos avermelhados. Em 1947 conheceu um preso negro de apelido Bimbi, tido como intelectual por todos os detentos, que passou a lhe dar noções de filosofia e o incentivou a ler.

Conversão ao Islamismo
1948 – foi o ano em que passou a ter contato com o Islamismo através do irmão Philbert, que lhe escrevia que tinha encontrado a verdadeira religião dos negros, da Nação do Islã. Malcolm estava neste momento transferido para a Penitenciária de Concord. Depois foi Reginald que deu o seguinte conselho “não coma carne de por e pare de fumar, que lhe mostrarei como sair da cadeia” disse.
E assim através de muitas cartas e algumas visitas dos irmãos, que ele se converteu ao Islaminismo. No final daquele mesmo ano foi transferido para a prisão-Colônia em Norfolk, no estado de Massachusetts, que era pro conhecida por ter um sistema de recuperação prisional mais aberto. O local era ajudado por pesquisadores das universidades de Harvard e de Boston. Ainda em Norfolk passa a conhecer Elijah Muhammad, para quem passou enviar suas cartas, que lhe correspondeu.
Em 1952, após sua libertação condicional e foi morar em Detroit com o irmão Wilfred, onde começou freqüentar o tempo Numero Um de Detroit. Logo que foi aceito na Nação do Islã, trocou o sobrenome de Little, que era segundo a orientação dos mulçumanos negros, herdado dos senhores de escravos, para “X” – ou seja, uma incógnita.
No ano seguinte, foi nomeado para o seu primeiro cargo dentro da estrutura da Nação, Ministro Assistente do Templo Número Um de Detroit. Tinha como função a arregimentação de novos fieis. Tinha um discurso forte, onde acusava os pastores negros de não fazer nada contra o racismo. Como não era um cargo remunerado passou a ser operário em uma fábrica.

Vira um suspeito para o FBI
Em um dia normal de trabalho na fábrica foi procurado por um agente do FBI, que o convidou para ir até o escritório deles em Detroit. Lá foi interrogado sob qual a razão que não tinha se alistado para a convocação da Guerra da Coréia. Ele respondeu atrevidamente que não sabia que o exercito norte-americano aceitavam ex-presidiários. De lá foi encaminhado para uma junta de alistamento, quando deu a entender que mesmo forçado não lutaria na guerra iniciada pelos brancos.
O desempenho de Malcolm chamou a atenção de Elijah, que o convidou para visitar outras cidades e ajudar a aumentar os seguidores.

Betty X

Em 1956 através de um trabalho no Templo Sete, em Nova Iorque conheceu a irmã Betty X, enfermeira, formada no Instituto Tuskegee, estado do Alabama, que ensinava as mulheres mulçumanas noções básicas de saúde pública.
Ela também tinha sofrido com uma infância cheia de complicações socioeconômicas, chegando a ser adotada por uma outra família. Converteu-se ao Islamismo durante o ultimo ano de faculdade e se isso lhe gerou problemas – o fim do custeio dos seus estudos pelo casal adotivo. Mas superou isso trabalhando como babá.
No dia 14 de janeiro de 1958 Malcolm e Betty se casam em Lasing, e foram morar por dois anos com Irmão John Ali e sua esposa, no bairro Queens, Nova Iorque. Novembro daquele ano nasceu à primogênita do casal: Attilah e o pai era agora o Secretário Nacional da Nação do Islã. O nome foi dado em homenagem a Átila o Huno, líder que enfrentou o Império Romano.
Depois a família mudou-se para Long Island onde nasceu em 1960, à filha Qubila, - outra homenagem, agora ao líder oriental Kublai Kan. 1962 foi o ano do nascimento da filha Ilysah – homenageando no idioma árabe o líder Elijah e a caçula Amilah veio ao mundo em 1964.
Retornado a 1956 um fato marcou bastante a memória de Malcolm, o espancamento do um companheiro mulçumano, Jonhson Hinton por policiais. Ele enfrentou as autoridades pela primeira vez, e conseguiu junto com os freqüentadores do Templo Sete, ao quais as vítimas pertenciam pressionar pelo devido pronto atendimento médico dele. A cena com dezenas de mulçumanos marchando pela Avenida Lenox até o Hospital do Harlem, impressionou tanto os policiais, quanto à população negra. Ninguém tinha enfrentado até aquele dia com tanta firmeza e êxito a violência policial.
E o caso não parou por ai: advogados da Nação do Islã moveram um processo judicial contra a Prefeitura de Nova Iorque e a vítima recebeu uma indenização de 70 mil dólares. O fato virou manchete em todos os jornais da comunidade negra.


Malcolm vira assunto na Mídia
Os meios de comunicação passaram a se interessar pela organização da Nação do Islã, inclusive produzindo reportagens e documentários. Também começaram a ser estudado por sociólogos das universidades americanas.
Em 1959 foi exibida por um canal de televisão uma reportagem em que as lideranças dos mulçumanos negros falavam, inclusive, Malcolm, com o titulo “O ódio que o ódio gerou”. Isso teve dois efeitos: aumentou o temos das autoridades sobre o islaminismo negro e aumentou o número de seguidores.
Com o aumento do assédio da Mídia, Elijah Muhammad nomeou Malcolm para representá-lo em entrevista e palestras, e bom ressaltar que a saúde dele, não estava muito boa. Isso também gerou problema para o jovem líder que passou a ser invejado pelos os outros integrantes da hierarquia da Nação do Islã.
Ao mesmo tempo em que ganha a confiança de Elijah, o líder negro, começa a ser informado sobre as acusações de assédio sexual, adultério e até processos de paternidade movido contra o dirigente dos mulçumanos negros. Inclusive, Betty acaba confirmando as suspeitas, pois fica sabendo de muita coisa no seu trabalho de orientação das mulheres mulçumanas. Mas ele continuou sua fé nele, por acreditar que tudo pudesse fazer parte de inimigos do crescimento e do trabalho de conscientização negra, que estavam executando.

Amizade com Cassius Clay


Em 1962 em Detroit, um jovem e promissor lutador de boxe começou a freqüentar uma Mesquita da cidade. Ele imediatamente ficou fascinado pela oratória de Malcolm e em pouco tempo tornou-se um dos mais famosos mulçumanos negros.
Ao mesmo tempo as familiares de Cassius e de Malcolm tornaram-se amigas a ponto de freqüentarem entre si aniversários e outras festas. E está aproximação passou a ser vista como perigosa por setores do FBI, devido às posições radicais do líder mulçumanos.
Além disso, o atleta que depois se rebatizou de Muhamad Ali, seguiu fielmente as orientações religiosas de Malcolm, inclusive antes de suas lutas. A aceitação do Islã por Ali foi tão séria, que ele chegou a enfrentar um longo processo movido pelo Governo Norte Americano por sua recusa em se alistar no Exercito: repetindo Malcolm dizendo que não lutaria em uma batalha (Guerra do Vietnam) que não foi criada pela população negra.

Saída da Nação do Islã.
Uma manchete no dia 23 de novembro de 1963 foi suficiente para causar a queda de Malcolm do alto de seu prestigio na Nação do Islã. Perguntado por jornalista sobre o assassinato do presidente John Kennedy, ocorrido um dia antes, em Dallas, no estado do Texas, ele respondeu que o “tiro saiu pela culatra”, responsabilizando o próprio presidente pelos motivos que determinaram sua morte.
Orientado por outros membros da hierarquia mulçumana negra, Muhammad propôs uma censura pública em Malcolm de 90 dias. Eles ficaram com medo que a frase trouxesse represálias à entidade e também era o pretexto que muitos queriam para cessar a ascensão de jovem líder afro-americano, que já tinha se tornado mais famoso e conceituado a própria Nação do Islã.
Não demorou a Malcolm acordar para tudo que havia acontecido com ele, estava sendo descartado, e começou a criar uma nova vertente do Islamismo Negro e fundou a “A Mesquita Mulçumana”, com sede no Harlem. E o fez com uma concorrida entrevista coletiva. .
Num golpe na intimidade de Malcolm, Elijah decretou que nenhum o afastamento de todos os seguidores dele, incluído o lutador Ali.

Peregrinação a Meca
Com a determinação de conhecer com seus próprios olhos e formular seus próprios conceitos sobre o Islamismo, Malcolm peregrinou até Hajj – Meca, na Arábia Saudita, uma obrigação para todo mulçumano que tenha condições financeiras.
Lá conhece a multi étnica sociedade do Islã e passa a aceitar a colaboração com pessoas de outras raças no Combate ao Racismo nos Estados Unidos. Uma posição bem diferente do que tinha aprendido dentro da Nação do Islã. Abandona o prenome Malcolm e passa assinar como El-Hajj Malik El-Shabazz.
Mas mesmo assim despertava a desconfiança do Governo Norte Americano que designou agentes para acompanhá-lo secretamente e checar se o líder não estaria também fazendo contatos com militantes radicais de esquerda.
Também excursiona por paises africanos que estavam se libertando do colonialismo. Nestes locais era recebido com chefes de estado. Em palestra, assumiu sua posição antiimperialista com relação seu próprio país. Ao retornar foi recebido em uma entrevista coletiva com vários órgãos de imprensa de cobertura nacional. Em solo americano ficou sabendo da campanha de difamação movida por antigos companheiros da Nação do Islã contra ele.

Os últimos dias de Malcolm X
Em 1965 a animosidade entre o líder e seus ex-companheiros da Nação do Islã estava em um grau de muita agressividade. Eles tentavam na justiça tomar a casa em que moravam junto com Betty e as filhas.
No dia 13 de fevereiro, às 2 horas e 45 minutos da madrugada, a família sofre um atentado, onde uma bomba incendiária destrói quase metade da residência. Ele suspeita de pessoas a mando de Elijah tenham executado o serviço.
Foi recomendado a cancelar sua agenda, pois as ameaças de morte por telefone ou mesmo por recados dado por membros, que ainda eram seus amigos. No dia 21 de fevereiro de 1965, foi pregar para fiéis no Harlem, especificamente no Auduborn Ballroom, que ficava entre a Rua Broadway e a Avenida St. Nicholas. Um prédio alugado para tudo, desde casamentos até bailes, como o que havia ocorrido há dias anterior.
Neste dia, estava prevista a preleção do reverendo Milton Galamison, ativista dos Direitos Civis, que acabou tendo que cancelar por problemas na agenda. Às 15 horas, ele entrou no salão, saudando aproximadamente 400 pessoas presentes.
Inesperadamente três iniciaram uma confusão, com disparo de tiros. Malcolm pediu calmas as pessoas, mas foi abordado por um dos assassinos, que lhe apontou uma espingarda e disparou. A vítima só teve tempo para esboçar um gesto de defender-se com as mãos desarmadas. Os outros dois fizeram com revolveres mais disparos. O líder ainda foi socorrido no Hospital Presbiteriano de Columbia, mas ele foi declarado morto horas depois.
Um dos assassinos foi detido por policiais, nas imediações do local do crime: era Thomas Hogan, de apenas 22 anos e que quase foi linchado pela multidão indignado com o crime.
O médico legista disse que ele morreu em decorrência do disparo da espingarda que causaram 13 ferimentos no peito e no coração. Mesmo assim, ele foi baleado nas pernas. A ordem foi de execução sumária. O advogado de Malcolm, o também deputado estadual Percy Sutton, declarou a imprensa há meses, seu cliente tinha comunicado as autoridades policiais da possibilidade de seu assassinato, sem que nada fosse feito.
Ele foi enterrado no cemitério de Ferncliff, em Ardsley, no Estado de Nova Iorque, com o caixão dispondo sua cabeça em direção ao oriente, como manda a religião mulçumana. Não foi permitido que coveiros brancos participassem do enterro, cabendo a tarefa a outras pessoas negras.
O ator Ossie Davis discursou na ocasião do funeral, que a comunidade negra tinha perdido o príncipe negro que não hesitou em morrer pelo o que tanto lutava – a causa negra.
Para mim, que não canso de ler as analises de Malcolm sobre a situação do negro, perdemos muito mais que isto: ele estava inclusive elaborando uma verdadeira filosofia – uma forma de entender o mundo, que poderia gerar uma ideologia afro-americana.
Há suspeitas que além de Elijah Muhammad haja interessados em sua morte inclusive dentro do Governo Norte-Americano. Junto com Martin Luther King Junior, morto pouco tempo depois, reunia um poder de mobilização assustador. Tinha também respaldo internacional.
Mas o melhor que podemos fazer, é prosseguir de onde ele parou. Eu tento.

sexta-feira, junho 23, 2006

Billie Holiday

(I Don't Stand A) Ghost Of A Chance
I need your love so badly
I love you oh so madly
But I don't stand a ghost of a chance with you
I thought at last I found you
But other loves surround you
And I don't stand a ghost of a chance with you
If you'd surrender
Just for a tender
Kiss or two
You might discover
That I'm the lover
Meant for you
And I'd be true
But what's the good of scheming
I'm dreaming
For I don't stand a ghost of a chance with you
Cuz I don't stand
A ghost of a chance
With you

Eu tenho um arquivo em MP3 de um show ao vivo de Billie Holiday, e quando posso, dou uma escutada. É muito bom, e digo: seria obrigatório que as pessoas que afirmam saber e gostar de música, ouvir qualquer registro dela, para ter a certeza que a morte não levou só Cássia Eller repentinamente, a cantora afro-americana também foi uma perda irreparável para os nossos ouvidos.
Billie era filha de uma trabalhadora rural negra Sadie Fagan, mas o pai é ainda uma incógnita. Há quem diga que foi um guitarrista de Jazz, mas biógrafos explicam que ele apenas assinou a certidão de nascimento, não sendo seu verdadeiro genitor. Ela nasceu na Filadélfia, com o nome Eleanora Fagan Gough, e o apelido surgiu para inventar um nome forte artístico, já que o verdadeiro era muito sério e formal. Ela nasceu no dia 7 de abril de 1915.
Teve uma infância difícil, em Baltimore, onde cresceu, similar a de toda criança negra, no inicio do século XX, mas sua educação musical foi ouvindo canções de Louis Armstrong e Bessie Smith, tocados no rádio ou vitrola.
Desde cedo ela descobriu seu talento e foi tentar uma carreira musical nas casas de shows, na periferia de Nova Iorque, no bairro Harlem. Lá, sua voz incomum não passou desapercebida, pelo caça talentos John Hammond e logo foi convidada a excursionar pelo Estados Unidos.
Uma das coisas que faziam as pessoas se apaixonar perdidamente pela voz da cantora era sua dicção original e a intensidade dramática com cantava, chegando às vezes até as lágrimas. Para que perguntava o por que disso: ela respondia – “essas músicas praticamente falam de minha vida”.
E era pura verdade. Seu primeiro marido foi o trombonista Jimmy Monroe, que era também traficante e a iniciou no vicio da heroína. Depois se relacionou com o trompetista Guy de Joe, outra união tumultuada.
Em 1947, ela ficou 8 meses detidas por posse de drogas, quando quase encerrou sua carreira devido à complicada dependência química que tinha.
Billie tinha ainda um estilo único de vestir-se, colocando nos cabelos, levemente desalinhados, uma flor de gardênia. Ela gravou mais de 200 músicas entre as décadas de 30 e 40, mas sem ser corretamente remunerada. Foi uma das primeiras cantoras negras a ser admitida em orquestras formada por brancos. Não esqueçamos que era pleno período de segregação étnica.
Em março de 1952, Billie faz outro casamento errado. Desta vez se apaixona por Louis Mckay, um mafioso, que era violento com ela, mas tentou mantê-la afastada das drogas. Talvez até gostasse dela, de um jeito machista, é claro.
A cantora também era avançada em suas opções sexuais, tendo relacionado com algumas atrizes da época como Tallulah Bankhead e atores então iniciantes como Orson Welles.Nos anos de 54,58 e 59 ela conseguiu fazer excursões pela Europa, conseguindo inclusive em Chelsea fazer uma participação em um programa na BBC.


No dia 31 de maio de 1959, teve uma péssima noticia: após um exame médico, descobriu-se estar com sérios problemas de no coração e fígado. Em 12 de julho daquele ano, em uma controversa operação policial, foi detida, acusada de posse de drogas, e acabou morrendo atrás das grades 5 dias depois com cirrose no fígado, aos 44 anos de idade. Morreu com pobre, com apenas 70 centavos de dólares em sua conta bancária. Seu corpo foi enterrado no cemitério de Saint Raymond, no bairro do Bronx, Nova Iorque.
Além de excelente cantora era também uma natural ativista feminista e brigava firmemente contra a discriminação racial.

quinta-feira, junho 22, 2006

Crash - No Limite


Recomendo que assistam, mas deve ter um pouco de paciência. No começo parece aquelas produções da Rede Globo, estilo novelão. Mas depois, vendo pela segunda vez, percebe que há seus pontos positivos.

E a questão racial abordada não só pela questão negra, mas de muitas etnias que hoje moram nos Estados Unidos. Bom para enteder o problema dos migrantes hoje naquele pais, que já gerou até uma passeata e uma greve!

quarta-feira, junho 21, 2006

JORGE DUILIO BEN ZABELLA LIMA DE MENEZES


O nome oficial do RG é de um cidadão comum, mas desde inicio da década de 60, Jorge Ben pode ser classificado de tudo, menos de um simples brasileiro. Eu cresci ouvindo duas músicas, grupos de Hip Hop usam samplers de suas canções e é reverenciado pelo líder do grupo Racionais Mcs, Mano Brown.
Mas o filho do estivador Augusto de Menezes e da dona de casa Silvia Lenheira Bem Zabella tinha na adolescência a meta de se tornar médico pediatra ou advogado, carreiras respeitadíssimas na época. Secretamente tinha o desejo de também se destacar nos campos de futebol. Não é difícil isso acontecer, pois temos que lembrar que no período estavam em campo Pelé, Garrincha e outros deuses da bola.
Entretanto uma contusão no tornozelo, fez com que ficasse fora das quatro linhas esportivas, e em recuperação passou a explorar um violão que sua mãe tinha lhe presenteado. E um detalhe definiu o seu sucesso: Jorge não conseguia aprender a tocar o instrumento da forma tradicional e inventou um jeito que até hoje podemos ouvir em suas composições.
Ele foi descoberto, logo depois pelo contrabaixista Manuel Gusmão do grupo Copa Trio, seu antigo parceiro das peladas nas praias. Ele levou Jorge até o Beco das garrafas, bairro Copacabana, e lá tocando várias noites com a nata dos músicos cariocas. Chamou a atenção de um olheiro de novos talentos, o diretor da gravadora Polygram, João de Mello.
Na Polygram, o musico gravou uma fita demo, com arranjos do lendário J.T. Meirelles, flautista do conjunto Copa 5. E em um disco pesado de 78 rotações saíram às músicas Mas que nada e Por causa de você, menina. O Disco Samba Esquema Novo em 1963 foi consequência da repercussão desta gravação. Vendeu 100 mil cópias e fez uma turnê capitaneada pelo arranjador Sergio Mendes, pelos Estados Unidos.
Depois disso surgiu convite para tocar no programa Fino da Bossa, que era comandado por nada menos que a dupla do momento, Elis Regina e Jair Rodrigues. Não foi sua única participação na televisão, um amigo de fé e irmão camarada Erasmo Carlos, conhecia Jorge das partidas de futebol em Tijuca. O Tremendão era integrante de um novo estilo musical – a Jovem Guarda, que tinha um programa de televisão. Lá se apresentou ao lado dos The Fevers e usou seu instrumento preferido – a guitarra.
Mas o jeito de Jorge Ben tocar guitarra e violão é nitidamente diferente. Em entrevista a Revista Raça, em 1998, a jornalista Maria Amélia Rocha Alves, ele foi influenciado pelo compositor Luís Carlos Paraná, que lhe ensinou a afinação estilo viola caipira. Mas nem só de originalidade o músico vivia. Ele ainda estudou Musica em Berkely, estado da Califórnia, nos Estados Unidos.
Em 1966, plena Ditadura Militar, surge a Tropicália, um grande Movimento Cultural e lá estava Jorge Bem mostrando seu estilo musical, que nos anos 70, com o Movimento Black Power, torna-se mais suingado. Ele lidera um grupo de novos talentos afro-brasileiros com um jeito brasileiro de fazer soul, funk, enfim black music: Gerson King Combo, Banda Black Rio, Cassiano e Tim Maia, amigo de adolescência. Com a equipe do Chic Show em São Paulo, acontece apresentações antológicas, que infelizmente não foram registradas para hoje serem oferecidas em DVD.
Como já descrevi aqui no Blog, junto com Trio Mocotó, inventaram o Samba Rock, que Jorge chama de sambalanço ou sacundin sacundem. Hoje há vários seguidores. Inclusive tenho que fazer uma correção: a música Segura a Nega, é hoje executada pelo grupo Clube do Balanço, mas foi lançada pelo Bebeto (por onde andará?).
Há uma lenda interessante sobre o musico, ele teria trocado o nome por numerologia, mas a versão correta foi uma mudança estratégica, pois quem gosta de musica conhece George Benson, cantor afro-americano. Pela sonoridade e grafia parecida com o sobrenome artístico de Jorge, ele mudou para Benjor, para inclusive evitar que direitos autorais fossem recolhidos só para o musico dos Estados Unidos.
Pra mim que nasci em 1970, vai ser sempre Jorge Ben. Um dos seus discos que repousam em sua versão long play, na casa de minha mãe, comprada pelo meu saudoso pai, é o Salve Simpatia, com o hit que canto até hoje.
Jorge fez e faz ainda uma carreira sensacional, servindo hoje de referencia para novas gerações. Tem uma coleção considerável de guitarras, e apesar da má fase, é um dos torcedores fanáticos do Flamengo.



Discografia
Reactivus amor est - Turba Philosophorum (2004)
Acústico MTV - Admiral Jorge V (2002)
Acústico MTV - Banda do Zé Pretinho (2002)
Músicas para tocar em elevador (1997)
Homo Sapiens (1995)
Ben Jor world dance (1995)
23 (1993)
Live in Rio (1992)
Ben Jor (1989)
Ben Brasil (1986)
Sonsual (1985)
Dádiva (1984)
Bem-vinda amizade (1981)
Alô, alô, como vai (1980)
Salve simpatia (1979)
A banda do Zé Pretinho (1978)
Tropical (1977)
África Brasil (1976)
Jorge Ben à L'Olympia (1975)
Solta o pavão (1975)
Gil Jorge (1975)
10 anos depois (1973)
A tábua de esmeralda (1972)
Ben (1972)
Negro é lindo (1971)
Força bruta (1970)
Jorge Ben (1969)
O bidú - silêncio no Brooklin (1967)
Big Ben (1965)
Ben é samba bom (1964)
Sacundin Ben samba (1964)
Samba esquema novo (1963)


Rainha Tereza do Quilombo Quariterê


A História do Povo Negro não se resume apenas líderes masculinos  como Zumbi dos Palmares. Há  figuras esquecidas inclusive pelo movimento negro é a líder quilombola Teresa do Quariterê, que chefiou uma comunidade no interior de Mato Grosso, que tinha 79 pessoas negras e 30 índios, nas proximidades do Rio Galera.
O Quilombo do Quariterê surgiu em 1750,  composto por pessoas que conseguiram escapar de senzalas e indígenas sobreviventes da perseguição portuguesa. Lá, Tereza criou um sistema político similar ao parlamentarismo. Ela era a rainha e se submetida à decisão de um conselho de representantes. Havia um regular exército de resistência que possuíam armas de fogo, obtidas ou no comercio de produtos excedentes do quilombo, ou de oponentes vencidos que tentaram invadir a comunidade. Não era admitida a deserção, sendo punida com pena de morte, visando inclusive a segurança dos quilombolas, que poderia denunciar onde estava escondida a comunidade.
Outra inovação implantada por  Tereza  era sistema comunitário de produção agrícola. Além de alimentos, eram plantados algodões, para serem usado para confeccionar as roupas dos moradores do quilombo. O tecido era tão bom, que mercadores ambulantes que iam até o quilombo para adquirir o produto.
O fim do Quilombo de Quariterê foi decretado pelos senhores de escravos do Mato Grosso que se assustaram com o foco de resistência. Em um cerco militar conseguiram dominar os quilombolas, e prender todos os 44 sobreviventes. No confronto, o conselheiro militar de Tereza foi morto. Ela captura e ciente de seu destino, preferiu o suicídio comendo ervas, quando era conduzida para ser torturada na cidade de Vila Bela.

segunda-feira, junho 19, 2006

Gostava tanto de você


Um DVD sensacional. Além das músicas tem uma entrevista muito engraçada do Tim Maia, que fala sobre extraterrenos, intraterrenos, seres do futuro e do passado, onde tudo é tudo e nada é nada.
Veja, eu adorei. Só tem um defeito: é curto demais!
Relação das músicas:
Entrevista. Show.

1. Vale tudo (Tim Maia)
2. Telefone (Nelson Kaê e Beto Corrêa)
3. O descobridor dos sete mares (Michel e Gilson Mendonça)
4. Pout-Pourri:
Primavera (Cassiano e Silvio Rochael)
Azul da cor do mar (Tim Maia)
Se me lembro, faz doer (Tim Maia)
5. Você (Tim Maia)
6. Do leme ao pontal (Tim Maia)
7. Pout-Pourri:
Folha de papel (Sérgio Ricardo)
A rã (Caetano Veloso e João Donato)
8. Gostava tanto de você (Edson Trindade)
9. Um dia de domingo (Michael Sullivan e Paulo Massadas)
10. Pout-Pourri:
Meu país (Tim Maia)
Chocolate (Tim Maia)
11. Vale tudo (Tim Maia)

Tudo sobre os Andersons




Este é um outro seriado americano interessante. Novamente é sobre uma familia negra e seu cotidiano. Sei que alguns vão dizer que não há nada de conscientização negra, mas assim como "Eu, a patroa e as crianças" ele serve para denunciar o nosso racismo televisivo, onde há poucos atores e atrizes negros.

Além disso é divertido. Pena que é uma vez por semana. Também é exibido no SBT.

sexta-feira, junho 16, 2006

Joaquim Maria Machado de Assis


Faz tempo que estava enrolando para escrever sobre o grande escritor Machado de Assis, fundador da Academia Brasileira de Letras e respeitadíssimo até no exterior. Era negro, embora isso seja pouco divulgado, e parte do movimento negro, de forma equivocada acaba criticando a sua não adesão mais firme ao Abolicionismo, a exemplo de Luis Gama e Castro Alves. Mas a leitura do conto Pai contra Filho, escrito por ele, e que inspirou um dos melhores filmes brasileiros – Quanto Vale ou é Por Quilo? – não deixa divida sobre a sua consciência negra.
Ele nasceu no dia 21 de junho de 1839, na cidade do Rio de Janeiro. Era filho do brasileiro, carioca, descendente de negros alforriados, pintor e dourador Francisco de José, operário negro e da portuguesa da ilha de São Miguel, Açores Dona Maria Leopoldina, dona de casa. Infelizmente, sua mãe morreu quando ele ainda era criança, mas seu pai casou novamente e sua esposa, Maria Inês Machado o criou como filho. Aos 12 anos, sofre nova perda, o pai falece. Também perdeu logo nos primeiros anos de vida sua única irmã.
A madastra de Machado de Assis, era doceira em um colégio no bairro São Cristóvão, Rio de Janeiro. Neste ambiente, ajudando a vender os quitutes no ambiente escolar, logo ele toma conta com professores e alunos e ganhou a possibilidade de freqüentar as aulas. E ele aproveita para ter as primeiras noções gramáticas.
Também neste trabalho de vendedor de doces, o adolescente Joaquim conquista com sua inteligência, a proprietária de uma panificadora, uma senhora francesa, que lhe dá aulas de francês. E por fim é também digno de registro a ajuda que a viúva do Brigadeiro e senador do Império Bento Barroso Pereira – a senhora Maria José que praticamente o adotou financeiramente. Mesmo com os problemas da epilepsia e da gagueira, que tinha, ele foi conseguindo informalmente se instruir.
Apaixonado pela leitura e pelas poesias, não demorou que ele próprio escrevesse a sua. Com 16 as conseguiu no dia 12 de janeiro de 1855, publicar seu primeiro texto, na Revista Marmota Fluminense. O poema intitulado “Ela”, que foi t;ao bem aceito, que Joaquim passou a colaborar regularmente com a publicação, por ordem do proprietário – Francisco de Paula Brito.
A fama de um nas letras, fez com que o jovem Joaquim, aos 17 anos, conquistasse seu primeiro emprego – aprendiz de tipógrafo na Impressa Nacional. Durante as horas vagas no trabalho, escreve alguns textos, que logo é percebido pelo diretor do órgão, o escritor de Memórias de um Sargento de Milícias, Manuel Antonio de Almeida.
Mas em 1858, o Francisco de Paula Brito, faz uma ótima oferta de emprego, levando o jovem Joaquim de volta a Livraria Paula de Brito, como revisor e colaborador da Marmota Fluminense. Além disso, insere o escritor na Sociedade Litero Humorística Petalogica, onde ele passa a ter amizade dos escritores Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar e Gonçalves Dias.
Em 1859, Machado de Assis torna-se revisor e colaborador da Gazeta Mercantil e no ano seguinte, convidado por Quintino Boicaiuva passa a trabalhar na redação do Diário do Rio de Janeiro. Uma das lendas sobre Machado de Assis que sua caligrafia era muito ruim. Redator do Diário de Janeiro, seus companheiros de trabalho, os revisores, recusaram trabalhar com ele, sem que melhorasse sua letra. As reclamações chegaram até o proprietário do periódico que afirmou que só acreditaria se visse os originais de Machado. Mas reconheceu que apesar do talento, a caligrafia era ruim mesmo. Chamado para decifra suas anotações aconteceu algo até hilário, nem o escritor conseguiu traduzir. Por fim, teve que melhorar sua caligrafia.
Contribuiu também nas revistas O espelho, Jornal das Famílias e através do pseudônimo Doutor Semana – escreve no Semana Ilustrada – todos periódicos culturais.
Em 1861, o escritor participa como tradutor da obra “Queda que as mulheres tem para os tolos”. E no ano seguinte conhece o português Faustino Xavier de Novais, diretor do jornal O Futuro, informativo cultural, que também era irmão de sua futura esposa, Carolina Augusta.
A primeira obra literária dele foi Crisálidas, publicada em 1864, aos 29 anos de idade e dois anos depois obtém uma promoção; é nomeado ajudante do diretor do Diário Oficial do Império. Em 1869 sofre uma grande perda, morreu seu amigo Faustino Xavier, o que serve para aproximá-lo mais de Carolina, e por conseqüência, casam-se, no dia 12 de novembro, ela com 32 anos e ele com 27.
O emprego público e o casamento sólido são as bases tranqüilas que o escritor necessitava para se sentir à vontade para dedicar seu tempo ao que tanto deseja: escrever. Carolina além de ser uma perfeita companheira, influenciou de forma decisiva em sua formação literária.
Não demorou muito, e no ano de 1872, Machado de Assis publica seu primeiro romance – “Ressurreição”. Isso coincide com mais uma promoção: agora ele é alçado ao cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Em 1889, ano da proclamação da republica, torna-se diretor de Comercio da mesma pasta
Dois anos depois Quintino Bocaiúva convida Joaquim para publicar como novela o romance “A mão e a Luva”. É o mesmo ano em que consegue terminar de escrever um dos seus livros mais conhecidos – Memórias Póstumas de Brás Cubas, que dá inicio ao estilo realismo na literatura brasileira.
Juntamente com o amigo e também escritor José Veríssimo, dirige a Revista Brasileira, entra em contato com vários intelectuais e cria no dia 28 de janeiro de 1897 a Academia Brasileira de Letras
, aonde viria a ser eleito o primeiro presidente.Entre os anos de 1882 a 1906, Machado de Assis escreve os contos: Papeis Avulsos, Paginas recolhidas e Relíquias da Casa Velha.
Em 1904, morre Carolina, e Machado de Assis escreve em sua homenagem, no meio do luto, um de seus melhores poemas, Carolina. Mas a depressão e um câncer o fez falecer em 29 de setembro de 1908, em sua velha casa no bairro carioca do Cosme Velho. Nem nos últimos dias, aceitou a presença de um padre que lhe tomasse a confissão. Bem conhecido pela quantidade de pessoas que visitaram o escritor carioca em seus últimos dias, como Mário de Alencar, Euclides da Cunha e Astrogildo Pereira. .
Seu corpo foi velado na sede da Academia Brasileira de Letras, que passou depois a ser denominada em sua homenagem de Casa de Machado de Assis.
A obra do escritor pode ser dividida em duas fases distintas: romântica e realista. Na primeira os personagens de seus livros são românticos e o principal enredo é a conquista do amor verdadeiro. São frutos deste período as obras: Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia. Foram escritos na fase realista os livros: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e Memorial de Aires, que são caracterizados pelas questões psicológicas e sociais, onde as pessoas são retratadas com seus defeitos e qualidades.
BIBLIOGRAFIA:
Comédia
Desencantos, 1861.Tu, só tu, puro amor, 1881.
Poesia
Crisálidas, 1864.Falenas, 1870.Americanas, 1875.Poesias completas, 1901.
Romance
Ressurreição, 1872.A mão e a luva, 1874.Helena, 1876.Iaiá Garcia, 1878.Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.Quincas Borba, 1891.Dom Casmurro, 1899.Esaú Jacó, 1904.Memorial de Aires, 1908.
Conto:
Contos Fluminenses,1870.Histórias da meia-noite, 1873.Papéis avulsos, 1882.Histórias sem data, 1884.Várias histórias, 1896.Páginas recolhidas, 1899.Relíquias de casa velha, 1906.
Teatro
Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861Desencantos, 1861Hoje avental, amanhã luva, 1861.O caminho da porta, 1862.O protocolo, 1862.Quase ministro, 1863.Os deuses de casaca, 1865.Tu, só tu, puro amor, 1881.
Algumas obras póstumas
Crítica, 1910.Teatro coligido, 1910.Outras relíquias, 1921.Correspondência, 1932.A semana, 1914/1937.Páginas escolhidas, 1921.Novas relíquias, 1932.Crônicas, 1937.Contos Fluminenses - 2º. volume, 1937.Crítica literária, 1937.Crítica teatral, 1937.Histórias românticas, 1937.Páginas esquecidas, 1939.Casa velha, 1944.Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.Crônicas de Lélio, 1958.Conto de escola, 2002.
Antologias
Obras completas (31 volumes), 1936.Contos e crônicas, 1958.Contos esparsos, 1966.Contos: Uma Antologia (02 volumes), 1998
Suas principais obras foram traduzidas para diversos idiomas e grandes escritores contemporâneos como Salman Rushdie, Cabrera Infante e Carlos Fuentes confessam serem fãs de sua ficção, como também o confessou Woody Allen. A Academia Brasileira de Letras criou o Espaço Machado de Assis, com informações sobre a vida e a obra do escritor.


Endereço para ler a obra de Machado de Assis:
Biblioteca Digital MetaLibri
Academia Brasileira de Letras
Obras de Machado de Assis para leitura na Internet
Obras de Machado de Assis para download
Manuscrito de Machado de Assis

William Edward Burghardt Du Bois


Muitos de nós que aprofundamos em nossa pesquisa sobre a África, já ouvimos falar nele: William Edward Burghardt Du Bois um intelectual e ativista afro-americano e um bravo defensor do Pan-Africanismo. Nada mais correto do que fornecer aos meus irmãos e irmãs, um resumo sobre sua vida.
Willian nasceu no dia 23 de fevereiro de 1868 em Barrington. Desde crianças demonstrou um estranho talento para a escrita, tendo inclusive trabalhado em um jornal local. No ano de 1884 formou se brilhantemente no Segundo Grau e em 1888 formou-se na Universidade de Nashville.
Como professor voluntária dava aulas sobre História da África, na periferia de Nashville. Em 1888, também conseguiu entrar em uma das instituições de ensino mais conhecida do mundo – Harvard.
Entre os anos de 1892 a 1894 ele se formou em Historia e Economia, tendo trabalhando na Universidade de Ohio como professor de grego e latim.
Em 1891 Willian iniciou seu mestrado em Artes e em 1895 tornou-se Doutor em História por Harvard. Sua dissertação foi: “A supressão do comércio africano do escravo aos Estados Unidos da América, 1638-1870”, um trabalho exemplar até hoje de pesquisa.
O ano de 1896 foi excelente para Du Bois, casou-se com Nina Gomes e tornou-se professor assistente no Curso de Sociologia de Pensilvânia. Neste período concluiu seu livro sobre “O negro de Filadélfia: Um estudo social”. Isto lhe assegurou a conquista do renome entre os maiores professores norte-americanos.
Sua vida e trabalho foram dedicados ao Ensino da Historia do Negro e da África e a militância no Movimento Negro. Não demorou a também a participar da luta pelos Direitos Civis.
Em 1905 Du Bois fundou e secretariou o Movimento Negro de Niagara. Também ajudou a criar e editar várias publicações voltadas a formação da consciência negra Lua e Horizonte. Em 1909 foi um dos fundadores do NAACP – Associação Nacional para o Progresso das pessoas Negras.


De 1910 a 1934 serviu lá como o diretor de publicidade e de pesquisa, e Editor do jornal “Crise”, que serviu como órgão de divulgação da comunidade negra, e respeitado inclusive entre leitores de outras etnias, conseguindo inclusive lançar novos talentos.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Du Bois lutou para criação de uma legislação antidiscriminação através da NAACP. Depois, em 1934, renunciou seu cargo na entidade para se dedicar a outra luta: a criação de escolas e empresas dirigidas por afro-americanos, apostando assim no protagonismo negro.
Entre os anos de 1944 a 1948 participou das denuncias sobre a situação do afro-americano na Organização das Nações Unidas, assessorando a entidade, sendo um de seus protestos, em 1947, muito repercutido.
William politicamente era considerado um socialista, sendo filiado ao partido nos Estados Unidos entre 1910 a 1912. Organizou em 1949 um Congresso de Estudos Afro Americano, assessorou senadores e deputados nos debates sobre a questão negra.
Mas esta militância não passou desapercebida pelos anticomunistas que tentaram denunciá-lo como espião, e para piorar sua situação, acabou filiando-se em 1961 ao Partido Comunista, tendo inclusive viajado para palestrar a Rússia e China.
Sua luta no Pan Africanismo foi sensacional. Em 1900 assistiu à primeira conferência de Pan Africanismo, ocorrida em Londres, Inglaterra, sendo eleito vice-presidente. Em 1911 Du Bois realizou o primeiro seminário étnico, em Londres, com estudiosos de africanos e indianos.
Entre os anos de 1919 a 1927 William com o objetivo de incentivar uma revisão histórica e sociológica sobre a África, promoveu vários seminários em varias partes do mundo. Debateu sobre o Colonialismo, Alienação e Opressão sofrida pelos povos africanos, sejam em seu continente, sejam como afrodescendentes.
No Quinto Congresso do Pan Africanismo, realizado no ano de 1945, em Manchester, Inglaterra, foi eleito presidente, com apoio de novas lideranças como George Padmore e Kwame Nkrumah , que se se tornaram lideres dos movimentos de independência em seus respectivos países.
Kwame Nkrumah

Em 1961, Du Bois emigrou para Ghana a pedido de Kwame, agora presidente do país e iniciou sua pesquisa para a primeira Enciclopédia Africana.
Além de professor, Du Bois foi poeta, escritor, novelista, ensaísta, sociólogo, historiador e jornalista, produzindo 21 livros, editando mais 15 e ele publicou mais de 100 artigos. Ele morreu em Ghana no dia 27 de agosto de 1963, um dia antes da Grande Marcha de Washington, recebendo um funeral de chefe de estado, devido a sua contribuição aos povos africanos.
Foi uma das pedras fundamentais do Movimento Negro Internacional ao lado de Marcus Garvey e da metodologia do Ensino da Historia do Negro e da África, nos currículos escolares, agora em vagarosa implantação no Brasil.

DEUSA MAWU




Quando pessoas foram trazidas da África para o Brasil, não puderam trazer para cá nada além de suas religiões. Em uma das dividas africanas pouco cultuadas, mas que mantêm seguidos no Brasil é a Deusa Mawu. A deusa da África Ocidental, Mawu chamava-se originalmente Mawu-Lisa e por vezes era vista como gêmeos masculino e feminino, por vezes um ser andrógino. A divindade dupla Mawu-Lisa é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai Espírito Vital), Sé-medô (Princípio da Existência) e Gbé-dotó (Criador da Vida).
Mawu representa o Leste, à noite, a Lua, a terra e o subterrâneo. Sempre que ocorria um eclipse, dizia-se que Mawu e Liza estariam fazendo amor. Mawu-Lisa criaram todo o Universo e os Voduns juntos.
Lisa é, ao lado de Mawu, o vodun da Criação, pai e ancestral de todos os demais voduns, mas a tradição o coloca sempre em segundo plano em relação a Mawu. Lisa representa o Oeste, o Sol, o firmamento - assim como a luz e as águas contidas ali. É simbolizado por um camaleão que traz o globo dourado do Sol na boca. Enquanto Mawu representa o frescor e os prazeres da vida, Lisa encarna o trabalho, a seriedade e a determinação, semelhante à dualidade freudiana entre Eros, o princípio do prazer, e Tanatos, a pulsão da morte.
A cor emblemática de Lisa é o branco, e seus vodunsis devem andar sempre de branco. Ele recebe oferendas e sacrifícios de alimentos e animais de cor branca. Diferente de Mawu que se relaciona igualmente a todas as famílias de voduns, Lisa é considerado um JI-VODUN, e a tradição conta que ele é de origem nagô, e seus vodunsis ao final da iniciação são denominados anagonu.
Mawu é considerada uma deusa carinhosa, como atesta o provérbio: "Lisa pune, Mawu perdoa." Os Fon de Benin, na África Ocidental, cultuam Mawu como deusa Lunar.
Depois de criar Ayìkúngban, o Mundo, Mawu, deu seu domínio aos gêmeos Sagbata. Sogdo, por ser muito parecido com seu genitor, permaneceu no Céu, governando os elementos e o clima. A Agbê e Naeté foi concedido o domínio de Hu, o mar, que refresca a terra. Agué foi encarregado das plantas e dos animais que habitam a terra e a Gu, que tinha o corpo que era uma espada, foi concedida a habilidade de auxiliar os homens a dominar o mundo criado e garantir seu sucesso e felicidade em suas cidades, artefatos e tecnologias. Djó foi responsável por separar o Céu da Terra e dar trajes de invisibilidade a seus irmãos. O caçula mimado Legba permaneceu junto de Mawu, ancorado as seus pés. A cada vodun filho seu, Mawu ensinou uma língua diferente, que deveria ser usada em seus próprios domínios e Djó ficou encarregado de ensinar a linguagem dos homens, mas todos se esqueceram como falar a linguagem de Mawu, com exceção de Legba, que nunca se separou de seu genitor. Assim, todos os voduns e toda a humanidade teriam que recorrer a Legba para se comunicar com Mawu. Legba passou assim, a estar em toda parte, para levar e trazer mensagens dos seres criados ao seu Criador.
Dan Ayido Hwedo, a Serpente Cósmica, que havia auxiliado Mawu na criação no Mundo, não suportava o calor do sol e foi concedido que ele fosse morar no mar para se refrescar, circundando a terra, enquanto era alimentado com barras de ferro por macacos vermelhos enviados por Mawu, para evitar que mordesse a própria cauda e destruísse toda a Criação.
O filho de Mawu-Lisa, que permaneceu nos céus e fundou o Panteão do Trovão foi Sogbo. Já Sagbata, foi enviado à terra para se multiplicar. Quando teve que decidir que filho desceria à Terra, Mawu escolheu Sagbata por ser o mais velho. Sogdo ficou com inveja e fez com que as chuvas cessassem para que os homens não tivessem água para as colheitas. Quando as pessoas começaram a se queixar, Mawu enviou Legba para descobrir o que acontecia. Legba havia feito com que Sogdo parasse as chuvas inicialmente, mas Mawu não sabia disso. O trapaceiro Legba enviou um pássaro para iniciar incêndio na Terra. Quando a nuvem de fumaça se ergueu, Legba disse a Mawu que a falta de chuva estava queimando a Terra. Mawu então ordenou a Sogdo que liberasse a chuva.
Numa lenda diferente, Mawu e Lisa eram os criadores e usaram o seu filho, Gu, para dar forma ao Mundo. Gu, a ferramenta divina, tinha a forma de uma espada de ferro. Ensinou o povo a arte de trabalhar o ferro, para que pudessem fazer as suas próprias ferramentas e abrigos, mas infelizmente, Gu não sabia que os humanos iriam fazer uso do seu conhecimento para fazer armas e, com a ajuda da serpente cósmica, Dan, as idéias dos humanos tornaram-se realidade.
Na iconografia, Mawu é representada como uma anciã trajada apenas de um pano cingindo-lhe a cintura, caminhando apoiada num cajado na mão direita e levando um bastão encimado por uma Lua Crescente com as pontas para cima, na mão esquerda.
Mawu era a Deusa Suprema dos Fon de Abomey (República de Benin). Mawu, a Lua, atrai temperaturas mais frias ao mundo Africano.
Mawu não fazia contato direto com os homens, mas delegava seus poderes aos Voduns. Os Voduns constituem uma classe especial de criaturas vivas. Estão acima da humanidade, mas não são divindades, eles são os sinais que emanam do divino em resposta aos desejos espirituais da humanidade. Deste modo, Vodun designa tudo que é sagrado, todo o poder do invisível, que influencia o mundo dos vivos. Examinemos então a dinâmica do Panteão Vodun:
GU, Vodun dos metais, guerra, fogo, e tecnologia.
HEVIOSSO, Vodun que comanda os raios e relâmpagos.
SAGBATA, Vodun da varíola.
DAN, Vodun da riqueza, representado pela serpente do arco-íris..
AGUE, Vodun da caça e protetor das florestas.
AGBE, Vodun dono dos mares.
AYIZAN, Vodun feminino dona da crosta terrestre e dos mercados.
AGASSU, Vodun que representa a linhagem real do Reino do Daomé.
AGUE, Vodun que representa a terra firme.
LEGBA, o caçula de Mawu e Lisa, e representa as entradas e saídas e a sexualidade.
FA, Vodun da Adivinhação e do destino.
Os voduns na África são agrupados em "famílias" chefiadas por um vodun principal, ora representando um elemento ou fenômeno da natureza, ora da cultura. Existem basicamente 4 famílias principais:
Os JI-VODUN, ou "voduns do alto", chefiados por Sogbo (forma basilar de HEVIOSSO ).
Os AYI-VODUN, que são os voduns da terra, chefiados por SABAGTA.
Os TO-VODUN, que são voduns próprios de uma determinada localidade (variados).
Os HENU-VODUN, que são voduns cultuados por certos clãs que se consideram seus descendentes (variados).
No Brasil os voduns são cultuados nos terreiros de Candomblé.
A iniciação ao culto dos voduns é complexa é longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro hunkpame, que podem chegar a durar um ano, onde os neófitos são submetidos a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.
O nome de Mawu foi utilizado para denominar o Deus Único dos judeus, cristãos e muçulmanos nas línguas ewe-fon, mas dentro de culto dos voduns, Mawu possui seus próprios conventos pelo sul do Benin e do Togo, com culto organizado, sacerdotes, iniciados, etc., como qualquer outro vodun. Os mawunon (sacerdotes de Mawu), apesar da aparente importância da divindade que cultuam, não têm nenhuma ascendência especial sobre os sacerdotes de outros voduns. Suas cores emblemáticas são o branco, o azul e o vermelho.
Mawu chega até nossas vidas para dizermos que é hora de quebramos a rotina e temperá-la com mais Criatividade. Faça algo bom e totalmente diferente hoje. Mawu tinha muito amor à todas as suas crianças. Compre doces e distribua às crianças de rua. Tente também conversar um pouco com elas. Tire de sua volta este paredão de medos e se envolva mais com seu semelhante. Converse com seu colega, seus funcionários, seus filhos, parentes e amigos. Escute o que o outro tem para lhe dizer, pois todos nós somos obras e criação de Mawu. Você entenderá assim, que os vícios que nos condena outros são na verdade os seus próprios. Nunca julgue para não ser julgado, aceite a vida como ela é, pois nada neste mundo material
é eterno.
Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto

quarta-feira, junho 14, 2006

Mais um capítulo da Sinha Moça

Novelas da Globo na mira do Ministério Público baiano
Uma audiência pública organizada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP) nesta sexta-feira, 9, colocou em debate a representação do negro nas novelas veiculadas na emissora Rede Globo, especificamente Sinhá Moça e Cobras e Lagartos, exibidas respectivamente, as 18 e às 19 horas.
O evento reuniu doutores em história, direito, mídia e membros da comunidade para discutir as denúncias oferecidas pelo MP na semana passada contra o núcleo de direção e produção da Rede Globo, responsáveis pela novela Sinhá Moça. A obra foi considerada "racista e desrespeitosa com a dignidade do povo negro". "A novela Sinhá Moça deturpa a história do negro. Os escravos são retratados como seres passivos e acomodados, que se subjugam à condição imposta pela escravidão.
No entanto, não foi isto que aconteceu na realidade. Na época, os negros lutaram muito pela abolição, se organizaram em quilombos e se rebelaram em insurgências, como a Revolta dos Malês. Mas a novela negligencia esta parte da história", contesta o doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Vilson Caetano de Souza Júnior.
A coordenadora do curso de pós-graduação em História da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Vlamira Albuquerque, acrescenta que os personagens analisados nas novelas são estereotipados, o que agride a auto-estima da comunidade negra. "Em Cobras e Lagartos, os personagens Ellen (Thaís Araújo) e Foguinho (Lázaro Ramos) são pilantras e de baixo caráter.
Em Sinhá Moça, os negros são fracos e não reagem à escravidão. Estas representações contribuem para que o negro se sinta sempre inferior", comenta. A pesquisadora ainda acrescenta que a novela não tem a obrigação de repetir o conteúdo veiculado na primeira versão, de 1986, e que deve se adequar às novas abordagens do negro na história. "A maneira que o autor conta a história é uma interpretação particular dos fatos narrados, não são fatos absolutos, e as pessoas ficam sem acesso a uma representação fiel do passado". Questionado sobre o direito à liberdade de expressão da obra artística e da não obrigatoriedade de compromisso da ficção com a realidade (uma vez que não se trata de documentário), o promotor de justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especial do Combate à Discriminação (GEDIS), Almiro Sena Soares Filho, explica que há dois direitos em conflito no caso: a liberdade de expressão da mídia e a dignidade da pessoa humana do negro. "Nenhum direito é absoluto, mas quando ocorre este tipo de conflito entre dois direitos, temos que apelar para os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.
No entendimento jurídico, o direito á dignidade supera a liberdade de expressão, pois se trata de um direito constitucional, não apenas legal", esclarece. Mensagens implícitas - Apesar da legítima liberdade de expressão, a telenovela possui um caráter particular na estrutura da sua narrativa: a transmissão de conteúdos implícitos de forma subjetiva. Como os discursos prevalecem sobre os fatos, a ideologia veiculada se materializa subliminarmente no comportamento das pessoas e o racismo se naturaliza nas práticas humanas. Com base nestas concepções, os debatedores defendem que o caráter subjetivo das telenovelas aliado à alta penetração do veículo televisivo no dia-a-dia das pessoas obriga a obra a ter um "compromisso com princípios fundamentais da sociedade". A doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretora de Jornalismo da Associação Brasileira de Imprensa, Josette Xisto Cunha, aposta na análise do discurso para uma avaliação equilibrada dos impactos da telenovela na sociedade brasileira. "A representação dos negros nestas telenovelas reforça o tratamento racista e hegemônico que é dado a eles na sociedade. As mensagens são subjetivas e implícitas, mas promovem resultados concretos que perpetuam a discriminação racial. Portanto, não interessa a historiografia da novela Sinhá Moça, mas a forma como a "realidade" é construída na obra. A mídia é co-responsável pela manutenção deste discurso hegemônico e esquece do compromisso que tem na construção das identidades sociais. Assim como um médico pode matar uma pessoa numa mesa de cirurgia, a mídia pode "matar" a auto-estima de um indivíduo. Submetidos ao poder da mídia, os negros ficam impossibilitados de mudar a sua imagem social e são condenados ao discurso dominante". O promotor Almiro Sena, autor do pedido de abertura do inquérito civil, acrescenta que o tema da escravidão foi um crime contra a humanidade e que não pode ser tratado como um tema qualquer. "Para se retratar momentos históricos densos, como a escravidão, o holocausto e genocídios, a licença poética tem que ser relativizada. Não se pode falar destes assuntos como se fossem temas quaisquer", defende. Outras Obras - Na opinião do secretário de Direitos Humanos do Rio de Janeiro, coronel Jorge da Silva, outras obras como a novela "Porto dos Milagres" e o livro "Casa Grande e Senzala", de Gilberto Freyre, também contribuem para a reafirmação do racismo. "Em Porto dos Milagres, a maioria dos atores eram brancos e a novela parecia acontecer no Paraná, enquanto a história original, escrita por Jorge Amado, era toda ambientada na Bahia, com personagens negros e mulatos. O autor, na época, justificou como licença poética, então porque não usam esta liberdade de criação para retratar um casal de negros como patrões de imigrantes italianos nas novelas?", questiona. Segundo ele, Gilberto Freyre também contribui com a manutenção do racismo quando justifica em suas obras que os índios não foram escravizados por serem mais fracos para o trabalho do que os negros. "Isto é uma mentira que contam nas escolas para as crianças e deve ser desconstruída. Os negros foram escravizados porque o tráfico era extremamente rentável e até a igreja católica se beneficiava com o comércio ilegal. A história como é contada sustenta a idéia de que o negro possui uma predisposição genética para a escravidão", dispara.
Para o Coordenador do [Instituto Mídia Étnica], Paulo Rogério Nunes, o programa humorístico "Os Trapalhões" também reafirmava o racismo de forma implícita. "Mussum era um ébrio, sem nenhuma perspectiva de vida. E esta é a forma como o negro geralmente é representado na televisão brasileira. Agora, continua o mesmo discurso no programa, mas com o personagem representado pelo Jacaré (o ex-dançarino da banda baiana É o Tchan)". Paulo deverá encaminhar um ofício à Rede Globo na próxima semana onde solicitará a abordagem em telenovelas da história das comunidades negras Axanti, Palmares e Yorubá na constituição da cultura racial. "Não se pode reproduzir modelos tão antigos de narrativa racista. Sinhá Moça não esclarece nada sobre a história dos negros e há materiais historiográficos bem mais interessantes que nunca são aproveitados".
Foram convidados para participar da audiência o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, o Ministro da Justiça, Márcio Thomas Bastos, o Diretor-Geral da Rede Globo, Octavio Florisbal, o autor da novela Sinhá Moça, Benedito Ruy Barbosa, e o presidente da Rede Bahia, Antônio Carlos Magalhães Júnior. Nenhum deles compareceu à audiência. Segundo o promotor, a ação civil não pretende tirar a novela do ar, mas colocar em discussão o conteúdo da obra.
Fonte: Carina Rabelo - Jornal A Tarde On-line

Quanto Vale ou é por quilo?

O titulo é o nome de um filme que considero obrigatório para este determinado público: assistentes sociais, jornalistas, políticos, líderes comunitários, presidente de entidades assistenciais e principalmente pessoas pobres e negras. Qual a razão? Porque o DVD “Quanto Vale ou é por Quilo?” é sem dúvida o melhor filme brasileiro de 2005, apesar da péssima divulgação e nem ter passado nas salas de cinema no interior, mas fala de uma situação que é bom refletir: o Brasil é um dos países campeão em organizações não governamentais assistenciais – elas funcionam, combate a miséria ou já fazem parte do sistema de exploração dos pobres?
O filme do cineasta Sergio Bianchi toma como ponto de partida o conto de Machado de Assis “Pai contra Filho”, pouco conhecido, que fala dos conflitos éticos no período da escravidão entre um capitão do mato, sua esposa, uma escrava fugitiva e grávida e seu proprietário. Leiam no meu blog: www.marconegro.blogspot.com uma cópia, pois o texto é impressionante.
O roteiro sai da escravidão e vem para os dias de hoje, onde vemos que mesmo após a abolição, a maioria dos miseráveis é negra. E para ajudá-los a superar esta situação surgiram as entidades assistenciais com seus milhares de projetos nas periferias. Muitas delas prestam um trabalho sensacional, tanto é que captam com sua boa reputação recursos no exterior. Mas existem outras com suas siglas e endereços tão desconhecidos, que dificultam até a identificação de seu trabalho e sua eficácia.
Há ONGs criadas neste país já com o objetivo de viver apenas de verbas distribuídas dos governos municipal, estadual e federal. Elas têm folhas de pagamento tão onerosas, que às vezes, o dinheiro destinado ao combate à miséria, se perde no meio do custeio delas próprias. No fim, temos Ongs que vivem do combate à fome e não lutam para extingui-la, pois se o fizessem, perderiam a razão de existir. Inclusive fazem suas escolhas políticas com base naqueles prefeitos, governadores, deputados, vereadores, senadores e presidente, que prometam dar mais dinheiro para as entidades.
Muita gente já ouviu falar de ONGs em que seus dirigentes chegam a melhorar de vida, enquanto a dos pobres permanece a mesma por gerações, ou às vezes, piora. Sem duvida alguma: falta fiscalização, mas o corporativismo e a política do “deixa quieto” feita por militantes sérios, que tem medo que os escândalos afetem as entidades idôneas e as doações empresariais. No filme “Quanto Vale ou é por Quilo” uma líder popular descobre que os computadores doados para sua comunidade através de uma ONG são superfaturados. Quando ela vai denunciar o crime é marcada para morrer, pois está atrapalhando o esquema.
Na época da escravidão os negros idosos, eram colocados nas ruas por seus proprietários para mendigar e dar no final do dia o dinheiro para eles. E existiam inclusive as sinhás que prostituíam suas escravas, auferindo lucro na atividade, virando caso de polícia. Hoje, algumas entidades assistenciais não chegam a tanto, mas no pratica, fazem o mesmo.
Assistam ao filme que tem como atores, Lázaro Ramos, Herson Capri, Zezé Motta entre outros. Como disse o cineasta inglês Ken Loach, o cinema não muda o mundo, mas traz inquietações.

terça-feira, junho 13, 2006

RAINHA DE SABÁ




Há séculos que arqueólogos tentam escavar as ruínas de um colossal templo a 120 quilômetros de Sanaa, no Iêmen à procura dos restos mortais da Rainha de Sabá.O santuário, chamado Mahram Bilqis, localiza-se nos arredores de Marib, capital do antigo reino de Sabá. Acredita-se encontrar ali os restos mortais da Rainha.
Quase tudo o que se sabe a seu respeito está contido em treze versículos do Velho Testamento,e em alguns trechos do Corão, o livro sagrado do Islã .
Sabá era conhecido como o país das mil fragrâncias; existiu por 1 800 anos e só desapareceu por volta do ano 600 da era cristã, pouco antes do advento do islamismo.
Na história do povo sabeu radicado no sul da Arábia, Sabá de Biltis foi uma sábia rainha que levou seu povo à pura adoração ao Senhor.Os islâmicos a chamam de Belkis,e os etíopes de Makeda.
Durante séculos, o reino controlou as rotas das caravanas que transportavam o incenso e a mirra, produtos obrigatórios nos templos da Antiguidade. O incenso que produzia era muito procurado. Em Sabá não havia miséria e seu povo era sadio e feliz. A visita da rainha ao rei Salomão em Jerusalém poderia incluir um acordo comercial com Israel, no entanto para os judeus ,sua viagem à Jerusalém tinha por finalidade conscientizar o rei Salomão a não se descuidar de sua importante missão na Terra.
Com portentosa caravana real Biltis a Rainha de Sabá adentrou em Jerusalém levando muito ouro destinado ao Templo do Todo-Poderoso e uma severa advertência a Salomão, não se intimidando com a impertinência de Betsabá que temia perder a sua influência de supermãe, para aquela estrangeira altiva e independente.
“Um ser humano que só recebe, sem nada dar, põe em perigo sua felicidade e sua paz de alma! Muito provavelmente tal pessoa nascerá na pobreza, por ocasião da próxima vida terrena! Pode acontecer até que tenha de passar sua vida como mendiga!"
E Biltes continuou a chamar à atenção de Salomão para não descuidar do povo do qual era regente, preparando-o para a vinda do Enviado de Deus que segundo as profecias nasceria naquele país.
“- Estás enganando Salomão! O saber a respeito do Filho de Deus e o anseio de poder servir a Ele continuam vivendo nas almas, mesmo depois da morte! E esse saber e o anseio despertarão nos novos corpos terrenos, quando nascerem de novo na Terra, provavelmente na época do Enviado de Deus. Imediatamente o reconhecerão e ficarão agradecidos por lhes ser permitido servir a Ele."
Esse encontro em Jerusalém teria ocorrido em 950 a.Cestá registrado na Bíblia .
(primeiro livro dos Reis (Cap. 10, vers 1-13) e segundo das Crônicas (Cap. 9, vers 1-12)).
No Kebra Nagast, conta-se que o Rei Davi, o primeiro governante judeu do chamado Período dos Reis da história dos judeus, desposou Betsabá, uma descendente de judeus negros. O casal gerou o histórico Salomão, que sucedeu o pai e gerou um filho com a Rainha Sheba (a Rainha de Sabá), imperatriz de terras ao sul da Etiópia. Como legado ao herdeiro, Salomão confiou à Rainha um anel de diamante ornamentado com afigura do Leão de Judah.O garoto recebeu o nome de Menelik, Bayna-Lehkem ou, o "Filho do Sábio", e consta que teria visitado as terras de Israel onde conheceu seu pai e com ele foi iniciado no judaísmo. A ele o pai teria confiado a Arca da Aliança contendo os dez mandamentos dados por Moisés.
Foi assim que o Reino de Davi se estabeleceu na Etiópia há três mil anos e a Dinastia, bem como o anel de diamante, atravessaram os séculos até se extinguir com a morte de Haile Selassie. O império abissínio para o qual se aplicava o termo Etiópia se considera descendente do Rei Menelik, filho que Belkis com Salomão. Além dos títulos de rei dos Reis (Negus Nagast) e Senhor dos Senhores, o trono etíope agregava outros tantos atributos que reforçavam a autoridade religiosa do imperador; ele era o Leão de Judah, o Eleito de Deus, o Messias Negro.Essa dinastia reinou na Etiópia até 1974. Ainda neste século o governo do Iêmen não permitia pesquisas arqueológicas na região, não sendo admitida à entrada de estrangeiros no país, embora as ruínas de Marib, antiga capital de Sabá, se estendessem por quilômetros. Finalmente, através dos esforços do paleólogo Wendell Philips, foi dado ao mundo cientificar-se da real existência de Sabá e do esplendor de Marib, sua capital.á cerca de 3.000 anos, a Rainha de Sabá estava indecisa
A Rainha de Sabá da antiguidade até os dias atuais sido tema da pesquisa científica que tenta comprovar sua existência.Sua figura tem alimentado a imaginação de pintores, cineastas, historiadores .É retratada em 1512 nas Pinturas de Lambert Sustris, “A Chegada da Rainha de Sabá ,e por Edward Poynter artista do no século 19”.Foi tema de filmes como Salomão e a Rainha de Sabá, dirigido em 1959 por King Vidor, e As Mil e Uma Noites, de Pier Paolo Pasolini, filmado em 1973.

Material recebido por e-mail da Casa Mulher Negra de Santos – Alzira como sempre, bem informada e informando a todos.

segunda-feira, junho 12, 2006

ORORO OU IANSÁ


Assisti o filme X Men III e depois tive a feliz impressão que a personagem Tempestade pode ter sido criada com base na deusa negra Iansã.
As duas tem poderes quase semelhantes e são africanas. Será que Stan Lee adodou pesquisando sobre Candomblé antes de criá-la?
Mas assistam o filme Halle Barry está linda e com mais fala no filme. Pena para quem leu os HQs perceba algumas falhas incomodas na trama.

sexta-feira, junho 09, 2006

O CAPITULO UM DO HIP HOP


A frase acima é tira do filme Brown Sugar e eu também assumo como minha. Um do estilo de musical, vida e militância. Tal marginal e perseguido como foi o samba no passado, hoje é o Hip Hop em seus quatro elementos: grafite, break, MC e Dj. Mas muitas pessoas perguntam: de onde veio o Hip Hop? Darei algumas pistas a seguir desta batida universal.
Um dos pilares do Hip Hop está no break, que é filho da dança de rua, praticada ao som do funk dos anos 60, e que teve como um de seus maiores expoentes James Brown.
O Rap - rhythm and poetry, ou seja, ritmo e poesia, nasceu nas periferias de Nova Iorque, nos bairros Bronx e Harlem quando os negros norte-americanos, na falta de recursos para grandes instrumentos musicais, passaram ao som de fitas cassetes de funk, disponibilizar seus grandes toca-fitas nas esquinas para em grupo cantar e dançar. Os avôs deste estilo são os “Last Poets” , que eram um grupo de jovens afro-americanos militantes que manifestaram sua indignação social em rimas e percussões, e assim passavam suas propostas.
Alguns foram além e com tocas discos começaram a misturar e criar novas batidas, e assim nascia o DJ. Considerados pioneiros desta arte são Kool D.J. Dee e Kool Herc que logo formou muitos DJs. E o mais notórios desses jovens talentos foi Disco King Mario, que mais tarde passou a ser conhecido como Afrika Bambaataa.
Também foi Kool Herc , jamaiacano lançou o MC – Mestre de Cerimônia ao convidar Coke La Rock para agitar suas apresentações com frases como Ya rock and ya don’t stop!, Rock on my mellow! e To the beat y’all, que hoje podem ser ouvida como clássico em vários samples de rap

Afrika Bambaataa

Afrika desenvolveu um estilo próprio de DJ, iniciando suas apresentações ao som de um trovão e denominando os garotos de Zulu Nation, traduzindo, Nação Zulu, dando pistas de sua consciência negra, ao homenagear uma das etnias africanas mais guerreiras. No dia 12 de novembro de 1973 a Zulu Nation, virou uma ONG ou posse como denominamos na periferia, com o objetivo de ajudar a juventude negra. O lema era: “Paz, União e Diversão”.
Também é creditada a Bambaataa a criação do termo Hip Hop em 1968 afirmava ter se pensado na hora nos dois movimentos corporais que o pessoal fazia quando dançava, ou seja, Hip Hop
Outro grande Dj que surgiu foi Grand Master Flash, que inventou uma sonoridade para que os primeiros rappers pudessem rimar e os b.boys pudessem dançar. Foi ele que lançou o scratch e depois deles, vários scratchings são hoje copiados exaustivamente.

SOUND SYSTEMS – PAI DO RAP
Mas a poesia ritmada de Mano Brown- Racionais Mc não existiria, sem a criatividade dos jamaicanos. Para quem já escutou reggae percebe o improviso de versos. Isso já existia nos anos 60 e era chamado de – sound systems, onde ao ritmo da musica o mestre de cerimônia ia rimando e versando sobre a situação socioeconômica da sociedade local.
Com a imigração de jamaicanos para os Estados Unidos, e sua convivência nos bairros de periferias com afro-americanos, isso influenciou a musica de rua. Um desses imigrantes era justamente
Em 1978 foi gravado o primeiro disco de Hip Hop, do grupo FatBack, com a musica King Tim, em 1978. Nossa, eu só tinha 8 anos de idade. Outro clássico é “Rapper’s Delight”, que é sampleada no maior sucesso de 1979 Good Times e para alguns é o gênese do Rap.

1983 – SURGE O HIP HOP BRASILEIRO
Denominado de break, o Hip Hop brasileiro surgiu na esteira do mito Michael Jackson, que inspirou muitos grupos de dança de rua em São Paulo. Até programas de televisão abriam espaço para a expressão desta arte como na TV Record com Barros de Alencar onde se apresentaram os grandes Poppers como Os Cobras e as Buffalo Girls e a grande final entre Os Dragon’s Breaker’s versus Gang de Rua. Também são desta época os grupos: Back Spin, Jabaquaras Breakers, Red Crazy Crew, Street Warrior’s e Nação Zulu.
O primeiro grupo de dança de rua foi o Electric Boogies. Depois muitos grupos surgiram e se apresentaram nas proximidades da estação de metrô, São Bento. Entre eles um b.boys que viria se tornar um dos maiores MC brasileiro, Thaide , que com seu DJ Humberto, hoje Hum foram os criadores de uma escola de estilo de hip hop.
Não podemos deixar de lembrar de MC Mattar, Marcelo Cirino, hoje fora da cena mas também um dos fundadores do hip hop nacional. Ele teve inclusive um grupo de dança de rua chamado Gang de Rua, composto por Jorge Paixão, Tijolo e Daniel Paixão, o hoje conhecido Criminal D.
Em 1986, acontece um dos primeiros shows de rap. Foi no Teatro Mambembe, e foi roganziado pelo DJ Theo Werneck.
A primeira musica de rap gravada foi do grupo Black Junior – Mas que linda esta? E quem se recorda de Fabio Macari, DJ Cuca e os Dinamic Duo? A primeira coletânea saiu em 1988. "Hip-Hop Cultura de Rua” lançada pela gravadora Eldorado, onde participaram Thaide & DJ Hum, MC/DJ Jack, Código 13 e outros grupos.
Outra pessoa importantíssima para o Hip Hop foi Milton Salles, que em 1989 criou o Movimento Hip Hop Organizado – MH2O, que também foi um dos primeiros produtores do grupo Racionais Mc. Uma das iniciativas que dão dignificam Salles foi seu trabalho na divulgação do Hip Hop e a realização de inúmeras oficinas nas periferias, ensinado os 4 elementos.
Hoje o Rap Nacional é forte e único no mundo, desde a batida tradicional do Racionais MCs ao som suingado de Marcelo D2 que uniu samba e hip hop e deu uma nova vida ao estilo.
Mesmo assim o estilo musical e de vida segue marginal, como era o samba, poucas rádios e emissoras de TV divulgando e os eventos são sempre mal vistos pelas autoridades policiais e políticas, exceto, raras exceções.
Há ainda o temor que semelhante ao samba o Rap seja assimilado no Brasil, assim como foi nos Estados Unidos, pela elite, como forma de divertimento simplesmente, sem sua função principal, alertar a população da periferia sobre as formas de dominação e dar auto-estima e conselhos de organização e união.
O rap é compromisso.