domingo, janeiro 03, 2010

Invictus – Outra Copa do Mundo na África do Sul.



Clima de Copa do Mundo da África do Sul vai contagiar todos. Brasil é favorito, mas o que vale é bola no campo. Mas para os amantes do esporte devem ficar atento a um filme que entrará em cartaz em 29 de janeiro de 2009: Invictus. Ainda sem nome em português, mas dispensável a tradução: Invictos.

Em 1995, logo após sua posse, Nelson Mandela enfrentava os desafios de transformar suas promessas de campanha em realidade. A maioria negra votou nele e a minoria branca não. O que se esperava de um resultado de urna assim, seria o revanchismo, após décadas de violenta segregação racial.

Neste clima pró desagregação, Mandela mostrou porque é um líder incontestável: propôs manter um time de rugby, um dos símbolos da separação étnica. A seleção nacional tinha apenas um negro, onde eles são 80%.

De forma inesperada, para negros, e os partidos da base de apoio de Mandela, o presidente incentivou o time e conseguiu fazer com que todos se unissem em torno da equipe: “uma nação, um time”. Coisa que acontece há muito tempo no Brasil.

Não foi fácil incentivar os massacrados negros, apoiarem um time de seus ex-opressores. Somente a tática do perdão mútuo (principalmente dos negros) conseguiu isto. Todos passaram a se ver como uma única nação, multirracial e com diversidade cultural.

A interpretação de Mandela, feita por Morgan Freeman está espetacular e correta. Fala pausada e ponderada, semelhante a do líder sul-africano. E Matt Damon como o capitão da equipe sul-africana de rugby foi boa. O único senão é que Mandela é mais baixo que o atleta, na vida real. Mas o cinema nem sempre tem obrigação de ser 100% fiel em todos os detalhes. Há indícios de que Jesus nunca foi louro de olhos azuis, no entanto, em todos os filmes ele está assim.

Detalhe importante de Invictus é destacar as dificuldades que Mandela teve em seu mandato. E o desapego ao poder. Poderia tentar outro mandato nas urnas e ganhar. Mas está é a diferença de dele e de Hugo Chaves. Sem falar do clima constante de tensão, com medos de golpes e atentados contra Madiba.

Pena a propaganda ser menor, mas seria uma boa competição saber qual o melhor filme: Invictus ou Lula do Brasil, que retrata a epopéia do sertão ao Palácio do Planalto do presidente do Brasil.

Não dá para deixar de citar a direção, Clint Eastwood,em Invictus. A pouco tempo, o cineasta se envolveu num caloroso bate boca com Spike Lee sobre a falta de negros nos filmes. Será que esta foi a resposta?

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