terça-feira, junho 21, 2005

MARCUS MOSIAH GARVEY



Um deus! Uma Inspiração! Um destino!

“Um só amor! Um só coração!
Vamos seguir juntos para ficarmos bem”.
Bob Marley - One Love! (tradução)


No dia 10 de junho, completou-se 65 anos da morte do líder Marcus Mosiah Garvey, considerado um dos pais do Pan Africanismo. O caçula de 11 irmãos nasceu em Saint Ann Bay, Jamaica, no dia 17 de agosto de 1887. Seu drama já começa cedo, tendo que conviver com a morte de 9 de seus irmãos, devido às condições sócias econômicas da família.
Apesar de um ser considerado ótimo aluno na escola elementar de saint Ann Bay, sua vida, tem um impulso quando seu padrinho, Alfred Burrowes, proprietário de uma pequena gráfica, começa a dar aulas particulares e ceder livros para sua formação intelectual. Outra grande influência é de seu pai, um membro da maçonaria jamaicana, que também tem sua pequena biblioteca, freqüentada pelo filho quase que diariamente.
A infância de Marcus foi simples para padrões da Jamaica. Nadava e praticava esportes com garotos de sua idade. Mas aos 14 anos acaba se apaixonando por uma vizinha da mesma idade e a proibição da família dela de que mantenham os laços, através de correspondências, o marca profundamente como o primeiro ato de discriminação. Na mesma época, Garvey inicia-se na vida profissional como aprendiz de gráfico.
Aos 19 anos, Marcus vai tentar a vida na grande cidade de Kingston onde passa a trabalhar na empresa P.A. Benjamin Limitad. Devido ao seu desempenho, no ano seguinte já é promovido a impressor e contramestre. Mas sua consciência critica o leva participar em 1908 de sua primeira greve. É demitido e nenhuma outra gráfica, num acordo informal – o contrata. Só consegue emprego numa gráfica pertencente ao governo jamaicano.
O militante negro começou sua carreira de jornalista através do jornal Watchman e depois escreve para o respeitado National Club Of Jamaica.
No ano de 1910, Marcus tem sua primeira chance de viajar para o exterior, indo para Costa Rica, como fiscal de plantações de banana. No campo, percebeu as péssimas condições de vida dos trabalhadores negros. Sua indignação aumentou ao visitar a Guatemala, Panamá, Nicarágua, Equador, Chile e Peru onde trabalhadores de outras etnias eram explorados.
Cansado de só assistir, Marcus, publica artigos nos jornais La Nacionale – Costa Rica e La Prensa no Panamá, mas sem obter repercussão. Ele é incompreendido nesses países e em sua terra natal.
Dois anos depois Marcus muda-se para Londres, junto com sua irmã, Indiana, onde toma contato pela primeira vez, através dos emigrantes africanos, com a Arte e Cultura de diversas etnias da África. Também é na capital do império inglês, que o militante conhece noticias sobre a condição social dos afro-americanos e o sistema de segregação vigente.
Desse período a amizade que mais lhe influência é a do nacionalista egípcio Duse Muhammad, autor do The African And Orient Review – que tem na proposta, a revisão na forma que a historia da África é contada até então. Também foi em Londres que tomou contato com a obra de Booker T. Washington – um dos pensadores do Movimento Pan Africano.
Já de volta a Jamaica, no dia 1 de agosto, Marcus funda a Universal Negro Improvement Association – que ficou conhecida como UNIA – com o lema – Um Deus, Uma Inspiração, Um destino! A Organização Não Governamental tinha como objetivos; promover a consciência negra, lutar pelo desenvolvimento econômico da África, e incentivar a criação de estabelecimentos de ensino negros que ensinassem também línguas africanas. A sede humilde da entidade foi no numero 30 da Rua Charles, em Kingston. Depois a entidade se mudou para a Rua king, no prédio chamado Liberty Hall.
Mas o sucesso não foi imediato, pois seus compatriotas negros, não acreditavam em suas idéias. Garvey respondia que eles queriam mesmo é continuar tentando serem reconhecidos como cidadãos brancos.
Em 1916, Marcus parte para os Estados Unidos, para se encontrar com o seu considerado mentor, Booker Washington, que infelizmente devido a problemas de saúde, falece antes de reencontrar o pupilo. Mas em terras norte-americanas, Marcus passa a divulgar suas idéias em forma de palestras, viajando pelos Estados Unidos a convite de comunidades negras.
Na terra dos ianques, a Ong UNIA aumenta seus filiados e subsedes, alcançando o numero de 1.100, em mais de 40 paises. Existiam escritórios da entidade nas Américas Central e do Sul e África. No Harlem, bairro pobre de Nova Iorque, ele publica pela primeira vez o jornal Negro World, com idéias revolucionárias de nacionalismo negro. O periódico chegou distribuir 50 mil exemplares por edição.
Na influencia do Negro World, surgiram outras publicações nos Estados Unidos – The Daily Negro Times, The Blackman, The Jamaican e The Black Man Magazine. Ele escrevia “para cima, você raça poderosa, você pode realizar o que quiser”.
No dia 18 de agosto de 1920, Marcus é eleito simbolicamente presidente provisório da África, onde ele aproveita a cerimônia para denunciar a situação de miserabilidade dos paises africanos e das ex-colônias européias na América. Mas Garvey era proibido de pisar dos paises africanos ou em colônias ingleses, devido sua fama de revolucionário. Mesmo assim chega a redigir e divulgar uma Declaração Universal dos Direitos dos Negros.
Era considerado um excelente orador, pregando o orgulho negro e o desenvolvimento econômico da África, com ajuda de todos afro-descendentes espalhados pelo mundo. Um conceito correspondente ao nacionalismo dos judeus que depois conseguiram fundar Israel, ocupando a Palestina. Garvey dizia “ Somos descendentes de um povo sofrido. Somos os descendentes de um povo decidido a não mais sofrer. Etiópia “é a terra de nossos pais”. Uma idéia defendida por rastafaris.
Os seguidores de Marcus eram denominados garveistas, que defendia inclusive o questionamento da Bíblia Sagrada, alegando que há uma deturpação das escrituras sagradas do aramaico, quando descreve, Adão, Abrão e Jesus, como brancos. Até uma versão negra da bíblia foi editada – Holy Piby.
Nos Estados Unidos, Garvey funda a Line Black Star – uma companhia de navios a vapor, que tinha uma linha entre Estados Unidos e Jamaica – destinada só para passageiros negros. O negocio se revelou rentável, movimentando em seu auge milhões de dólares e despertando inveja dos concorrentes. Mas em 1922 acabou falindo, num caso mal explicado de suposta fraude do correio e levando o líder para cadeia dois anos depois.
Durante o julgamento ele dispensou ajuda do advogado, se encarregando sozinho de sua defesa judicial. Mas foi condenado em 1925, com a pena reduzida, pelo presidente Calvin Cooligde, em troca de sua deportação para a Jamaica. Esse evento acaba abalando sua reputação, e da UNIA, mas permanece em militância até sua morte em 1940, em Londres, de pneumonia, após dois derrames. Seu corpo é embalsamado e enterrado no cemitério Kendal Green.
Somente em 1964 teve sue trabalho reconhecido na Jamaica, nomeado herói nacional, e seu corpo transladado e colocado no National Heroes Park. Desde 1980 é figura reconhecidamente na sala de heróis da Organização dos Estados Americanos. Hoje existem nos Estados Unidos e na Jamaica, prédios, faculdades e até ruas com seu nome.
Prevendo o destino da luta negra após sua morte, Garvey disse “eu sou só o precursor de uma África acordada que deve nunca voltar dormir”.
Marco Antonio dos Santos, 35, militante negro, membro do Conselho Estadual de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra de São Paulo.

2 comentários:

Jorge disse...

Sem essa de "povo negro"... o meu sonho é acabar com essa história... isso de 100¨% negro é racismo! Meu sonho é uma humanidade sem fronteiras e sem racas!

Marcello disse...

http://culturerasta.blogspot.com/2007/01/marcus-mosiah-garvey-o-profeta-rasta.html

os ideais de uma pessoa, não sendo de má indole... sempre vale a pena agregar em nossa vida!