sexta-feira, junho 09, 2006

O CAPITULO UM DO HIP HOP


A frase acima é tira do filme Brown Sugar e eu também assumo como minha. Um do estilo de musical, vida e militância. Tal marginal e perseguido como foi o samba no passado, hoje é o Hip Hop em seus quatro elementos: grafite, break, MC e Dj. Mas muitas pessoas perguntam: de onde veio o Hip Hop? Darei algumas pistas a seguir desta batida universal.
Um dos pilares do Hip Hop está no break, que é filho da dança de rua, praticada ao som do funk dos anos 60, e que teve como um de seus maiores expoentes James Brown.
O Rap - rhythm and poetry, ou seja, ritmo e poesia, nasceu nas periferias de Nova Iorque, nos bairros Bronx e Harlem quando os negros norte-americanos, na falta de recursos para grandes instrumentos musicais, passaram ao som de fitas cassetes de funk, disponibilizar seus grandes toca-fitas nas esquinas para em grupo cantar e dançar. Os avôs deste estilo são os “Last Poets” , que eram um grupo de jovens afro-americanos militantes que manifestaram sua indignação social em rimas e percussões, e assim passavam suas propostas.
Alguns foram além e com tocas discos começaram a misturar e criar novas batidas, e assim nascia o DJ. Considerados pioneiros desta arte são Kool D.J. Dee e Kool Herc que logo formou muitos DJs. E o mais notórios desses jovens talentos foi Disco King Mario, que mais tarde passou a ser conhecido como Afrika Bambaataa.
Também foi Kool Herc , jamaiacano lançou o MC – Mestre de Cerimônia ao convidar Coke La Rock para agitar suas apresentações com frases como Ya rock and ya don’t stop!, Rock on my mellow! e To the beat y’all, que hoje podem ser ouvida como clássico em vários samples de rap

Afrika Bambaataa

Afrika desenvolveu um estilo próprio de DJ, iniciando suas apresentações ao som de um trovão e denominando os garotos de Zulu Nation, traduzindo, Nação Zulu, dando pistas de sua consciência negra, ao homenagear uma das etnias africanas mais guerreiras. No dia 12 de novembro de 1973 a Zulu Nation, virou uma ONG ou posse como denominamos na periferia, com o objetivo de ajudar a juventude negra. O lema era: “Paz, União e Diversão”.
Também é creditada a Bambaataa a criação do termo Hip Hop em 1968 afirmava ter se pensado na hora nos dois movimentos corporais que o pessoal fazia quando dançava, ou seja, Hip Hop
Outro grande Dj que surgiu foi Grand Master Flash, que inventou uma sonoridade para que os primeiros rappers pudessem rimar e os b.boys pudessem dançar. Foi ele que lançou o scratch e depois deles, vários scratchings são hoje copiados exaustivamente.

SOUND SYSTEMS – PAI DO RAP
Mas a poesia ritmada de Mano Brown- Racionais Mc não existiria, sem a criatividade dos jamaicanos. Para quem já escutou reggae percebe o improviso de versos. Isso já existia nos anos 60 e era chamado de – sound systems, onde ao ritmo da musica o mestre de cerimônia ia rimando e versando sobre a situação socioeconômica da sociedade local.
Com a imigração de jamaicanos para os Estados Unidos, e sua convivência nos bairros de periferias com afro-americanos, isso influenciou a musica de rua. Um desses imigrantes era justamente
Em 1978 foi gravado o primeiro disco de Hip Hop, do grupo FatBack, com a musica King Tim, em 1978. Nossa, eu só tinha 8 anos de idade. Outro clássico é “Rapper’s Delight”, que é sampleada no maior sucesso de 1979 Good Times e para alguns é o gênese do Rap.

1983 – SURGE O HIP HOP BRASILEIRO
Denominado de break, o Hip Hop brasileiro surgiu na esteira do mito Michael Jackson, que inspirou muitos grupos de dança de rua em São Paulo. Até programas de televisão abriam espaço para a expressão desta arte como na TV Record com Barros de Alencar onde se apresentaram os grandes Poppers como Os Cobras e as Buffalo Girls e a grande final entre Os Dragon’s Breaker’s versus Gang de Rua. Também são desta época os grupos: Back Spin, Jabaquaras Breakers, Red Crazy Crew, Street Warrior’s e Nação Zulu.
O primeiro grupo de dança de rua foi o Electric Boogies. Depois muitos grupos surgiram e se apresentaram nas proximidades da estação de metrô, São Bento. Entre eles um b.boys que viria se tornar um dos maiores MC brasileiro, Thaide , que com seu DJ Humberto, hoje Hum foram os criadores de uma escola de estilo de hip hop.
Não podemos deixar de lembrar de MC Mattar, Marcelo Cirino, hoje fora da cena mas também um dos fundadores do hip hop nacional. Ele teve inclusive um grupo de dança de rua chamado Gang de Rua, composto por Jorge Paixão, Tijolo e Daniel Paixão, o hoje conhecido Criminal D.
Em 1986, acontece um dos primeiros shows de rap. Foi no Teatro Mambembe, e foi roganziado pelo DJ Theo Werneck.
A primeira musica de rap gravada foi do grupo Black Junior – Mas que linda esta? E quem se recorda de Fabio Macari, DJ Cuca e os Dinamic Duo? A primeira coletânea saiu em 1988. "Hip-Hop Cultura de Rua” lançada pela gravadora Eldorado, onde participaram Thaide & DJ Hum, MC/DJ Jack, Código 13 e outros grupos.
Outra pessoa importantíssima para o Hip Hop foi Milton Salles, que em 1989 criou o Movimento Hip Hop Organizado – MH2O, que também foi um dos primeiros produtores do grupo Racionais Mc. Uma das iniciativas que dão dignificam Salles foi seu trabalho na divulgação do Hip Hop e a realização de inúmeras oficinas nas periferias, ensinado os 4 elementos.
Hoje o Rap Nacional é forte e único no mundo, desde a batida tradicional do Racionais MCs ao som suingado de Marcelo D2 que uniu samba e hip hop e deu uma nova vida ao estilo.
Mesmo assim o estilo musical e de vida segue marginal, como era o samba, poucas rádios e emissoras de TV divulgando e os eventos são sempre mal vistos pelas autoridades policiais e políticas, exceto, raras exceções.
Há ainda o temor que semelhante ao samba o Rap seja assimilado no Brasil, assim como foi nos Estados Unidos, pela elite, como forma de divertimento simplesmente, sem sua função principal, alertar a população da periferia sobre as formas de dominação e dar auto-estima e conselhos de organização e união.
O rap é compromisso.

9 comentários:

Vinicius Muller disse...

Olha parabens por esse site é muito bom ter esse site falando sobre os negros Porque são o povo mais importantes eu gostaria so de diser um comentario do Racionais Mc's Que eu adimiro d+++ eles fazendo rimas e dando consiencia as crianças negras, jovems e adultos mundando o jeito de pensa.

Obrigado

Anônimo disse...

sou louca por racionais eles cantam tudo oque vivemos no nosso dia dia racionais na veia

Anônimo disse...

RACIONAIS e tudo de bom meu sonho conhece-los pessoalmente RACIONAIS amo voces

Anônimo disse...

o primeiro rap no brasil foi villa box 1982

Anônimo disse...

Eu lembro do Dynamic Duo, eu costumava frequentar o estudio deles em Santos, eles produziram tambem um 12 polegadas de um amigo meu, o "General G - Situation Rap", a foto do selo esta no discogs.

Lz

DJ Heliobranco na mixxx disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
DJ Heliobranco na mixxx disse...

Caro amigo.

Li o artigo do hip-hop e nele encontrei várias informações incompletas e outras erroneamente apontadas.

Uma delas é que Disco King Mario não é o Afrika Bambaataa e sim o DJ que fez a primeira battle de djs contra Afrika Bambaataa.

Os elementos do hip-hop não são dj, mc , break e grafitti e sim dj, mc, b-boy e grafitti...entendo que vc está com grande boa vontade e incentivo isso, mas pesquise mais a fundo a informação para não passar por uma pessoa que não tem compromisso com uma história que possui 37 anos.


Caso queira alguma ajuda para corrigir o texto, estou à sua disposição.

Forte abraço

DJ Heliobranco

Jama Libya disse...

CARLOS DE ASSUMPÇÃO – O maior poeta negro da historia do Brasil autor do poema o PROTESTO Hino Nacional da luta da Consciência Negra Afro-brasileira, em celebração completou 87 anos de vida. CARLOS DE ASSUMPÇÃO nasceu 23 de maio de 1927 em Tiete-SP na sexta feira passada completou 87 anos de vida com sua família, amigos e nós da ORGANIZAÇÃO NEGRA NACIONAL QUILOMBO O. N. N. Q. FUNDADO 20/11/1970 (E diversas entidades e admiradores parabenizam o aniversario de 87 anos do mestre poeta negro Carlos Assumpção) tivemos a honra orgulho e satisfação de ligar para a histórica pessoa desejando felicidades, saúde e agradecer a Carlos de Assunpção pela sua obra gigante, em especial o poema o Protesto que para muitos é o maior e o mais significante poema dos afros brasileiros o Hino Nacional dos negros. “O Protesto” é o poema mais emblemático dos Afros Brasileiros e uns das América Negra, a escravidão em sua dor e as cicatrizes contemporâneas da inconsciência pragmática da alta sociedade permanente perversa no Poema “O Protesto” foi lançado 1958, na alegria do Brasil campeão de futebol, mas havia impropriedades e povo brasileiro era mal condicionado e hoje na Copa Mundial de Futebol no Brasil 2014 o poema “O Protesto” de Carlos de Assunpção está mais vivo com o povo na revolução para (Queda da Bas. Brasil.tilha) as manifestações reivindicatórias por justiça social econômica do povo brasileiro que desperta na reflexão do vivo protesto.
O mestre Milton Santos dizia os versos do Protesto e o discurso de Martin Luther King, Jr. em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos da América, em 28 de Agosto de 1963, após a Marcha para Washington. «I have a Dream» (Eu tenho um sonho) foram os dois maiores clamores pela liberdade, direitos, paz e justiça dos afros americanos. São centenas de jornalistas, críticos e intelectuais do Brasil e de todo mundo que elogia a (O Protesto) (Manifestação que é negra essência poderosa na transformação dos ideais do povo) obra enaltece com eloquência o divisor de águas inquestionável do racismo e cordialidade vigente do Brasil Mas a ditadura e o monopólio da mídia e manipulação das elites que dominam o Brasil censuram o poema Protesto de Carlos de Assunpção que é nosso protesto histórico e renasce e manifesta e congregam os negros e todos os oprimidos, injustiçados desta nação que faz a Copa do Mundo gastando bilhões para uma ilusão de um mês que poderá ser triste ou alegre para o povo brasileiro este mesmo que às vezes não tem ou economiza centavos para as necessidades básicas e até para sua sobrevivência e dos seus. No Brasil
Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –
quilombonnq@bol.com.br

Jama Libya disse...

Poema. Protesto de Carlos de Assunpção

Mesmo que voltem as costas
Às minhas palavras de fogo
Não pararei de gritar
Não pararei
Não pararei de gritar

Senhores
Eu fui enviado ao mundo
Para protestar
Mentiras ouropéis nada
Nada me fará calar

Senhores
Atrás do muro da noite
Sem que ninguém o perceba
Muitos dos meus ancestrais
Já mortos há muito tempo
Reúnem-se em minha casa
E nos pomos a conversar
Sobre coisas amargas
Sobre grilhões e correntes
Que no passado eram visíveis
Sobre grilhões e correntes
Que no presente são invisíveis
Invisíveis mas existentes
Nos braços no pensamento
Nos passos nos sonhos na vida
De cada um dos que vivem
Juntos comigo enjeitados da Pátria

Senhores
O sangue dos meus avós
Que corre nas minhas veias
São gritos de rebeldia

Um dia talvez alguém perguntará
Comovido ante meu sofrimento
Quem é que esta gritando
Quem é que lamenta assim
Quem é

E eu responderei
Sou eu irmão
Irmão tu me desconheces
Sou eu aquele que se tornara
Vitima dos homens
Sou eu aquele que sendo homem
Foi vendido pelos homens
Em leilões em praça pública
Que foi vendido ou trocado
Como instrumento qualquer
Sou eu aquele que plantara
Os canaviais e cafezais
E os regou com suor e sangue
Aquele que sustentou
Sobre os ombros negros e fortes
O progresso do País
O que sofrera mil torturas
O que chorara inutilmente
O que dera tudo o que tinha
E hoje em dia não tem nada
Mas hoje grito não é
Pelo que já se passou
Que se passou é passado
Meu coração já perdoou
Hoje grito meu irmão
É porque depois de tudo
A justiça não chegou

Sou eu quem grita sou eu
O enganado no passado
Preterido no presente
Sou eu quem grita sou eu
Sou eu meu irmão aquele
Que viveu na prisão
Que trabalhou na prisão
Que sofreu na prisão
Para que fosse construído
O alicerce da nação
O alicerce da nação
Tem as pedras dos meus braços
Tem a cal das minhas lágrima
Por isso a nação é triste
É muito grande mas triste
É entre tanta gente triste
Irmão sou eu o mais triste

A minha história é contada
Com tintas de amargura
Um dia sob ovações e rosas de alegria
Jogaram-me de repente
Da prisão em que me achava
Para uma prisão mais ampla
Foi um cavalo de Tróia
A liberdade que me deram
Havia serpentes futuras
Sob o manto do entusiasmo
Um dia jogaram-me de repente
Como bagaços de cana
Como palhas de café
Como coisa imprestável
Que não servia mais pra nada
Um dia jogaram-me de repente
Nas sarjetas da rua do desamparo
Sob ovações e rosas de alegria

Sempre sonhara com a liberdade
Mas a liberdade que me deram
Foi mais ilusão que liberdade

Irmão sou eu quem grita
Eu tenho fortes razões
Irmão sou eu quem grita
Tenho mais necessidade
De gritar que de respirar
Mas irmão fica sabendo
Piedade não é o que eu quero
Piedade não me interessa
Os fracos pedem piedade
Eu quero coisa melhor
Eu não quero mais viver
No porão da sociedade
Não quero ser marginal
Quero entrar em toda parte
Quero ser bem recebido
Basta de humilhações
Minh'alma já está cansada
Eu quero o sol que é de todos
Ou alcanço tudo o que eu quero
Ou gritarei a noite inteira
Como gritam os vulcões
Como gritam os vendavais
Como grita o mar
E nem a morte terá força
Para me fazer calar.
Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 –
quilombonnq@bol.com.br