quarta-feira, junho 28, 2006

Grande Otelo


Grande Otelo nasceu em 1915, na cidade de Uberlândia, batizando com o nome Sebastião Bernardes de Souza Prata. Ele poderia ter se tornado mais um trabalhador rural nos grandes cafezais do Triangulo Mineiro, mas já aos 7 anos revelava um talento extraordinário para o canto, dança e até poesia.
A grande oportunidade para seguir seu destino surgiu com o aparecimento de um circo. No inicio do século XX, eram os únicos representantes da cultura no interior do Brasil, viajando de cidade em cidade. Assim que a lona foi levantada em Uberlândia, o Tiãozinho – apelido da época, conseguiu conseguir uma chance e se apresentou num quadro humorístico, sendo um sucesso. Ele ficou extasiado com a repercussão, sendo inclusive convidado para seguir viagem com a trupe do picadeiro, mas achou melhor esperar.
Não demorou muito que conseguisse novamente obter uma chance de atuar. Atendendo suas preces e apelos, a companhia de teatro da saudosa Abigail Ferreira, em visita a Uberlândia, se encantou com o promissor ator mirim. Ela praticamente o adotou e passou a lhe ministrar aulas de canto lírico.
Nesta fase da vida, convivendo com os atores e atrizes de Abigail, ele acabou lendo as peças do inglês Willian Shakespeare e fascinou-se pelo único personagem com características afro – Otelo – o guerreiro mouro. Nasce ali o seu nome artístico: Otelo. Foi adicionado o tremo “Grande” pelo produtor artístico Jardel Jércolis, pai do ator Jardel Filho.
Jardel lapidou o talento de Otelo, que passou se apresentar de forma sofisticada, chegando a cantar em inglês. Ele aprendia rápido. Além disso, ele sambava e contava piada. E em uma das apresentações estava na platéia outra pessoa que iria ajudá-lo: Joaquim Rolla, uma espécie de caça talento do Cassino da Urca – uma das maiores casas de espetáculo no Rio de Janeiro entre os anos 30 e 40.
Este foi outro grande momento da vida do artista que pode contracenar ao lado das mulheres mais talentosas e bonitas do Brasil e do Mundo as cantoras e irmãs Dirce e Linda Batista, a atriz Carmem Miranda e a diva afro-americana Josephine Baker. O dinheiro também foi abundante, mas deslumbrado pela fama, Otelo desperdiça com suas inúmeras namoradas, comendo do bom e do melhor e comprando muita roupa. Era também o reflexo da infância pobre, onde não tinha dinheiro para nada e até fome passou.
Mas a falta de poupança desse tempo bom, se fez necessária com a queda de Getulio Vargas e a subida ao poder do conservador general Dutra. Ao contrário do antecessor, ele mandou fechar todos os cassinos, incluído o da Urca, numa pseudo-onda moralista.
Foi neste momento que surgiu na vida de Grande Otelo a sétima arte., através do convite do cineasta Ademar Gonzaga para estrelar Samba em Berlim. O sucesso foi estupendo e logo fez amizade com outro ator e comediante em carreira ascendente, o filho de imigrantes espanhóis, Oscarito. Começava ali uma parceria típica da época, como Dean Martin e Jerry Lewis, com a diferença de que nenhum dos dois agia como galã conquistador, pelo menos em público.
Na vida intima Otelo era sim um verdadeiro namorador. Seu primeiro grande amor foi Lucia Maria, mas que devido o ciúme doentio acabou se matando. Depois veio Olga, uma adolescente que o apaixonou e tiveram quatro filhos e seguiram juntos por aproximadamente 20 anos. O casamento acabou com o aparecimento da atriz Josephine Helene, e viveu maritalmente por 15 anos.
Foram 12 filmes – todos exibidos nas salas de cinema com bilheterias astronômicas, entre sessões noturnas e matines. A dupla Grande Otelo e Oscarito protagonizou o sinônimo das palavras Chanchada para a Companhia de Cinema Atlântida.
Ele ainda pode ser recorda no cinema em sua atuação antológica como Macunaíma, para as telas, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. Outro sucesso do cinematográfico. O currículo engrossa com os filmes: Assalto ao Trem Pagador, nem Sansão Nem Dalila. O único filho que seguiu na capacidade de atuação foi Pratinha, que trabalhou em novelas da TV Globo.
Também foi um compositor e fez em parceria com Constantino Silva a musica carnavalesca Vou para Folia, e com Erivelton Martins: Praça onze, Bom Dia, Avenida e Pixaim.
Grande Otelo morreu aos 78 anos de idade, em 1993, no Aeroporto de Paris – Charles de Gaulle, de um enfarte quando participaria de um festival artístico, em que seria homenageado. 

2 comentários:

Anônimo disse...

Sou profª do R.J e a escola onde leciona estará prestando uma homenagem ao inesquecível ator Grande Otelo no dia 10 de novembro de 2006. Vc teria algum meio de contato com familiares dele ou mais informações como fã clube, etc ?
Desde já agradeço !
Patrícia Ane ( patiane@hotmail.com )

euler corradi jr disse...

Estou escrevendo a biografia do Joaquim Rolla, gostaria de saber maiores detalhes, pois minhas pesquisas mostram que havia uma verdadeira amizade entre Rolla e Grande Othello, e nao somente um contrato profissional.
Atenciosamente