domingo, fevereiro 14, 2010

Sara Tavares


Numa procura por informações na internet, esbarrei num clip de Sara Tavares, cantora portuguesa de ascendência cabo verdiana. Para quem ainda não conhece, a cantora é uma delícia sonora. Quem gosta de Cesária Evora já vai gostar muito desta cantora. Ela explodiu no cenário português em 1996, após participação no Festival RTP da Canção, em 1996. Foi a primeira colocada.
No Brasil, seu trabalho ficou conhecido pela inclusão da faixa "Eu Sei" na trilha sonora da novela "A Padroeira", da Rede Globo de Televisão. Mas ela já tem ligação com o país, antes, ao gravar Minha Mãe Estrela, canção de Ivan Lins.
É uma grata surpresa ouvir o timbre da voz dela, com um repertorio, com muito da cultura africana, sobrevivente em Portugal, principalmente nos emigrantes dos países de língua portuguesa.

Mais e melhores blues – bom de assistir e ouvir


Para quem acha Ray, o filme da biografia de Ray Charles, sensacional, não pode deixar de assistir um dos mais melhores do gênero: Mais e Melhores Blues. Dirigido pro Spike Lee, impossível não ficar encantado do começo ao fim.

Diferente da maioria dos outros filmes do cineasta, este roteiro discute em primeiro plano as questões raciais. O maior personagem é a música e como ela conduz esta história de ascenção, queda e ressurreição da carreira de um instrumentista, Denzel Washington.

Lançado em 1990, foi injustamente ignorado por Hollywood. Nos dias de hoje, ganharia estatuetas do Oscar facilmente. Trilha sonora, fotografia,edição e roteiro estão muito bons. Inclusive para os padrões atuais.

Vale a pena comprar o DVD: tem ainda Rubens Blades, Samuel Jakcson (numa ponta) Wesley Snipes, antes de se tornar um ator de filme de ação e o sempre competente John Torturro. Para quem gosta de jazz, vai ficar fascinado e terminará nos créditos dizendo, “por que não fazem mais filmes assim?”

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Os pretos sertanejos


Todo mundo recorda facilmente das duplas Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Milionário e Zé Rico, mas poucos fazem justiça aos irmãos José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca e Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho (Uberlândia 1942), a mais famosa dupla sertaneja feita apenas por negros.

Segundo relata o Dicionário de Música Sertaneja, a historia dos irmãos começou na roça onde trabalhavam junto com o pai, a mãe e mais cinco irmãos. José Ramiro era bom de viola e Ranulfo bom na voz. Para começar na vida artística, resolveram tentar a sorte em São Paulo em 1968. Em 1980 inscreveram-se no Festival MPB Shell da TV Globo, com a música Que terreiro é esse?, de Xavantinho, que foi classificada para a final. No mesmo ano, a dupla lançou o seu primeiro LP: Velha morada, com destaque para Cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque) e Velha morada (Xavantinho).

O impulso na carreira veio mesmo depois de 1981, quando apareceram no programa dominical, Som Brasil, da Rede Globo apresentando por Rolando Boldrin. Chegaram a fazer excursões pelos Estados Unidos nos anos 90. Em 2000, o mundo sertanejo chorou com a morte de Xavantinho. Dez anos depois, vai Pena branca, em 2010, com um enfarte.

domingo, janeiro 31, 2010

O Livro de Eli



O mundo é semi destruído por uma guerra nuclear. Os sobreviventes lutam para recomeçar entre os escombros, falta de comida e água. Esta ficção cientifica já foi contada diversas vezes, em inúmeros filmes. O mais famoso é Mad Max. E cá entre nós, a trilogia estrelada por Mel Gibson faz o restante parecer cópia.

O filme, O Livro de Eli não foge a fórmula batida. Mundo pós-apocalíptico, cenário cinzento e o cardápio da civilização está resumido entre carne de gato ou humana.

O diferencial do roteiro é no mínimo inusitado. O vilão, Gary Oldman, tenta arrancar do herói, Eli, Denzel Washington, nada menos do que a cópia da Bíblia Sagrada. Além disto, o personagem central recita trechos de Salmos.

Desde os Dez Mandamentos e Ben Hur, o filme tinha se afastado de histórias religiosas. Exceção fica por conta daUltima Tentação de Cristo e Paixão.

Se lançado na Quaresma ou na Semana Santa, o filme será automaticamente adotada por igrejas e seitas. Mas quem está atrás de diversão, sairá do cinema decepcionado. Melhor seria se tivesse ido a um culto ou missa.

Filme Malcolm X






Finalmente, após meses de busca, consegui encontrar uma boa cópia do melhor filme da História: Malcolm X, dirigido por Spike Lee.
Infelizmente, não dá para encontrar o DVD original. A Warner Bros não quer saber de relançar no Brasil. A versão que tenho é legendada, baixada da internet. O filme merecia o Oscar em 1992. Está quase igual ao livro. E Denzel Washington está perfeito como Malcolm.
É meu presente de aniversário.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Quem foi Nilo Chagas?


Todo mundo está vendo o personagem compõe o Trio de Ouro do seriado Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Mas pouca informação é mostrada sobre ele. O cantor nasceu em Barra do Piraí, em 1917 e morreu em 1973, pobre, no Rio de Janeiro.

Em 1935 alcançou a fama ao substituir o falecido Francisco Sena, como parceiro de Herivelto Martins, na dupla Preto e Branco. Um ano depois, entrou Dalva, criando assim, em 1938, o Trio de Ouro.

Em 1950, Dalva, recém separada de Herivelto. No lugar entra Noemi Cavalcanti. Mas esta formação só dura dois meses, quando em, eles são substituídos por Raul Sampaio e Maria de Lourdes Bittencourt.

domingo, janeiro 03, 2010

Invictus – Outra Copa do Mundo na África do Sul.



Clima de Copa do Mundo da África do Sul vai contagiar todos. Brasil é favorito, mas o que vale é bola no campo. Mas para os amantes do esporte devem ficar atento a um filme que entrará em cartaz em 29 de janeiro de 2009: Invictus. Ainda sem nome em português, mas dispensável a tradução: Invictos.

Em 1995, logo após sua posse, Nelson Mandela enfrentava os desafios de transformar suas promessas de campanha em realidade. A maioria negra votou nele e a minoria branca não. O que se esperava de um resultado de urna assim, seria o revanchismo, após décadas de violenta segregação racial.

Neste clima pró desagregação, Mandela mostrou porque é um líder incontestável: propôs manter um time de rugby, um dos símbolos da separação étnica. A seleção nacional tinha apenas um negro, onde eles são 80%.

De forma inesperada, para negros, e os partidos da base de apoio de Mandela, o presidente incentivou o time e conseguiu fazer com que todos se unissem em torno da equipe: “uma nação, um time”. Coisa que acontece há muito tempo no Brasil.

Não foi fácil incentivar os massacrados negros, apoiarem um time de seus ex-opressores. Somente a tática do perdão mútuo (principalmente dos negros) conseguiu isto. Todos passaram a se ver como uma única nação, multirracial e com diversidade cultural.

A interpretação de Mandela, feita por Morgan Freeman está espetacular e correta. Fala pausada e ponderada, semelhante a do líder sul-africano. E Matt Damon como o capitão da equipe sul-africana de rugby foi boa. O único senão é que Mandela é mais baixo que o atleta, na vida real. Mas o cinema nem sempre tem obrigação de ser 100% fiel em todos os detalhes. Há indícios de que Jesus nunca foi louro de olhos azuis, no entanto, em todos os filmes ele está assim.

Detalhe importante de Invictus é destacar as dificuldades que Mandela teve em seu mandato. E o desapego ao poder. Poderia tentar outro mandato nas urnas e ganhar. Mas está é a diferença de dele e de Hugo Chaves. Sem falar do clima constante de tensão, com medos de golpes e atentados contra Madiba.

Pena a propaganda ser menor, mas seria uma boa competição saber qual o melhor filme: Invictus ou Lula do Brasil, que retrata a epopéia do sertão ao Palácio do Planalto do presidente do Brasil.

Não dá para deixar de citar a direção, Clint Eastwood,em Invictus. A pouco tempo, o cineasta se envolveu num caloroso bate boca com Spike Lee sobre a falta de negros nos filmes. Será que esta foi a resposta?

Tiger Woods - 1º ídolo negro do golfe internacional





Exceto a pisada de bola com a esposa, a linda ex-modelo sueca Elin Nordegren, a história do golfista Tiger Woods seria impecável. Até dezembro de 2009, era o atleta mais bem pago do planeta A Revista Forbes publicou que Tiger Woods se tornou neste mesmo ano o primeiro esportista bilionário da história.
Sua destreza em campo perdeu espaço em noticiários para informações como os US$ 300 mil de presente de Natal, que ele deu a esposa, para tentar desculpar-se da infidelidade. Nem os filhos ele está autorizado a ver.
Woods é atualmente um jogador americanos de golfe, que teve uma infância difícil. Ele se tornou profissional em 1996 e passou ao posto de estrela ao vencer o Masters em 1997. Até fevereiro de 2007, ele já havia ganhado 75 torneios. Tiger faturou quatro vezes o Masters, três vezes o PGA Championships, duas vezes o U.S. Open e três vezes o British Open. Ele se tornou o primeiro homem da história a deter os títulos dos quatro maiores títulos da categoria de uma só vez, em 2001.
Nasceu em 30 de dezembro de 1975, em Cypress, Califórnia Woods, que é filho de pais mestiços, que incentivaram muito o interesse no golfe. Seu pai, Earl, é um militar aposentado da Força Armada dos Estados Unidos. Ele é descendente de afro-americanos, chineses e índios. Sua mãe Kutilda, é tailandesa, filha de alemães.
A torcida é para que este escândalo termine, para que o astro volte aos campos de golpe para encantar o público com suas jogadas. Mesmo porque o caso da infidelidade não pode ser eternamente uma manchete.

sábado, janeiro 02, 2010

Andrade: 1º técnico negro campeão brasileiro







Todo consegue imediatamente recordar os nomes dos grandes jogadores de futebol: Pelé, Garrincha, Zico, Romário e Ronaldo. Apenas um deles é branco. Mas se a questão for listar os técnicos negros de futebol, a tarefa é bem mais difícil.

O técnico do Flamengo, Andrade (José Luis Andrade da Silva), tornou o primeiro negro a conquistar o título do Campeonato Brasileiro. Se bem que o Vanderlei Luxemburgo, considerado negro, já foi várias vezes campeão. Mas por não se auto identifica assim, não entra nesta categoria.

Andrade começou a carreia como volante no Flamengo, em 1974. Levou quatro anos para subir das categorias de base até conseguir a camisa de titular do time principal. Ele participou das conquistas da Taça Libertadores da América e Mundial de Interclubes, todos em 1981.

Os bons desempenhos, quatro títulos brasileiros, deram chance de conseguir um contrato para jogar no Roma, na Itália, mas já em 1989 retornou ao Brasil para atuar pelo Vasco, onde participou da conquista do titulo de campeão brasileiro.

Depois, Andrade passou por equipes menores do Espírito Santo, Mato-Grosso e até Maranhão. Não demorou em a experiência de ele ser reconhecida na sua contratação como auxiliar técnico no Flamengo e, por três vezes, chegou a assumir o cargo de técnico interino da equipe principal.

A grande chance, veio em 2009, quando Cuca deixou o cargo, em meio a uma péssima campanha e grande cobrança dos torcedores. Com bom entrosamento com o time, experiência de Petkovic e a habilidade de Adriano, ele conquistou o Campeonato Brasileiro de 2009.

A conquista do troféu de Melhor Técnico de Futebol, concedido pela CBF, em cima de treinadores mais renomados e caros como Luxemburgo e Murici Ramalho.

Na renovação do contrato, o racismo voltou aparecer, com a relutância da diretoria do Flamengo em fechar um melhor salário. Afinal de contas, há anos, o time não conquistava o titulo.

sábado, dezembro 26, 2009

O lado cego e o cinema americano





Indústria da sétima arte de Hollywood adora uma boa historia de negros ótimos atletas, simplórios e dignos de pena.

Sábado a noite, consigo assistir o filme O Lado Cego, estrelado por Sandra Bullock. Há um comentário muito grande por causa dele. Nada é para menos: a atriz principal, finalmente consegue fazer um papel convincente. Talvez seja indicada ao Oscar e tem boas chances de ganhar.

Mas tirando esta baboseira de Hollywood, o que vale a pena mesmo é a história de Michael Oher, um jovem negro sem-teto, que vira um grande jogador de futebol americano. O personagem é daqueles que os cineastas gostam: o negro grandão, com alma de criança. Já vivemos isto em A Espera de um Milagre, onde Michael Clarke Duncan interpreta o presidi

ário curandeiro, que salva tudo mundo, menos ele.

O sonho de Sandra Bullock ganhar o Oscar pode esbarrar em outro filme de paternalismo: Precious, bela historia de uma jovem negra ob

esa, muito inteligente, mas vítimas de toda espécie de maus tratos: estuprada e engravidada pelo padrasto duas vezes e detonada moralmente pela mãe. O filme é um achado, porque consegue fazer Mariah Carey ficar feia e Lenny Kravitz um bom ator, num pequeno papel de enfermeiro. Mas a personagem central, interpretada por Gabourey 'Gabby' Sidibe, arrasa com as chances de Bullock. Mas Oscar não é ciência exata. E duvido que o filme chegue na maioria das salas de cinema no Brasil.


Tem outro filme também de superação negra: Perseguindo um Sonho, a historia de Miguel Santos, emigrante da República Dominicana, que vira um grande astro do beisebol.

Em todos os filmes, o roteiro é paternalista. Mas nem todo dia pode se fazer um Malcolm X. Há poucos cineastas negros e nenhum interesse em colocar estas heróis nas telas.

terça-feira, abril 28, 2009

Cadillac Records: o blues depois de Muddy Waters


Filme relata a popularização do gênero através da história dos artistas que passaram por uma das lendárias gravadoras americanas.

É bem provável que muitos conheçam a música a Manish Boy, executadas em muitos filmes nos últimos anos. Principalmente como trilha sonora para transformação do personagem em algo mais agressivo. Infelizmente, poucos conhecem a voz que está por trás da canção, Muddy Waters, um dos pais do rock and roll.
O filme Cadillac Records tem o mérito de fazer este resgate do cantor que abriu caminho para muitos roqueiros, chegando a ser reverenciado pelos Rolling Stones. Jeffrey Wright está bem como o personagem, mal humorado e engraçado ao mesmo tempo. Faz valer a pena ver o filme.
Além de Muddy, o filme também mostra, embora de forma caricata, outra lenda do blues, Little Walter, famoso por sua gaita e sua irreverência até fora do palco.
Também merecem registro Eammon Walker interpretando Howlin' Wolf, um ícone do blues, embora bem esquecido. Impagável a cena em que ele provoca Muddy no estúdio, ao cantar quase beijando uma das namoradas do adversário. Mito ou não, a verdade é que nesta saiu uma interpretação magnífica.
A Beyoncé Knowles dispensa comentários, ao se transformar na Etta James, apesar de exagerar um pouco na vulgaridade que a cantora nunca teve. Gabrielle Union está bem como a esposa de Muddy, Geneva Wade, esposa de Muddy, o verdadeiro motivo da separação com Little Walter. Os dois amavam a mesma mulher.
O rapper Mos Def não fica atrás ao fazer quase uma ponta como Chuck Berry, outro pai do rock. Mas podia ter ousado mais, além de imitar o sorriso e o andar de Chuck.
Nota zero vai para o ator Adrien Brody, ganhador do Oscar de melhor ator por O Piano, mas nas quase duas horas do filme, onde os personagens envelhecem, ele permanece o mesmo, e sem dar um sinal de que estava mesmo no filme. Talvez o roteiro esteja errado em tentar conta a história de Leornad Chess (Brody), lendário fundador da gravadora Chess Records, que lançou ao mundo grandes nomes da música americana.
Quem quer saber da vida de quem era o dono da gravadora que lançou um ídolo da música? O filme Ray, mostrou quem era, mas não cometeu esta besteira
Cedric the Entertainet comete o mesmo erro ao interpretar o Willie Dixon. Interpretação sem espírito.
Mas o filme vale a pena por muitos motivos. Principalmente pela trilha sonora. Indicado para quem quer conhecer um pouco de blues.

sábado, abril 25, 2009

Força Tarefa e Lei e o Crime






seriados policiais brasileiros viram moda, com roteiros razoáveis a produções pecam por retratar negros em papeis secundários e cheios de estereótipos negativos



Até que demorou muito para que os seriados policiais, em moda nos Estados Unidos, chegassem a televisão brasileira. O sucesso do filme Tropa de Elite já dava sinais de que isto aconteceria.
Existiram experiências na Rede Globo, Plantão de Polícia, década de 80, que retratava a rotina de repórter policial, interpretado por Hugo Cavana; e Justiceira, que tinha Malu Mader como protagonista. Talvez foi daí que saiu a mal elaborada nova série Força Tarefa, estrelada por Murilo Benício, numa interpretação pra lá de preguiçosa. Salva a atuação de Milton Gonçalves, convincente como chefe de uma espécie de equipe da Corregedoria.
As cenas de ação chegam parecer até amadoras de tão mal elaboradas e irreais. No episódio piloto, uma policial aparece numa esteira rolante para salvar o dia. Nem vai ser preciso o Casseta e Planeta parodiar.
Talvez seria o caso de recorrer ao seriado Bandidos da Falange, também da década de 80, famosa pela repercussão e ser visionária, ao apontar o que aconteceria no mundo real com ascensão do Comando Vermelho no RJ e do PCC em SP, organizações gestadas dentro dos ambientes carcerários, fielmente retratado na ficção global.
Desde a Turma do Gueto, seriado idealizado pelo pagodeiro Netinho de Paula, a Rede Record tem mostrado competência nos roteiros policialescos. Inspirada pelo sucesso da novela Vidas Opostas a emissora lança em 2009, Lei e o Crime, um dos líderes de audiência do canal. Exceto a falta de recursos, a roteiro é bom.
Mas Globo e Record falham no mesmo ponto: atores negros em papeis secundários ou de bandidos.

Quem acerta em tudo é a série 9mm, minissérie exibida na Fox, canal da tv paga. O delegado é interpretado pelo ator negro Luciano Quirino. Só força a barra ao colocar um membro da Polícia Civil com cabelo no estilo afro. Quem conhece a instituição sabe o rigor preconceituoso com o visual imposto pela Secretaria de Segurança.
Em somente quatro episódios, a série bate as outras produções facilmente. Tanto é que ganhou 2º temporada, com muito mais episódios. Uma pena não estar na TV aberta.

sexta-feira, novembro 07, 2008

História Mundial será A.O e D.O, Antes e Depois de Obama


Primeiro presidente afro-americano será uma figura significativa para derrubar de vez muitos preconceitos raciais persistentes.


Polêmico por natureza, o cineasta Spike Lee chega a dizer que a eleição de Barack Obama marcará o início de uma Nova Era Mundial. Ou seja, um A. O. antes de Obama; e D.O. depois de dele. Que os cristãos não identifiquem como sacrilégio o que está escrito. Não é uma comparação ao A.C e D.C.. A idéia vai além da religião, atingindo muitos mitos preconceituosos.
Para se ter uma noção de como será este novo governo americano, devemos olhar para a África do Sul, exatamente no período quando foi eleito Nelson Mandela, uma das lideranças mais importantes do século XX. Ao contrário do que propagavam os políticos favoráveis a segregação étnica, ele não fez um processo de punição a minoria branca e sim de reconciliação. Criminosos foram julgados, mas as vítimas ofereceram o perdão. Houve um trabalho de reunificação de duas etnias em prol do progresso de todos. Uma lição política pouco explorada.
O cantor Stevie Wonder é correto ao diz que Obama reúne em si, qualidades de presidente John Kennedy e de reverendo Martin Luther King. Os exemplos são bem simbólicos. O presidente ainda é lembrado com uma figura motivadora de esperança e de mudança de mentalidade. O pastor afro-americano foi o maior articular da promoção da igualdade racial.
O novo presidente gera esperança no planeta, em favor de um era de reconciliação entre todas as etnias e nações. Se mantidas as bases geopolíticas impostas por George W. Bush criar-se-iam elementos para um conflito mundial. O candidato John McCain falava até em aumentar a animosidade com a Rússia, numa arriscada guinada ao passado da Guerra Fria.
Parte do sonho de Luther King, de um tempo onde as pessoas não serão mais julgadas pela cor de pele e sim pela capacidade, está acontecendo, pois foi isto que levou muitos americanos elegerem Obama. Na terra do Tio Sam, negros são apenas 30% da população, ou seja, a minoria. Para que o senador vencer foi necessário que muitos brancos melhorassem seu julgamento racial.
A figura de Obama servirá para recordar que há 400 anos, milhões de pessoas livres, foram escravizadas, em nome da colonização do continente americano e da produção de bens para o restante do planeta.
O processo de escravatura gerou grandes fortunas e impérios. Mas por outro lado arrancaram da África, monarcas, professores, engenheiros, médicos, cientistas e filósofos, transformados em mão-de-obra barata para plantações ou escavações de minérios. Ninguém foi indenizado e o prejuízo social, econômico e histórico continua até o momento para os descendentes e para o continente negro.
Barack recuperará a auto-estima de um povo que foi escravizado, ao mostrar um homem negro como ícone de liderança, ao lado de uma mulher negra, a futura primeira-dama, Michele Obama, que poderá ser símbolo para muitas com a mesma cor de pele.
Mas uma coisa tem que ser evitada: o comportamento da mídia, políticos e eleitorado não pode ser preconceituoso ao exigir soluções de Obama com a mais veemência.A cobrança tem que ser igual se fosse o eleitos McCain ou Hillary Clinton. As condições e instrumentos para a tarefa são os mesmos. O que fará diferença será a criatividade política, que qualquer governante tem que ter, independente da cor de pele.
Obama tomará posse quinze dias depois do novo prefeito de Bebedouro. Mas vale um conselho: para o progresso de uma cidade e país, não conta só o esforço de um político, mas a contribuição da comunidade.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Presidente negro do STJ

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o desembargador Benedito Gonçalves, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, para o cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial da União. Se for aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário do Senado, Gonçalves será o primeiro negro a assumir uma cadeira no STJ, onde preencherá a vaga aberta pela aposentadoria de José Delgado. Lula escolheu Gonçalves ao analisar uma lista tríplice eleita pelos ministros do STJ. O magistrado recebeu 21 votos. Na relação, também estavam as desembargadoras Assusete Dumont Reis Magalhães e Maria Isabel Diniz Gallotti Rodrigues, ambas do TRF da 1ª Região, que foram agraciadas com, respectivamente, 18 votos e 17 votos. Além de ser o mais votado, Gonçalves contou com o apoio, nos bastidores, do ministro da Justiça, Tarso Genro, do titular da Advocacia-Geral da União (AGU), José Dias Toffoli, e do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos.

Biografia - Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Benedito Gonçalves tem nas mãos o caso do acidente com o Bateau Mouche, que naufragou em 31 de dezembro de 1988. Indicado pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), onde tomou posse em 18 de dezembro de 1998, já integrou, em abril de 2007, a lista tríplice composta para a vaga do ministro aposentado do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Jorge Scartezzini.
Negro, formou-se em direito pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 1978, especializando-se em direito processual civil no Centro de Estudos Judiciários do Conselho de Justiça Federal, em convênio com a UnB (Universidade de Brasília), em 1997, e concluindo mestrado na Universidade Estácio de Sá, ao defender a dissertação "Mandado de Segurança: Legitimidade Ativa das Associações".
Seu ingresso na Magistratura Federal ocorreu em 1988. Na Seção Judiciária do Rio de Janeiro, como Juiz Federal, integrou a Comissão de Estudos e Instalação de Varas Federais no Interior do Estado, coordenou a instalação de Varas Federais do Foro Regional da Baixada Fluminense e foi vice-diretor do Foro. À frente da 3ª Vara Federal, levou-a a ser a primeira a cumprir integralmente o Projeto Zero, da Corregedoria-Geral da Justiça Federal da 2ª Região.
Foi professor da UFRJ em 1992, onde ministrou aulas na disciplina Direito Financeiro I. Na Estácio de Sá, foi professor auxiliar de Direito Constitucional e, hoje, é professor titular de Introdução ao Estudo do Direito, na graduação, e de Direito Processual Civil, na pós-graduação.
No biênio 2001-2003, integrou o Conselho de Administração do TRF-2. Entre 2003 e 2005, foi diretor de pesquisa da Emarf (Escola de Magistratura Regional Federal). Atuou também na Vara Única de Santa Maria (RS), na 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Paraná e na 25ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Atualmente, é membro do plenário do TRF-2, presidente da 6ª Turma Especializada e da 3ª Seção Especializada.
É autor de "Comentários à Reforma do Direito Processual Civil Brasileiro", Reis Friede, Forense Universitária, com comentários aos artigos 417 e 323 do Código de Processo Civil.

domingo, julho 13, 2008

Luke Cage

Já escrevi aqui sobre o número pequeno de superherois negros. Mas destes poucos, um interessante era o Luke Cage., que terá um filme dirigido pelo diretor de filmes John Singleton, que dirigiu recentemente Quatro Irmãos e + Velozes + Furiosos.
Luke será interpretado pelo ator Tyrese Gibson, mas Terence Howard (indicado ao Oscar por Ritmo de um Sonho) é uma a outra opção.
Outro ator negro convidado será Samuel L. Jackson, que interpretará Nick Fury, o chefe da agência secreta Shield, outro herói de estória em quadrinhos.


O diretor - John Daniel Singleton nasceu em 6 de janeiro de 1968, em Los Angeles. Tem por hobby colecionar histórias em quadrinhos. Com 23 anos foi indicador aos prêmios Oscar de Melhor Diretor e de Melhor Roteiro pelo Filme Boyz N the Hood.
Depois dirigiu em 1993, Sem Medo no Coração, estrelado por Tupac Shakur; em 1995, Duro Aprendizado, em 1997, O Massacre de Rosewood, em 2000, Shaft, estrelado por Samuel L. Jackson; em 2001, Baby Boy, com Tyrese, que também atuou em Mais Velozes e Mais Furiosos e Quatro Irmãos.

O herói - Para quem não conhece: Luke é um herói de aluguel, nascido nas ruas do Harlem, ex-membro de gangue, foi preso por um crime que não cometeu. Sua vida muda quando torna-se voluntário em uma experiência científica, quando acaba ganhando superforça e pele invulnerável. Com estes poderes passa a trabalhar lutar pela comunidade negra ao lado dos herois Demolidor e Punho de Ferro. Nesta fase é desenhado usando uma camisa amarela e sua correntes.
Também teve história com o Quarteto Fantástico, em uma estória quando ajuda o Tocha Humana. Também participa dos Vingadores, onde conhece sua futura esposa, a heroina Jessica Jones, com quem tem uma filha.
Na editoria Marvel foi o primeiro super-herói negro a receber uma série própria.

Veja um video sobre o pesonagem em quadrinhos e suas mudanças desde sua criação.




sexta-feira, junho 27, 2008

O drama do Zimbabue


África ainda não se recuperou do genocídio de Ruanda e está a beira de outro no Zimbábue. Lá o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, há 28 anos no poder, mata os militantes de seu oponente, Morgan Tsvangirai é sem duvida um mau político negro. No passado foi uma forte liderança no processo de libertação daquele país, em 1980 mas ele perdeu o rumo político ao abandonar a prática da democracia gosto pela democracia.
O pior é perceber que o mundo não está nem ai para o que acontece lá. Na década de 1990, aconteceu em Ruanda um massacre: hutus mataram tutsi. Tropas da ONU eram insuficientes para mediar o conflito. Só após há muitos apelos, as grandes potencias enviaram reforço. A intervenção chegou quase tarde. Nos dois casos, os países não têm grandes riquezas.
Passado - O duro de tudo é recordar da bela historia da independência desta nação africana. Quando deixaram de se chamar Rodésia, foi composto um hino para Zimbabue, composto por Bob Marley.
"Zimbabue
Todo homem tem o direito de decidir sobre o seu próprio destino.
E este julgamento terá de ser imparcial
Então ombro a ombro, e armados, combateremos nesta pequena luta
Pois é a única forma de superar o nosso pequeno problema "
Chega ser ironico saber que o pequeno problema se tornou uma vergonha.
Veja um video de Bob cantando, na festa de independência do país.

segunda-feira, junho 23, 2008

Dandaras sai do ar para ir para História



Não faz muito tempo que escrevi sobre o Programa Dandaras. Transmitido por dois anos, na Rádio Gazeta AM, quinzenalmente aos domingos, deixa de ir ao ar por uma decisão do grupo. Infelizmente para toda a comunidade negra.

No pouco tempo de duração da proposta posso dizer que era pioneira. Existiram outros programas radiofônicos com a meta de debater os problemas afro-brasileiros. Mas nunca um em que a produção e a apresentação fosse de uma maioria de mulheres negras. Bom citar que havia no grupo uma euro-descendente.

Pelos microfones comandandos por estas meninas passaram as maiores liberanças do movimento negro brasileiro e personalidades culturais. Quem duvida da qualidade é só dar uma olhar no arquivo dos programas:
A torcida é para que elas retornem em uma outra emissora de rádio ou até em uma versão na televisão. Seria interessante ver no video o potencial de comunicação das meninas, que se retiram das ondas médias para entrar para a História.

A despedida não poderia ser menos emocionante, "Esperamos que esse programa tenha contribuído para o debate da questão racial, lembramos que mais iniciativas como essa devem ser feitas em outros espaços", Gabriela Waltson, uma das últimas Dandaras. como ela mesmo se auto identifica. A estudante de Rádio e TV é um dos exemplos do aumento da presença feminina e negra nos meios de comunicação de massa.

Da minha parte fica o lamento. É triste perceber que as boas ideias tem vida curta. Feliz de quem aproveitou.

domingo, junho 22, 2008

Até tu, Milton Gonçalves?

Desde as chamadas novela "A Favorita" ensaio para escrever sobre mais esta polêmica da Rede Globo: o vilão negro interpretado pelo ator Milton Gonçalves. Faz tempo que a venus platinada trocou os bons roteiros por truques baratos para obter audiência. Estamos diante de outro caso.
Porém, ao ler a entrevista do experiente Milton Gonçalves, para a Folha de São Paulo, começo a pensar a imaginar o que teria acontecido com a postura daquele artista que se negava a fazer papéis que aumentasse o preconceito contra o povo afro-brasileiro? Aquele que deu entrevista no documentário A Negação do Brasil, do Joel Zito Araujo.
A fala do ator contra cotas demonstra uma falta de familiaridade com o tema.
Por estas e por outras que apostos as minhas fichas na periferia. Lá não tem divagação. Preto sabe o que é a discriminação, sem teoria e não fica filosofando sobre a solução: é a favor de ações afirmativas.
Um deputado negro com certeza não é impossivel. Mas quantos políticos negros estiverem envolvidos nos últimos escândalos? Já sabem a resposta.
Uma resposta a Milton: antes de existir um Barack Obama foram criadas condições de auto-estima e orgulho negro por atores afro-americanos que se recusaram a fazer só papel de bandidos.
Leiam a entrevista e tirem suas conclusões.

Quando foram divulgadas as primeiras notícias de que Milton Gonçalves seria um político corrupto na novela "A Favorita", da Globo, a bomba logo estourou em seu e-mail. O personagem, escreveram os remetentes, poderia prejudicar candidatos negros nas eleições. "Será que o objetivo era atingir Barack Obama?", surtou um.Ninguém melhor do que Milton para entrar nessa polêmica. Aos 74 anos, 43 só de Globo, o ator passou a vida na luta por papéis que iam além dos escravos e empregados reservados a negros. Quase foi demitido quando se opôs à decisão de pintar Sérgio Cardoso de preto para interpretar o escravo protagonista de "A Cabana do Pai Tomás" (1969/70). Além disso, Milton é político na vida real.Filiado ao PMDB, foi candidato a deputado nos anos 80 e a governador do Rio nos 90. Romildo Rosa, seu papel em "A Favorita", não só é corrupto como chefe de uma família desequilibrada. A controvérsia sobre a abordagem politicamente incorreta do núcleo negro deve crescer, uma vez que a trama de João Emanuel Carneiro, há três semanas no ar com 35 pontos de média, deu sinal de subida no Ibope e bateu 40 na segunda-feira. À Folha o ator falou da celeuma, fez críticas às TVs por terem poucos negros, às cotas, a Lula e a políticos em geral. Leia abaixo.

FOLHA - O sr. tem a carreira marcada por conseguir papéis que vão além dos normalmente concedidos a negros, como escravos e empregados. Chegou a pedir a Janete Clair um personagem "engravatado" e acabou fazendo o médico Percival em "Pecado Capital" (1975/76). MILTON GONÇALVES - Sempre lutei por papéis relevantes. Há muitos anos, na peça "A Mandrágora" [de Maquiavel], comecei fazendo um escravo e acabei no papel que era do [Gianfrancesco] Guarnieri. Tinha que fazer um esforço para me convencer de que era capaz. Queria papéis que acrescentassem algo a um processo antes inconsciente e hoje muito consciente: o da inserção sem humilhação.


FOLHA - Nesse contexto, como avalia o fato de interpretar na novela das oito um político corrupto? Os papéis não precisam mais levantar a bandeira do movimento negro?
MILTON - Como ator, quero fazer todos os personagens. Fazer um vilão provoca mais discussões do que papéis usuais. E a política brasileira... Aqui no Rio, aqueles três jovens negros, e é bom grifar isso, da comunidade [do morro da Providência] são detidos, e o Exército os leva a uma facção [rival de traficantes], e eles são mortos de forma brutal. Isso é uma aberração e é política. Quem levou o projeto Cimento não sei das quantas para lá? Um político [o senador Marcelo Crivella, do PRB, autor do Cimento Social, de reforma de casas; em nota, na quinta-feira, o parlamentar afirmou: "O que fiz foi unicamente apresentar e defender a importância do projeto (...) e garantir os recursos orçamentários necessários"]. O Exército só foi lá porque o presidente do país autorizou. Obviamente não imaginava que fosse aquilo, mas aquele que é candidato a prefeito [Crivella] levou [o Exército] e vai ter que assumir a responsabilidade. Isso marca a podridão em que foi transformada a política. Há pessoas maravilhosas, mas a média lamentavelmente falha. Meu personagem é um desses duendes chafurdando no lamaçal.


FOLHA - O sr. enfrentou resistência do movimento negro em razão de interpretar um político corrupto?
MILTON - Uma pessoa próxima, que se notabiliza por palpites infelizes, me mandou um e-mail: "Será que isso não vai atrapalhar? Será que estão querendo atingir [Barack] Obama?" É um jornalista negro, não vou falar o nome. Algumas outras pessoas escreveram. Ficou a sensação de que seria negativo fazer um político negro corrupto em um país onde o negro, que é metade da população, não é representado no tamanho da sua participação na sociedade. Me questionaram se o personagem não atrapalharia [políticos negros] nas eleições. Não acho, e sou ativista político. Meu lado artístico pede vilões. Vilões que algumas vezes fiz redundaram em grandes discussões. O fato de o cara ser negro não quer dizer que não possa ser desonesto, corrupto, bandido, safado, ladrão. Pode ser tanto quanto o branco. Se meu personagem atrapalhar um candidato negro é porque não há convicção sobre ele. Romildo provoca desejo de que haja políticos negros honestos.
FOLHA - O pesquisador e cineasta Joel Zito Araújo demonstrou que na história da TV a grande maioria dos papéis concedidos a negros era de coadjuvantes, escravos e empregados. Nos últimos anos, houve mais negros em papéis centrais, como a protagonista de "Da Cor do Pecado" (2004/Taís Araújo). Ter um negro como corrupto pode significar que chegamos a um patamar no qual a inserção não é mais um problema?
MILTON - Continuo achando que ainda somos muito poucos em atividade. É só olhar na TV. A participação do negro nas novelas não mudou quantitativamente. Em 68, tive um atrito na Globo, quando Sérgio Cardoso foi pintado de preto para o papel de negro em "A Cabana do Pai Tomás". Em um país em que a metade da população é negra, pintar um branco para fazer o papel de negro é aberração, um desrespeito. Fui contra isso, o que quase me rendeu uma demissão. E não sei se há uma melhoria. Quando se faz uma novela de favelas, por exemplo, aquela figuração lá no fundo ainda não é misturada o suficiente para o meu gosto.


FOLHA - O sr. enfrentou muito preconceito nesses 43 anos de Globo?
MILTON - Preconceito todos sofrem, até branco, dependendo do meio. Em "Baila Comigo" [81], era casado com a personagem da Beatriz Lira. Ela recebeu avisos loucos: "Olha, ele é excelente ator, mas você vai fazer a mulher dele?!". O chamado movimento negro me dizia: "Não vai beijar na boca!". Combinamos: "Tome beijo na boca".


FOLHA - O que o sr. acha do movimento negro no Brasil?
MILTON - Já fui mais ativista. Não renego, mas temos que acrescentar à luta algo a mais, para que a ação seja mais democrática. Não acho que um ministro ou secretário deva ter cargo só para tratar de coisas de negros. Negros devem ser ministros da Fazenda, da Educação. Como pode, nos EUA, onde o negro é 14% da população, haver um negro candidato à Presidência, que espero que seja eleito, com grandes chances, e no Brasil, onde o negro é metade da população, não termos alguém assim? Fui candidato a governador no Rio [94] porque achei que deveria enfrentar. Mas pessoas antes solidárias deram cabo. O que eu queria fazer não incluía desonestidade.


FOLHA - Por suas palavras, não parece favorável às cotas para negros.
MILTON - Não sou radicalmente contra. Quem achar que são boas que faça uso. Mas não acho que as cotas possam resolver questões centenárias. Não posso apenar um branco que tirou dez na prova e dar seu lugar a um negro que tirou cinco.


FOLHA - Encararia outra eleição?
MILTON - Nem que a vaca tussa! Sou da época do MDB e hoje estou no diretório estadual do PMDB do Rio, mas prefiro ser um guerrilheiro em escaramuças. Quando há necessidade, vou lá e dou palpite.


FOLHA - O que acha do PMDB?
MILTON - Houve degradação, a qualidade está muito baixa.


FOLHA - Cogita trocar de partido?
MILTON - Agora não, porque está tudo a mesma porcaria.

FOLHA - O fato de Romildo falar que passou fome é recado a Lula?
MILTON - Nada a ver. A única coisa que me incomoda no Lula foi uma frase que usou, que não estudou e é presidente. Não sabe o mal que causou à nação.


FOLHA - Aprova a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura?
MILTON - Não sei... Cultura, na minha cabeça, é a perna direita de um país. E acho que a Cultura está meio vasqueira, devagar.


FOLHA - "A Favorita" mostra a relação conflituosa do deputado com a imprensa. Como o sr., que fez faculdade de jornalismo, analisa a atual relação entre imprensa e poder?
MILTON - Não há hoje ninguém absolutamente isento. O jornal é feito para um grupo de leitores e quer alcançar seu nível de venda. O seu jornal, por exemplo, tem como cliente a classe média paulista. Pode até fazer matérias para o operariado, mas não é seu público-alvo.


FOLHA - O repórter da novela gritou "corrupto, ladrão" em comício de Romildo. O jornalismo partidário é muito presente hoje no país?
MILTON - Não é função do repórter ir a um comício e chamar o cara de ladrão. Se quer falar, tem que tirar o crachá e agir como cidadão.


FOLHA - Por outro lado, o deputado da novela veta a publicação de reportagens que denunciam suas falcatruas telefonando para a cúpula do jornal. Não é um tema delicado para se tratar em uma emissora que faz parte de um conglomerado de comunicação tão amplo?
MILTON - Concordo em gênero, número e grau. Mas, pai, afasta de mim esse cálice! [risos].
Foto:Luciana Whitaker/Folha Imagem

quarta-feira, maio 28, 2008

SARAU CAMINHOS PRETA


Neste sábado (31) às 19h, no Centro Cultural da Juventude (Av.Deputado Emílio Carlos, 3.641) , o lançamento do site http://www.caminhospreta.art.br/, com a mostra da experiência virtual baseada no livro "Poema Preta" da "Escrava Anastácia".Produção e direção: Lilian Solá Santiago, diretora do famoso documentário sobre a Família Alcantara.

Participaram da elaboração do site: nos textos, Babalorixá Pai Kabila de Aruanda; fotografias originais, Inaê Coutinho e Cecilia Kawall; direção de Arte dos Vídeos, Beto Guilger, direção de Arte do Site, Bernard Castilho; programação: Daniel Allegretti; música original: Maurício Alves; e concepção, Lilian Solá Santiago e Nara Sakarê
Haverá apresentação: Rose, poetisa e uma das fundadoras da Cooperifa, com participação especial: Nara Sakarê, Juliana Machado, Fernanda Sophia, entre outras atrizes que participam do site.

Após o sarau será servido coquetel afro-brasileiro, de Cidinha Santiago com a presença da DJ Evelyn Cristina e VJ Débora Kaz.

Mais informações no fone: (o11) 3984 2466, em horário comercial com estudante de Rádio e TV, Gabriela Watson( Programa Dandaras).

sábado, maio 24, 2008

Manuela d'Ávila a favor das cotas!





Enquanto uma cambada, inventa um nome de Movimento Negro Socialista, usam o marxismo para ser contra reparações para população negra, a deputada federal gaucho, Manuela D`Avila discursa em favor das Ações Afirmativas.
Leia trechos da fala:
"É fato que o desenvolvimento brasileiro ocorreu cristalizando-se diferenças entre as etnias que compõem a diversidade característica da população brasileira, sendo fato que a população negra e os povos indígenas foram e ainda são sistematicamente desfavorecidos..."
"...Este é apenas umas das políticas necessárias para superarmos esta dívida histórica, mas é sem dúvida nenhuma uma das mais urgentes e importantes, para milhões de jovens brasileiros excluídos do ensino superior por séculos de discriminação racial e social..."
Se em nome da fé cristã, muitos crimes foram cometidos nos séculos, em décadas outros foram cometidos outros crimes em nome da leitura equivocada do livro "O Capital". Mas pelo que vi, um dia destes, em um debate do programa Super Top, da Rede TV, o líder dos contra cotas, nem leu o prefácio. Papagaio: fala o que lhe foi ensinado, sem saber o conteúdo.

quinta-feira, maio 22, 2008

Spike Lee fará filme sobre Michael Jordan

Deve ficar pronto em 2009, o documentário sobre o maior jogador de basquete do mundo, Michael Jordan.Serão mostrados os últimos dois anos da carreira. A proposta contará com o financiamento da produtora do cineasta 40 Acres and a Mule e da NBA.
O anuncio ocorreu durante o Festival de Cannes, na França, onde mostrou seu trailer de oito minutos de seu drama "Miracle at St. Anna", que estreará em 10 de outubro. O roteiro é sobre quatro membros negros da Divisão 92 do Exército americano que foram seqüestrados em uma localidade da Toscana e tiveram que enfrentar seus comandantes racistas e os nazistas.

terça-feira, maio 20, 2008

Nei Lopes para Acadêmia Brasileira de Letras





É com pesar que todos lamentamos a morte de Zélia Gattai. Não era apenas esposa de Jorge Amado, mas um escritora de valor. É emocionante o registro da emigração italiana, feito no livro “Anarquistas, Graças a Deus”.
Passado o luto, ocorre-me uma situação bem interessante: por que não brigarmos para que a vaga dela seja preenchida por Nei Lopes, escritor de talento, com obras inigualáveis da literatura brasileira?
A Academia Brasileira de Letras foi fundada por um negro, Machado de Assis. Mas desde sua morte, negros e negras são apenas temas de livros dos ocupantes das centenárias cadeiras. Até gente de talento medicre, como o ex-presidente José Sarney, ocupa uma delas.
Por isto, defendo Nei Lopes para a cadeira de imortal. Por que não?

Quem é ele – Nei nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1942. teve infância similiar a milhares de jovens carentes de sua periferia.
Sua vida muda quando começa a compor e a cantar. Teve parceria com Wilson Moreira. Mantem forte ligação com as escolas de samba Salgueiro e Vila Isabel
Compositor profissional desde 1972, vem, desde os anos 90 esforçando-se pelo rompimento das fronteiras discriminatórias que separam o samba da chamada MPB.

domingo, maio 18, 2008

Marina Silva – Negra e ecologista




De analfabeta aos 16 anos à senadora da república e ministra do Meio Ambiente



Ao pedir demissão do cargo de ministra do Meio Ambiente Marina Silva prova manter o caráter que a colocou no cargo desde o inicio do Governo Lula. Algumas coisas não são negociáveis. Vence o primeiro round os ruralistas. Mas a guerra continua.
A história da senadora começa em 1958, quando nasceu próximo de um seringal no interior do Acre. Era analfabeta até os 16 anos, quando foi morar na capital do estado, Rio Branco. Alfabetizou-se aos 17 anos. Foi empregada doméstica e costureira. Aos 26, conquistou o diploma de Bacharel em História pela Universidade Federal do Acre.
Sua militância começou nas comunidade eclesiais de base, passando pello sindicato dos seringueiros e movimento estudantil.. Em 1984, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Acre e foi a primeira vice-coordenadora da entidade, ao lado de Chico Mendes. Um ano depois, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores.

Política - Em 1987, elegeu-se a vereadora mais votada da Câmara Municipal de Rio Branco. Outros dois anos bastaram para tornar-se a deputada estadual mais votada do Acre.
Marina Silva foi a mais jovem parlamentar a ocupar uma vaga no Senado Federal na República. Com 36 anos, foi eleita a primeira vez, em 1994. Foi reeleita em 2002. Como senadora, foi vice-presidente da Comissão Especial do Congresso de Combate à Pobreza, criada a partir de uma proposta sua, vice-presidente da Comissão de Assuntos Sociais e membro titular da Comissão de Educação. Em 1999, foi líder da bancada do PT e do Bloco de Oposição. Durante sua legislatura, apresentou diversos projetos, como o que disciplina o acesso aos recursos da biodiversidade brasileira e ao conhecimento das populações tradicionais.
Propôs ainda a criação da reserva de 2% do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal para os estados que tenham, em seus territórios, unidades de conservação federais e terras indígenas demarcadas. Defendeu, também por meio de um projeto, uma nova estrutura para o orçamento para garantir que verbas destinadas a gastos sociais sejam efetivamente aplicadas nesses setores. Considerada uma dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, teve sua biografia publicada no Brasil e no exterior.

Ministério – De 2003 a 2008, ela afastou-se do Senado para assumir o cargo de ministra de estado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Deixava a defesa do meio ambiente no Poder Legislativo para defender as questões ambientais no Poder Executivo. Sua atuação, entre 2003 e 2006, inaugurou um novo modelo de gestão ambiental, que conta com a participação de diferentes setores do governo federal e da sociedade. Foi a partir desse modelo que surgiu o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento, em 2004. Resultado do trabalho de 13 ministérios coordenados pela Casa Civil, o plano foi definidor na redução estimada de mais de 50% na taxa de desmatamento da Amazônia entre 2004-2005 e 2005-2006.

sábado, maio 17, 2008

Manos e Minas - Bom programa



Desde a descaracterização do programa Yo MTV, a cultura Hip Hop estava sem espaço nas grandes emissoras de televisão. Só poderia ser na TV Cultura, uma nova oportunidade: Manos e Minas, comandado por Rappin Hood, um dos rapper mais atualizados do Brasil.
Mesmo na competição com telejornais e novelas, o programa consegue atingir altos indices de audiência. Para quem entende um pouco de comunicação, sabe o que isto quer dizer: sinal de continuidade.
Quando discutimos cotas, não devemos restringir só para o acesso a universidade e empregos, mas também extender a reivindicação para a cultura. Ter um programa voltado para a arte da periferia, onde a maioria é negra, deveria ser obrigação de todas as redes.
Todas as quartas - às 19h30


quarta-feira, maio 14, 2008

120 anos de Abolição?


História - Multidão comemora nas ruas a abolição

Processo mal acabado geral polêmico debate sobre cotas, dentro do STF com participação de intelectuais e militantes do Movimento Negro



Tão complicado quanto a comemoração do Centenário da Abolição, são 120 anos do fato, sem motivos para festejar. Bem mais interessante é ver o movimento por reparações chegar até a Corte Suprema Brasileira.
È algo muito significativo: no STF temos uma prova cabal dos efeitos da má redação da Lei Áurea; há apenas um ministro negro, Joaquim Barbosa. Em um país onde a população descendente de escravo é de 50%.
Semelhante ao clima pré abolição, há uma campanha desavergonhada da grande mídia contra as cotas. As edições das reportagens deixam evidente, uma postura preconceituosa contra as ações afirmativas. Nada surpreendente para quem tiver um tempo para pesquisar os jornais da época da escravidão, onde eram escritos artigos com previsão catastrófica, se não fosse evitado o fim da escravatura.
A necessidade de resgate social do povo negro se faz urgente, quando assistimos um professor universitário, Antonio Natalino Dantas verbalizar, sem vergonha, uma teoria ridícula sobre o baixo desempenho do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, na formação cultural do povo baiano, em sua maioria absoluta negra.
Há quem tente reescrever de forma equivocada a História do Brasil, ao colocar a Princesa Isabel, como redentora, quando a verdade em documentos, mostra uma postura vacilante da Família Real para tomar uma atitude em favor do fim do regime de exploração. Desde Dom João VI havia esta cobrança. Portanto, a assinatura da Lei Áurea, nada mais é do que o cumprimento da obrigação. É fruto da pressão das discussões parlamentares e da mobilização abolicionista.
Para o Movimento Negro está colocado um desafio: sair do baile das vaidades e encampar a bandeira das cotas de forma incondicional. Botar na rua uma manifestação, onde o mais importante, não é quem discursa, mas o efeito das palavras.
Zumbi, Dandara, Chico Rei, Xica da Silva e João Cândido, nunca fizeram grandes discursos. A força estava na atitude contra a injustiça racial.
Mas uma das etapas para a implantação de leis de promoção da igualdade racial passa pelas eleições municipais, quando é preciso eleger candidatos comprometidos com o combate ao racismo. Importante separar o joio do trigo. Há candidatos de postura constante em favor da luta e os aproveitadores.
Que a luta venha do exemplo de Nelson Mandela, que ensinou a vencer a segregação, ao convencer que não existiria nação economicamente forte, se fosse desprezada uma parte de sua população. Não há Brasil forte sem a participação de todas as etnias. E para isto acontecer, é necessário fazer a inclusão da juventude negra em universidades.
Que os anti-cotas façam abaixo-assinado. Que nós que somos a favor das ações afirmativas, devemos denunciamos a discriminação e assim daremos os argumentos necessários para os ministros do STF votaram a favor das cotas.







Único - No Supremo Tribunal Federal, apenas o ministro Joaquim Barbosa é descendente de pessoas escravizadas.

quarta-feira, abril 30, 2008

Os anti-cotas e o descascado


Nunca o advogado abolicionista Luiz Gama foi tão atual. Ele chamava de descascados os negros, que se posicionavam contra o fim da escravidão. Para eles, era fácil filosofar, enquanto a maioria sofria no acoite.
Passados anos, os descascados reaparecem. Tipos assim, deixam seus genes para descendentes. Um deles é o integrante do Movimento Negro Socialista, José Carlos Miranda(foto). Olha, conheço muita entidade de combate ao racismo, mas nunca vi este povo.
Ele é um produto muito interessante para o lado da mídia, contraria as Ações Afirmativas. Se diz negro; se coloca como militante e é do PT.
Ele dá a cor a um grupo de supostos intelectuais, inclusive a ex-primeira-dama do Brasil, Ruth Cardoso; criado para pressionar o STF contra as cotas. Duas ações em julgamento dentro da corte suprema do Brasil.
Num regime democrático é permitido que todos possam manifestar suas idéias. Mas é preciso que apresentem alternativas reais para corrigir as desigualdades raciais. Porém, o máximo que fazem é discursar pela universalização da educação.
O movimento negro de verdade precisa reagir: Cotas Já!

E fim da conversa fiada e excesso de discurso.

segunda-feira, abril 21, 2008

As Dandaras no ar


Lucas Robertto e Gabriela Watson, no ar

As mulheres negras sempre surpreendem. Desde o início da escravidão, até dias destes. Por causa deste humilde blog, fui descoberto por uma bela e inteligente estudante de Rádio e TV da Casper Libero, Gabriela Watson, que comanda ao lado de outras mulheres um programa intitulado “Dandaras”, exibido na Rádio Universitária 890 Am, quinzenalmente aos domingos, das 12h às 13h, ao vivo.
O exceção das vozes femininas no ar, fica para fica para Lucas Robertto, boa dicção e conhecimento musical.
O programa tem conteúdo: com a pauta focada sobre as etnias negras. Mas como a Gabriela é uma afro-peruana, há um diferencial: dá para saber mais sobre a cultura africana na América Latina. Só por isto, a trupe feminina já mereceria um prêmio de comunicação social.
Fica ai a dica. Sei que muitos irmãos do continente africano estão atentos a este as novidades deste blog. Deveriam entrar no link e conferir:

Observação: Com minhas fontes, levantei a fica de todas integrantes da produção, principalmente a Gabriela. Consegui descobrir o segredo da qualidade. Todas são pessoas engajadas. Nesta situação vale a idéia do Hip Hop, “só quem é, se identifica”.



Na foto, as Dandaras junto com a cantora Paula Lima.

História - Dandara foi esposa e guerreira de Zumbi dos Palmares. Junto com ele, lutava para livrar os negros da dura vida que levavam. Suicidou em seis de fevereiro de 1694, para não voltar na condição de escrava. Ela representa até hoje liberdade e igualdade,o significado deste nome e a mais bela.
Escrava liberta em 1812, pertencia à nação nagô-jejê, da Tribo de Mahi, muçulmanos africanos conhecidos como no Brasil de Malês, responsáveis por todas as revoltas e levantes negros que abalaram a Bahia nas primeiras décadas do século XIX.

* Cliquem no título para chegar na página da rádio

domingo, abril 20, 2008

Cinema e África

Boa oportunidade para ver filmes de qualidade que nunca estarão no circuito comercial. Pena que será realizado no Rio de janeiro, bem longe.

Dia 22
O Clandestino
Direção: Jose Laplaine - Zaire/Angola, 1997, 15 min.
Quando um angolano clandestino chega a Lisboa, ele percebe que a Europa de seus sonhos não é o paraíso que imaginava. Sempre tendo que fugir de um policial persistente, ele começa a ter saudades da terra natal.
Kuxa Kanema – O nascimento do cinema (doc.)
Direção: Margarida Cardoso, Bélgica / França / Portugal, 2003, 52min
O governo Moçambicano cria após a independência, em 1975, o Instituto Nacional de Cinema (INC), pois o presidente, Samora Machel, sabia do poder da imagem para a nação socialista. A ruína do INC após um incêndio acompanha a desilusão dos moradores com o regime. Vencedor do Festival de Nova York de Filmes Africanos.
Dia 23
Mama Put – (ficção)
Direção: Seke Somolu, 2006, 30min, Nigéria
A história de um grupo de jovens armados que invade a casa de uma pobre família mostra o poder do alimento de transformar, salvar e estremecer relações sociais na Nigéria. Mama Put é o filme de estréia do cineasta nigeriano Seke Somolu.
A cidade das mulheres – (doc.)
Dir: Lázaro Faria, 2005, 72 min, Brasil
O filme é uma resposta à Ruth Landes, antropóloga norte-americana que esteve, em 1939, na Bahia, e se surpreendeu com a força e a soberania das mulheres do candomblé dentro de uma organização matriarcal. Ganhador dos prêmios Tatu de Ouro e BNB de Cinema.
Dia 24
Menged (ficção)
Direção: Daniel Taye Workou, 2006, 20min., Etiópia
Adaptação de um conto popular etíope, sobre a trajetória de um pai e seu filho até o mercado. Mostra a Etiópia de hoje: um país na transição entre modernismo e tradicionalismo. Venceu do Urso de Cristal no Festival Internacional de Filmes de Berlim.
Mortu Negra (ficção)
Direção: Flora Gomes, 1987, 85min, Guiné-Bissau.
No interior da Guiné, lutando contra a presença colonial, o exército de libertação constrói o dia-a-dia entre a vida comunitária e o percurso para a independência de seu país. O filme marca a estréia do consagrado cineasta Flora Gomes.
Dia 25
Balé de pé no chão (documentário)
Dir: Lilian Solá Santiago, 2008, 17 min, Brasil
Documentário sobre Mercedes Baptista, principal precursora da dança afro-brasileira. Bailarina de formação erudita, cria seu grupo na década de 50, e estuda os movimentos do candomblé e das danças folclóricas. Vencedor do Prêmio Palmares de Comunicação 2005.
Hollow City (Na Cidade Vazia) – (ficção)
Direção: Maria João Ganga, 2005, 88min., Angola
O filme narra a trajetória de um menino órfão, que, assim como muitos outros de sua geração, lutam pela sobrevivência em Angola que está devastada após a revolução civil. Conquistou o grande prêmio do Festival de Filmes de Paris.


Dia 26
Maria sem graça (vídeo / ficção)
Leandro Godinho, Brasil (SP), 2007, 14min
Maria das Graças, menina negra de 12 anos, moradora da periferia de São Paulo, atormenta a vida de sua mãe para alcançar seu maior sonho: ser a apresentadora Xuxa Meneghel. Selecionado para o Festival Internacional de curta-metragens de São Paulo.
Família Alcântara (documentário)
Direção: Lílian e Daniel Solá Santiago,2006, 52min
História de uma família extensa, cujas origens remetem-se à bacia do Rio Congo, na África. Através de gerações, preservam sua história, com o coral, teatro e a congada. Premiado no 11º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, no Mato Grosso.


Dia 27
The Ball (ficção)
Orlando Mesquita, 2001, 5 min, Moçambique
Em um país que luta para combater a Aids, vinte milhões de preservativos são distribuídos, isto é, 5 por pessoa por ano. Muitas pessoas as usam de outra forma, por exemplo, os garotos que as utilizam para fazer bolas para jogar futebol.
O Herói (ficção)
Angola / França / Portugal, 2004, 97 minutos
Direção: Zezé Gamboa
Um soldado mutilado na explosão de uma mina volta à Luanda após 20 anos de combates. No elenco o senegalês Makena Diop, as brasileiras Maria Ceiça e Neuza Borges. Premiado no Festival de Sundance (EUA) e no Festival de Cinema Africano de Milão, entre outros.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Benjamim de Oliveira - palhaço negro


A frase é conhecida: o Brasil não tem memória. Quando se trata dos negros a amnésia é enorme. Vou citar um caso: Benjamim de Oliveira, um dos pioneiros na arte circense da interpretação de palhaço ator, cantor, instrumentista e compositor, nasceu em Pará (atual Pará de Minas) MG em 1870, e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 3/5/1954. Abandonou o lar ainda menor de idade e juntou-se à troupe do Circo Sotero, atuando em números de trapézio e de acrobacia. Estreou como palhaço no circo de Frutuoso Pereira (Rua João Alfredo, Várzea do Carmo, São Paulo SP), por volta de 1889. As primeiras apresentações foram vaiadas. Depois de trabalhar em vários circos, adquiriu experiência bastante para atuar como palhaço do Circo Caçamba, então armado na Praça da República, São Paulo.Aí trabalhou aproximadamente três anos, e, em 1893, obteve o lugar de palhaço principal do Circo Spinelli, famoso na época, no qual encenou quadros cômicos extraídos de operetas e peças burlescas. Na Semana Santa, representou o papel de Cristo, com o rosto pintado de branco, uma vez que era negro. O sucesso dessa idéia de conjugar teatro com circo abriu caminho para a popularização de clássicos, como Otelo, de William Shakespeare (1564-1616), e A Viúva alegre, de Franz Lehár (1870-1948), em que reservava para si os principais papéis masculinos. Nos entreatos cantava lundus, chulas e modinhas, especialmente de seu amigo Catulo da Paixão Cearense, acompanhando-se ao violão. Deixou gravadas algumas músicas na Columbia, por volta de 1910, como o monólogo Caipira mineiro, os lundus As comparações e O baiano na rocha, este em duo com Mário Pinheiro.

Fernanda – 1ª índia com pós graduação




Uma noticia pareceu-me estranha: Fernanda Caingangue é a primeira indígena concluir uma tese de mestrado. O fato ocorreu na Universidade de Brasília. Causa-me espanto, só após 508 anos, após a ocupação européia do solo brasileiro, uma índia conseguir ser chamada de mestre.
O Brasil é um país de péssima preservação histórica. Exceto raríssimos museus, não há registro das centenas etnias indígenas ocupantes deste solo, antes da chegada das naus portuguesas, lideradas por Pedro Álvares Cabral. Foram milhares e atualmente, não são menos de 5% da população brasileira. Segundo o IBGE, os indígenas são 700 mil pessoas, que integram 241 povos falantes de 180 línguas. Talvez por isto, o ineditismo inusitado da noticia
Fernanda é formada em Direito pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Mas o caminho não foi fácil. Dos 17 as 21 anos, ela passou fome para chegar a graduação do curso. O sustento veio da ajuda de uma ONG, através de uma bolsa de 250 dólares mensais. O restante, só Deus sabe o que a menina fez para arrumar.
O nome indígena de Fernanda no dialeto caingangue é Jófej. Atualmente, ela trabalha em um instituto de preservação da cultura de seu povo. Neta de um cacique, ela luta para manter vivo e unido um povo quase dizimado.

Shirley Chisholm - 1ª pré candidata de negra e democrata

Antes de Hillary e de Barack em 2008, há 36 anos, a deputada federal Shirley Chisholm tornou-se a primeira negra a tentar obter a candidatura à presidência. O seu slogan de campanha foi "Não Comprada e Sem Patrões".
Ela era uma liberal que defendia os direitos das mulheres e das pessoas negras, e foi uma feroz oponente da Guerra do Vietnã. Mas seu caráter foi revelado quando um dos seus oponentes na campanha pela candidatura democrata, o racista governador do Alabama, George Wallace, foi vítima de uma tentativa de assassinato em Maryland.
Chisholm o visitou no hospital e foi criticada pela comunidade negra. Quando Wallace a viu, perguntou: "O que o seu povo vai dizer?". Ela respondeu, "Eu sei o que eles dirão. Mas eu não gostaria que o que aconteceu com você acontecesse com mais ninguém".
tornou-se a primeira mulher e a primeira negra a tentar obter a candidatura à presidência. O seu slogan de campanha foi "Não Comprada e Sem Patrões".
Ela era uma liberal que defendia os direitos das mulheres e das pessoas negras, e foi uma feroz oponente da Guerra do Vietnã. Mas seu caráter foi revelado quando um dos seus oponentes na campanha pela candidatura democrata, o racista governador do Alabama, George Wallace, foi vítima de uma tentativa de assassinato em Maryland.
Chisholm o visitou no hospital e foi criticada pela comunidade negra. Quando Wallace a viu, perguntou: "O que o seu povo vai dizer?". Ela respondeu, "Eu sei o que eles dirão. Mas eu não gostaria que o que aconteceu com você acontecesse com mais ninguém".

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Diferença entre Obama e Matilde Ribeiro








Aguardei para escrever esta coluna na madrugada de quarta-feira de cinzas, pois diferente de muita gente, estava mais ansioso para saber o resultado das primárias americanas, na Super-terça, sem preocupar-me com o resultado da eleição da melhor escola de samba do Rio de Janeiro. Cá entre nós: entender o processo dos Estados Unidos é tão complexo, quantos os quesitos usados por jurados na Sapucaí.Mas, ao que tudo indica, o senador Barack Obama perderá por pouco para Hillary Clinton, a chance de concorrer a presidência norte-americana.
Uma eleição nos Estados Unidos, sempre afeta o Brasil. Atualmente, é inegável o dedo de John Kennedy no golpe militar de 1964. Mas a chance de um negro concorrer ao cargo máximo do império, traria reflexos até em todas as periferias do mundo. Da África ao Brasil, muitos teriam um exemplo positivo de poder.
Os exemplos negros lamentáveis de poder existem. A ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, é um deles. Não dá para condená-la pelo conjunto da obra. É uma militante feminista e negra muito respeitada. Mas ao abusar do cartão corporativo, destruiu parte da biografia. Já estive duas vezes ao lado dela, em duas palestras: em Ribeirão Preto e em São Carlos, em 2006. Numa das ocasiões, cheguei a almoçar com ela, em companhia de outros militantes. No final, cada um pagou sua conta, e por cortesia, ela não, pois ela era convidada.


Matilde cai da mesma maneira de Benedita da Silva: uso condenável do dinheiro público. A Benê até o momento não se recuperou politicamente. E o ministro dos Esportes, Orlando Silva também passou pelo vexame ao revelarem seu gasto absurdo com tapioca. Estão até falando em CPI da Tapioca. Quem façam. Mas se os parlamentares forem ao fundo vão descobrir abusos em governos anteriores e teremos no fim uma pizza de tapioca.
Benê, Matilde e Orlando poderiam se tornar um nome forte para as próximas eleições, do mesmo jeito que Obama. Ele não é perfeito, mas inspira o desejo por mudanças.
De ruim, na biografia do senador afro-americano, descobriram que ele comprou uma casa abaixo do preço de mercado de um corretor imobiliário de passado obscuro. Aqui no Brasil, isto não daria em nada. Mas lá, o rigor é muito maior. Mas com certeza, ele não tem no passado, altos gastos com hotéis.
Não entro nesta de culpar o racismo pela queda de Matilde e Benê. Aprendi com minha avó paterna: ao negro não basta ser honesto, pois deve possuir postura e aparência ética.