Terça-feira, Abril 28, 2009

Cadillac Records: o blues depois de Muddy Waters


Filme relata a popularização do gênero através da história dos artistas que passaram por uma das lendárias gravadoras americanas.

É bem provável que muitos conheçam a música a Manish Boy, executadas em muitos filmes nos últimos anos. Principalmente como trilha sonora para transformação do personagem em algo mais agressivo. Infelizmente, poucos conhecem a voz que está por trás da canção, Muddy Waters, um dos pais do rock and roll.
O filme Cadillac Records tem o mérito de fazer este resgate do cantor que abriu caminho para muitos roqueiros, chegando a ser reverenciado pelos Rolling Stones. Jeffrey Wright está bem como o personagem, mal humorado e engraçado ao mesmo tempo. Faz valer a pena ver o filme.
Além de Muddy, o filme também mostra, embora de forma caricata, outra lenda do blues, Little Walter, famoso por sua gaita e sua irreverência até fora do palco.
Também merecem registro Eammon Walker interpretando Howlin' Wolf, um ícone do blues, embora bem esquecido. Impagável a cena em que ele provoca Muddy no estúdio, ao cantar quase beijando uma das namoradas do adversário. Mito ou não, a verdade é que nesta saiu uma interpretação magnífica.
A Beyoncé Knowles dispensa comentários, ao se transformar na Etta James, apesar de exagerar um pouco na vulgaridade que a cantora nunca teve. Gabrielle Union está bem como a esposa de Muddy, Geneva Wade, esposa de Muddy, o verdadeiro motivo da separação com Little Walter. Os dois amavam a mesma mulher.
O rapper Mos Def não fica atrás ao fazer quase uma ponta como Chuck Berry, outro pai do rock. Mas podia ter ousado mais, além de imitar o sorriso e o andar de Chuck.
Nota zero vai para o ator Adrien Brody, ganhador do Oscar de melhor ator por O Piano, mas nas quase duas horas do filme, onde os personagens envelhecem, ele permanece o mesmo, e sem dar um sinal de que estava mesmo no filme. Talvez o roteiro esteja errado em tentar conta a história de Leornad Chess (Brody), lendário fundador da gravadora Chess Records, que lançou ao mundo grandes nomes da música americana.
Quem quer saber da vida de quem era o dono da gravadora que lançou um ídolo da música? O filme Ray, mostrou quem era, mas não cometeu esta besteira
Cedric the Entertainet comete o mesmo erro ao interpretar o Willie Dixon. Interpretação sem espírito.
Mas o filme vale a pena por muitos motivos. Principalmente pela trilha sonora. Indicado para quem quer conhecer um pouco de blues.

Sábado, Abril 25, 2009

Força Tarefa e Lei e o Crime






seriados policiais brasileiros viram moda, com roteiros razoáveis a produções pecam por retratar negros em papeis secundários e cheios de estereótipos negativos



Até que demorou muito para que os seriados policiais, em moda nos Estados Unidos, chegassem a televisão brasileira. O sucesso do filme Tropa de Elite já dava sinais de que isto aconteceria.
Existiram experiências na Rede Globo, Plantão de Polícia, década de 80, que retratava a rotina de repórter policial, interpretado por Hugo Cavana; e Justiceira, que tinha Malu Mader como protagonista. Talvez foi daí que saiu a mal elaborada nova série Força Tarefa, estrelada por Murilo Benício, numa interpretação pra lá de preguiçosa. Salva a atuação de Milton Gonçalves, convincente como chefe de uma espécie de equipe da Corregedoria.
As cenas de ação chegam parecer até amadoras de tão mal elaboradas e irreais. No episódio piloto, uma policial aparece numa esteira rolante para salvar o dia. Nem vai ser preciso o Casseta e Planeta parodiar.
Talvez seria o caso de recorrer ao seriado Bandidos da Falange, também da década de 80, famosa pela repercussão e ser visionária, ao apontar o que aconteceria no mundo real com ascensão do Comando Vermelho no RJ e do PCC em SP, organizações gestadas dentro dos ambientes carcerários, fielmente retratado na ficção global.
Desde a Turma do Gueto, seriado idealizado pelo pagodeiro Netinho de Paula, a Rede Record tem mostrado competência nos roteiros policialescos. Inspirada pelo sucesso da novela Vidas Opostas a emissora lança em 2009, Lei e o Crime, um dos líderes de audiência do canal. Exceto a falta de recursos, a roteiro é bom.
Mas Globo e Record falham no mesmo ponto: atores negros em papeis secundários ou de bandidos.

Quem acerta em tudo é a série 9mm, minissérie exibida na Fox, canal da tv paga. O delegado é interpretado pelo ator negro Luciano Quirino. Só força a barra ao colocar um membro da Polícia Civil com cabelo no estilo afro. Quem conhece a instituição sabe o rigor preconceituoso com o visual imposto pela Secretaria de Segurança.
Em somente quatro episódios, a série bate as outras produções facilmente. Tanto é que ganhou 2º temporada, com muito mais episódios. Uma pena não estar na TV aberta.

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

História Mundial será A.O e D.O, Antes e Depois de Obama


Primeiro presidente afro-americano será uma figura significativa para derrubar de vez muitos preconceitos raciais persistentes.


Polêmico por natureza, o cineasta Spike Lee chega a dizer que a eleição de Barack Obama marcará o início de uma Nova Era Mundial. Ou seja, um A. O. antes de Obama; e D.O. depois de dele. Que os cristãos não identifiquem como sacrilégio o que está escrito. Não é uma comparação ao A.C e D.C.. A idéia vai além da religião, atingindo muitos mitos preconceituosos.
Para se ter uma noção de como será este novo governo americano, devemos olhar para a África do Sul, exatamente no período quando foi eleito Nelson Mandela, uma das lideranças mais importantes do século XX. Ao contrário do que propagavam os políticos favoráveis a segregação étnica, ele não fez um processo de punição a minoria branca e sim de reconciliação. Criminosos foram julgados, mas as vítimas ofereceram o perdão. Houve um trabalho de reunificação de duas etnias em prol do progresso de todos. Uma lição política pouco explorada.
O cantor Stevie Wonder é correto ao diz que Obama reúne em si, qualidades de presidente John Kennedy e de reverendo Martin Luther King. Os exemplos são bem simbólicos. O presidente ainda é lembrado com uma figura motivadora de esperança e de mudança de mentalidade. O pastor afro-americano foi o maior articular da promoção da igualdade racial.
O novo presidente gera esperança no planeta, em favor de um era de reconciliação entre todas as etnias e nações. Se mantidas as bases geopolíticas impostas por George W. Bush criar-se-iam elementos para um conflito mundial. O candidato John McCain falava até em aumentar a animosidade com a Rússia, numa arriscada guinada ao passado da Guerra Fria.
Parte do sonho de Luther King, de um tempo onde as pessoas não serão mais julgadas pela cor de pele e sim pela capacidade, está acontecendo, pois foi isto que levou muitos americanos elegerem Obama. Na terra do Tio Sam, negros são apenas 30% da população, ou seja, a minoria. Para que o senador vencer foi necessário que muitos brancos melhorassem seu julgamento racial.
A figura de Obama servirá para recordar que há 400 anos, milhões de pessoas livres, foram escravizadas, em nome da colonização do continente americano e da produção de bens para o restante do planeta.
O processo de escravatura gerou grandes fortunas e impérios. Mas por outro lado arrancaram da África, monarcas, professores, engenheiros, médicos, cientistas e filósofos, transformados em mão-de-obra barata para plantações ou escavações de minérios. Ninguém foi indenizado e o prejuízo social, econômico e histórico continua até o momento para os descendentes e para o continente negro.
Barack recuperará a auto-estima de um povo que foi escravizado, ao mostrar um homem negro como ícone de liderança, ao lado de uma mulher negra, a futura primeira-dama, Michele Obama, que poderá ser símbolo para muitas com a mesma cor de pele.
Mas uma coisa tem que ser evitada: o comportamento da mídia, políticos e eleitorado não pode ser preconceituoso ao exigir soluções de Obama com a mais veemência.A cobrança tem que ser igual se fosse o eleitos McCain ou Hillary Clinton. As condições e instrumentos para a tarefa são os mesmos. O que fará diferença será a criatividade política, que qualquer governante tem que ter, independente da cor de pele.
Obama tomará posse quinze dias depois do novo prefeito de Bebedouro. Mas vale um conselho: para o progresso de uma cidade e país, não conta só o esforço de um político, mas a contribuição da comunidade.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Presidente negro do STJ

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o desembargador Benedito Gonçalves, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, para o cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial da União. Se for aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário do Senado, Gonçalves será o primeiro negro a assumir uma cadeira no STJ, onde preencherá a vaga aberta pela aposentadoria de José Delgado. Lula escolheu Gonçalves ao analisar uma lista tríplice eleita pelos ministros do STJ. O magistrado recebeu 21 votos. Na relação, também estavam as desembargadoras Assusete Dumont Reis Magalhães e Maria Isabel Diniz Gallotti Rodrigues, ambas do TRF da 1ª Região, que foram agraciadas com, respectivamente, 18 votos e 17 votos. Além de ser o mais votado, Gonçalves contou com o apoio, nos bastidores, do ministro da Justiça, Tarso Genro, do titular da Advocacia-Geral da União (AGU), José Dias Toffoli, e do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos.

Biografia - Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Benedito Gonçalves tem nas mãos o caso do acidente com o Bateau Mouche, que naufragou em 31 de dezembro de 1988. Indicado pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo), onde tomou posse em 18 de dezembro de 1998, já integrou, em abril de 2007, a lista tríplice composta para a vaga do ministro aposentado do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Jorge Scartezzini.
Negro, formou-se em direito pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 1978, especializando-se em direito processual civil no Centro de Estudos Judiciários do Conselho de Justiça Federal, em convênio com a UnB (Universidade de Brasília), em 1997, e concluindo mestrado na Universidade Estácio de Sá, ao defender a dissertação "Mandado de Segurança: Legitimidade Ativa das Associações".
Seu ingresso na Magistratura Federal ocorreu em 1988. Na Seção Judiciária do Rio de Janeiro, como Juiz Federal, integrou a Comissão de Estudos e Instalação de Varas Federais no Interior do Estado, coordenou a instalação de Varas Federais do Foro Regional da Baixada Fluminense e foi vice-diretor do Foro. À frente da 3ª Vara Federal, levou-a a ser a primeira a cumprir integralmente o Projeto Zero, da Corregedoria-Geral da Justiça Federal da 2ª Região.
Foi professor da UFRJ em 1992, onde ministrou aulas na disciplina Direito Financeiro I. Na Estácio de Sá, foi professor auxiliar de Direito Constitucional e, hoje, é professor titular de Introdução ao Estudo do Direito, na graduação, e de Direito Processual Civil, na pós-graduação.
No biênio 2001-2003, integrou o Conselho de Administração do TRF-2. Entre 2003 e 2005, foi diretor de pesquisa da Emarf (Escola de Magistratura Regional Federal). Atuou também na Vara Única de Santa Maria (RS), na 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Paraná e na 25ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Atualmente, é membro do plenário do TRF-2, presidente da 6ª Turma Especializada e da 3ª Seção Especializada.
É autor de "Comentários à Reforma do Direito Processual Civil Brasileiro", Reis Friede, Forense Universitária, com comentários aos artigos 417 e 323 do Código de Processo Civil.

Domingo, Julho 13, 2008

Luke Cage

Já escrevi aqui sobre o número pequeno de superherois negros. Mas destes poucos, um interessante era o Luke Cage., que terá um filme dirigido pelo diretor de filmes John Singleton, que dirigiu recentemente Quatro Irmãos e + Velozes + Furiosos.
Luke será interpretado pelo ator Tyrese Gibson, mas Terence Howard (indicado ao Oscar por Ritmo de um Sonho) é uma a outra opção.
Outro ator negro convidado será Samuel L. Jackson, que interpretará Nick Fury, o chefe da agência secreta Shield, outro herói de estória em quadrinhos.


O diretor - John Daniel Singleton nasceu em 6 de janeiro de 1968, em Los Angeles. Tem por hobby colecionar histórias em quadrinhos. Com 23 anos foi indicador aos prêmios Oscar de Melhor Diretor e de Melhor Roteiro pelo Filme Boyz N the Hood.
Depois dirigiu em 1993, Sem Medo no Coração, estrelado por Tupac Shakur; em 1995, Duro Aprendizado, em 1997, O Massacre de Rosewood, em 2000, Shaft, estrelado por Samuel L. Jackson; em 2001, Baby Boy, com Tyrese, que também atuou em Mais Velozes e Mais Furiosos e Quatro Irmãos.

O herói - Para quem não conhece: Luke é um herói de aluguel, nascido nas ruas do Harlem, ex-membro de gangue, foi preso por um crime que não cometeu. Sua vida muda quando torna-se voluntário em uma experiência científica, quando acaba ganhando superforça e pele invulnerável. Com estes poderes passa a trabalhar lutar pela comunidade negra ao lado dos herois Demolidor e Punho de Ferro. Nesta fase é desenhado usando uma camisa amarela e sua correntes.
Também teve história com o Quarteto Fantástico, em uma estória quando ajuda o Tocha Humana. Também participa dos Vingadores, onde conhece sua futura esposa, a heroina Jessica Jones, com quem tem uma filha.
Na editoria Marvel foi o primeiro super-herói negro a receber uma série própria.

Veja um video sobre o pesonagem em quadrinhos e suas mudanças desde sua criação.




Sexta-feira, Junho 27, 2008

O drama do Zimbabue


África ainda não se recuperou do genocídio de Ruanda e está a beira de outro no Zimbábue. Lá o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, há 28 anos no poder, mata os militantes de seu oponente, Morgan Tsvangirai é sem duvida um mau político negro. No passado foi uma forte liderança no processo de libertação daquele país, em 1980 mas ele perdeu o rumo político ao abandonar a prática da democracia gosto pela democracia.
O pior é perceber que o mundo não está nem ai para o que acontece lá. Na década de 1990, aconteceu em Ruanda um massacre: hutus mataram tutsi. Tropas da ONU eram insuficientes para mediar o conflito. Só após há muitos apelos, as grandes potencias enviaram reforço. A intervenção chegou quase tarde. Nos dois casos, os países não têm grandes riquezas.
Passado - O duro de tudo é recordar da bela historia da independência desta nação africana. Quando deixaram de se chamar Rodésia, foi composto um hino para Zimbabue, composto por Bob Marley.
"Zimbabue
Todo homem tem o direito de decidir sobre o seu próprio destino.
E este julgamento terá de ser imparcial
Então ombro a ombro, e armados, combateremos nesta pequena luta
Pois é a única forma de superar o nosso pequeno problema "
Chega ser ironico saber que o pequeno problema se tornou uma vergonha.
Veja um video de Bob cantando, na festa de independência do país.

Segunda-feira, Junho 23, 2008

Dandaras sai do ar para ir para História



Não faz muito tempo que escrevi sobre o Programa Dandaras. Transmitido por dois anos, na Rádio Gazeta AM, quinzenalmente aos domingos, deixa de ir ao ar por uma decisão do grupo. Infelizmente para toda a comunidade negra.

No pouco tempo de duração da proposta posso dizer que era pioneira. Existiram outros programas radiofônicos com a meta de debater os problemas afro-brasileiros. Mas nunca um em que a produção e a apresentação fosse de uma maioria de mulheres negras. Bom citar que havia no grupo uma euro-descendente.

Pelos microfones comandandos por estas meninas passaram as maiores liberanças do movimento negro brasileiro e personalidades culturais. Quem duvida da qualidade é só dar uma olhar no arquivo dos programas:
A torcida é para que elas retornem em uma outra emissora de rádio ou até em uma versão na televisão. Seria interessante ver no video o potencial de comunicação das meninas, que se retiram das ondas médias para entrar para a História.

A despedida não poderia ser menos emocionante, "Esperamos que esse programa tenha contribuído para o debate da questão racial, lembramos que mais iniciativas como essa devem ser feitas em outros espaços", Gabriela Waltson, uma das últimas Dandaras. como ela mesmo se auto identifica. A estudante de Rádio e TV é um dos exemplos do aumento da presença feminina e negra nos meios de comunicação de massa.

Da minha parte fica o lamento. É triste perceber que as boas ideias tem vida curta. Feliz de quem aproveitou.

Domingo, Junho 22, 2008

Até tu, Milton Gonçalves?

Desde as chamadas novela "A Favorita" ensaio para escrever sobre mais esta polêmica da Rede Globo: o vilão negro interpretado pelo ator Milton Gonçalves. Faz tempo que a venus platinada trocou os bons roteiros por truques baratos para obter audiência. Estamos diante de outro caso.
Porém, ao ler a entrevista do experiente Milton Gonçalves, para a Folha de São Paulo, começo a pensar a imaginar o que teria acontecido com a postura daquele artista que se negava a fazer papéis que aumentasse o preconceito contra o povo afro-brasileiro? Aquele que deu entrevista no documentário A Negação do Brasil, do Joel Zito Araujo.
A fala do ator contra cotas demonstra uma falta de familiaridade com o tema.
Por estas e por outras que apostos as minhas fichas na periferia. Lá não tem divagação. Preto sabe o que é a discriminação, sem teoria e não fica filosofando sobre a solução: é a favor de ações afirmativas.
Um deputado negro com certeza não é impossivel. Mas quantos políticos negros estiverem envolvidos nos últimos escândalos? Já sabem a resposta.
Uma resposta a Milton: antes de existir um Barack Obama foram criadas condições de auto-estima e orgulho negro por atores afro-americanos que se recusaram a fazer só papel de bandidos.
Leiam a entrevista e tirem suas conclusões.

Quando foram divulgadas as primeiras notícias de que Milton Gonçalves seria um político corrupto na novela "A Favorita", da Globo, a bomba logo estourou em seu e-mail. O personagem, escreveram os remetentes, poderia prejudicar candidatos negros nas eleições. "Será que o objetivo era atingir Barack Obama?", surtou um.Ninguém melhor do que Milton para entrar nessa polêmica. Aos 74 anos, 43 só de Globo, o ator passou a vida na luta por papéis que iam além dos escravos e empregados reservados a negros. Quase foi demitido quando se opôs à decisão de pintar Sérgio Cardoso de preto para interpretar o escravo protagonista de "A Cabana do Pai Tomás" (1969/70). Além disso, Milton é político na vida real.Filiado ao PMDB, foi candidato a deputado nos anos 80 e a governador do Rio nos 90. Romildo Rosa, seu papel em "A Favorita", não só é corrupto como chefe de uma família desequilibrada. A controvérsia sobre a abordagem politicamente incorreta do núcleo negro deve crescer, uma vez que a trama de João Emanuel Carneiro, há três semanas no ar com 35 pontos de média, deu sinal de subida no Ibope e bateu 40 na segunda-feira. À Folha o ator falou da celeuma, fez críticas às TVs por terem poucos negros, às cotas, a Lula e a políticos em geral. Leia abaixo.

FOLHA - O sr. tem a carreira marcada por conseguir papéis que vão além dos normalmente concedidos a negros, como escravos e empregados. Chegou a pedir a Janete Clair um personagem "engravatado" e acabou fazendo o médico Percival em "Pecado Capital" (1975/76). MILTON GONÇALVES - Sempre lutei por papéis relevantes. Há muitos anos, na peça "A Mandrágora" [de Maquiavel], comecei fazendo um escravo e acabei no papel que era do [Gianfrancesco] Guarnieri. Tinha que fazer um esforço para me convencer de que era capaz. Queria papéis que acrescentassem algo a um processo antes inconsciente e hoje muito consciente: o da inserção sem humilhação.


FOLHA - Nesse contexto, como avalia o fato de interpretar na novela das oito um político corrupto? Os papéis não precisam mais levantar a bandeira do movimento negro?
MILTON - Como ator, quero fazer todos os personagens. Fazer um vilão provoca mais discussões do que papéis usuais. E a política brasileira... Aqui no Rio, aqueles três jovens negros, e é bom grifar isso, da comunidade [do morro da Providência] são detidos, e o Exército os leva a uma facção [rival de traficantes], e eles são mortos de forma brutal. Isso é uma aberração e é política. Quem levou o projeto Cimento não sei das quantas para lá? Um político [o senador Marcelo Crivella, do PRB, autor do Cimento Social, de reforma de casas; em nota, na quinta-feira, o parlamentar afirmou: "O que fiz foi unicamente apresentar e defender a importância do projeto (...) e garantir os recursos orçamentários necessários"]. O Exército só foi lá porque o presidente do país autorizou. Obviamente não imaginava que fosse aquilo, mas aquele que é candidato a prefeito [Crivella] levou [o Exército] e vai ter que assumir a responsabilidade. Isso marca a podridão em que foi transformada a política. Há pessoas maravilhosas, mas a média lamentavelmente falha. Meu personagem é um desses duendes chafurdando no lamaçal.


FOLHA - O sr. enfrentou resistência do movimento negro em razão de interpretar um político corrupto?
MILTON - Uma pessoa próxima, que se notabiliza por palpites infelizes, me mandou um e-mail: "Será que isso não vai atrapalhar? Será que estão querendo atingir [Barack] Obama?" É um jornalista negro, não vou falar o nome. Algumas outras pessoas escreveram. Ficou a sensação de que seria negativo fazer um político negro corrupto em um país onde o negro, que é metade da população, não é representado no tamanho da sua participação na sociedade. Me questionaram se o personagem não atrapalharia [políticos negros] nas eleições. Não acho, e sou ativista político. Meu lado artístico pede vilões. Vilões que algumas vezes fiz redundaram em grandes discussões. O fato de o cara ser negro não quer dizer que não possa ser desonesto, corrupto, bandido, safado, ladrão. Pode ser tanto quanto o branco. Se meu personagem atrapalhar um candidato negro é porque não há convicção sobre ele. Romildo provoca desejo de que haja políticos negros honestos.
FOLHA - O pesquisador e cineasta Joel Zito Araújo demonstrou que na história da TV a grande maioria dos papéis concedidos a negros era de coadjuvantes, escravos e empregados. Nos últimos anos, houve mais negros em papéis centrais, como a protagonista de "Da Cor do Pecado" (2004/Taís Araújo). Ter um negro como corrupto pode significar que chegamos a um patamar no qual a inserção não é mais um problema?
MILTON - Continuo achando que ainda somos muito poucos em atividade. É só olhar na TV. A participação do negro nas novelas não mudou quantitativamente. Em 68, tive um atrito na Globo, quando Sérgio Cardoso foi pintado de preto para o papel de negro em "A Cabana do Pai Tomás". Em um país em que a metade da população é negra, pintar um branco para fazer o papel de negro é aberração, um desrespeito. Fui contra isso, o que quase me rendeu uma demissão. E não sei se há uma melhoria. Quando se faz uma novela de favelas, por exemplo, aquela figuração lá no fundo ainda não é misturada o suficiente para o meu gosto.


FOLHA - O sr. enfrentou muito preconceito nesses 43 anos de Globo?
MILTON - Preconceito todos sofrem, até branco, dependendo do meio. Em "Baila Comigo" [81], era casado com a personagem da Beatriz Lira. Ela recebeu avisos loucos: "Olha, ele é excelente ator, mas você vai fazer a mulher dele?!". O chamado movimento negro me dizia: "Não vai beijar na boca!". Combinamos: "Tome beijo na boca".


FOLHA - O que o sr. acha do movimento negro no Brasil?
MILTON - Já fui mais ativista. Não renego, mas temos que acrescentar à luta algo a mais, para que a ação seja mais democrática. Não acho que um ministro ou secretário deva ter cargo só para tratar de coisas de negros. Negros devem ser ministros da Fazenda, da Educação. Como pode, nos EUA, onde o negro é 14% da população, haver um negro candidato à Presidência, que espero que seja eleito, com grandes chances, e no Brasil, onde o negro é metade da população, não termos alguém assim? Fui candidato a governador no Rio [94] porque achei que deveria enfrentar. Mas pessoas antes solidárias deram cabo. O que eu queria fazer não incluía desonestidade.


FOLHA - Por suas palavras, não parece favorável às cotas para negros.
MILTON - Não sou radicalmente contra. Quem achar que são boas que faça uso. Mas não acho que as cotas possam resolver questões centenárias. Não posso apenar um branco que tirou dez na prova e dar seu lugar a um negro que tirou cinco.


FOLHA - Encararia outra eleição?
MILTON - Nem que a vaca tussa! Sou da época do MDB e hoje estou no diretório estadual do PMDB do Rio, mas prefiro ser um guerrilheiro em escaramuças. Quando há necessidade, vou lá e dou palpite.


FOLHA - O que acha do PMDB?
MILTON - Houve degradação, a qualidade está muito baixa.


FOLHA - Cogita trocar de partido?
MILTON - Agora não, porque está tudo a mesma porcaria.

FOLHA - O fato de Romildo falar que passou fome é recado a Lula?
MILTON - Nada a ver. A única coisa que me incomoda no Lula foi uma frase que usou, que não estudou e é presidente. Não sabe o mal que causou à nação.


FOLHA - Aprova a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura?
MILTON - Não sei... Cultura, na minha cabeça, é a perna direita de um país. E acho que a Cultura está meio vasqueira, devagar.


FOLHA - "A Favorita" mostra a relação conflituosa do deputado com a imprensa. Como o sr., que fez faculdade de jornalismo, analisa a atual relação entre imprensa e poder?
MILTON - Não há hoje ninguém absolutamente isento. O jornal é feito para um grupo de leitores e quer alcançar seu nível de venda. O seu jornal, por exemplo, tem como cliente a classe média paulista. Pode até fazer matérias para o operariado, mas não é seu público-alvo.


FOLHA - O repórter da novela gritou "corrupto, ladrão" em comício de Romildo. O jornalismo partidário é muito presente hoje no país?
MILTON - Não é função do repórter ir a um comício e chamar o cara de ladrão. Se quer falar, tem que tirar o crachá e agir como cidadão.


FOLHA - Por outro lado, o deputado da novela veta a publicação de reportagens que denunciam suas falcatruas telefonando para a cúpula do jornal. Não é um tema delicado para se tratar em uma emissora que faz parte de um conglomerado de comunicação tão amplo?
MILTON - Concordo em gênero, número e grau. Mas, pai, afasta de mim esse cálice! [risos].
Foto:Luciana Whitaker/Folha Imagem

Quarta-feira, Maio 28, 2008

SARAU CAMINHOS PRETA


Neste sábado (31) às 19h, no Centro Cultural da Juventude (Av.Deputado Emílio Carlos, 3.641) , o lançamento do site http://www.caminhospreta.art.br/, com a mostra da experiência virtual baseada no livro "Poema Preta" da "Escrava Anastácia".Produção e direção: Lilian Solá Santiago, diretora do famoso documentário sobre a Família Alcantara.

Participaram da elaboração do site: nos textos, Babalorixá Pai Kabila de Aruanda; fotografias originais, Inaê Coutinho e Cecilia Kawall; direção de Arte dos Vídeos, Beto Guilger, direção de Arte do Site, Bernard Castilho; programação: Daniel Allegretti; música original: Maurício Alves; e concepção, Lilian Solá Santiago e Nara Sakarê
Haverá apresentação: Rose, poetisa e uma das fundadoras da Cooperifa, com participação especial: Nara Sakarê, Juliana Machado, Fernanda Sophia, entre outras atrizes que participam do site.

Após o sarau será servido coquetel afro-brasileiro, de Cidinha Santiago com a presença da DJ Evelyn Cristina e VJ Débora Kaz.

Mais informações no fone: (o11) 3984 2466, em horário comercial com estudante de Rádio e TV, Gabriela Watson( Programa Dandaras).

Sábado, Maio 24, 2008

Manuela d'Ávila a favor das cotas!





Enquanto uma cambada, inventa um nome de Movimento Negro Socialista, usam o marxismo para ser contra reparações para população negra, a deputada federal gaucho, Manuela D`Avila discursa em favor das Ações Afirmativas.
Leia trechos da fala:
"É fato que o desenvolvimento brasileiro ocorreu cristalizando-se diferenças entre as etnias que compõem a diversidade característica da população brasileira, sendo fato que a população negra e os povos indígenas foram e ainda são sistematicamente desfavorecidos..."
"...Este é apenas umas das políticas necessárias para superarmos esta dívida histórica, mas é sem dúvida nenhuma uma das mais urgentes e importantes, para milhões de jovens brasileiros excluídos do ensino superior por séculos de discriminação racial e social..."
Se em nome da fé cristã, muitos crimes foram cometidos nos séculos, em décadas outros foram cometidos outros crimes em nome da leitura equivocada do livro "O Capital". Mas pelo que vi, um dia destes, em um debate do programa Super Top, da Rede TV, o líder dos contra cotas, nem leu o prefácio. Papagaio: fala o que lhe foi ensinado, sem saber o conteúdo.

Quinta-feira, Maio 22, 2008

Spike Lee fará filme sobre Michael Jordan

Deve ficar pronto em 2009, o documentário sobre o maior jogador de basquete do mundo, Michael Jordan.Serão mostrados os últimos dois anos da carreira. A proposta contará com o financiamento da produtora do cineasta 40 Acres and a Mule e da NBA.
O anuncio ocorreu durante o Festival de Cannes, na França, onde mostrou seu trailer de oito minutos de seu drama "Miracle at St. Anna", que estreará em 10 de outubro. O roteiro é sobre quatro membros negros da Divisão 92 do Exército americano que foram seqüestrados em uma localidade da Toscana e tiveram que enfrentar seus comandantes racistas e os nazistas.

Terça-feira, Maio 20, 2008

Nei Lopes para Acadêmia Brasileira de Letras





É com pesar que todos lamentamos a morte de Zélia Gattai. Não era apenas esposa de Jorge Amado, mas um escritora de valor. É emocionante o registro da emigração italiana, feito no livro “Anarquistas, Graças a Deus”.
Passado o luto, ocorre-me uma situação bem interessante: por que não brigarmos para que a vaga dela seja preenchida por Nei Lopes, escritor de talento, com obras inigualáveis da literatura brasileira?
A Academia Brasileira de Letras foi fundada por um negro, Machado de Assis. Mas desde sua morte, negros e negras são apenas temas de livros dos ocupantes das centenárias cadeiras. Até gente de talento medicre, como o ex-presidente José Sarney, ocupa uma delas.
Por isto, defendo Nei Lopes para a cadeira de imortal. Por que não?

Quem é ele – Nei nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1942. teve infância similiar a milhares de jovens carentes de sua periferia.
Sua vida muda quando começa a compor e a cantar. Teve parceria com Wilson Moreira. Mantem forte ligação com as escolas de samba Salgueiro e Vila Isabel
Compositor profissional desde 1972, vem, desde os anos 90 esforçando-se pelo rompimento das fronteiras discriminatórias que separam o samba da chamada MPB.

Domingo, Maio 18, 2008

Marina Silva – Negra e ecologista




De analfabeta aos 16 anos à senadora da república e ministra do Meio Ambiente



Ao pedir demissão do cargo de ministra do Meio Ambiente Marina Silva prova manter o caráter que a colocou no cargo desde o inicio do Governo Lula. Algumas coisas não são negociáveis. Vence o primeiro round os ruralistas. Mas a guerra continua.
A história da senadora começa em 1958, quando nasceu próximo de um seringal no interior do Acre. Era analfabeta até os 16 anos, quando foi morar na capital do estado, Rio Branco. Alfabetizou-se aos 17 anos. Foi empregada doméstica e costureira. Aos 26, conquistou o diploma de Bacharel em História pela Universidade Federal do Acre.
Sua militância começou nas comunidade eclesiais de base, passando pello sindicato dos seringueiros e movimento estudantil.. Em 1984, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Acre e foi a primeira vice-coordenadora da entidade, ao lado de Chico Mendes. Um ano depois, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores.

Política - Em 1987, elegeu-se a vereadora mais votada da Câmara Municipal de Rio Branco. Outros dois anos bastaram para tornar-se a deputada estadual mais votada do Acre.
Marina Silva foi a mais jovem parlamentar a ocupar uma vaga no Senado Federal na República. Com 36 anos, foi eleita a primeira vez, em 1994. Foi reeleita em 2002. Como senadora, foi vice-presidente da Comissão Especial do Congresso de Combate à Pobreza, criada a partir de uma proposta sua, vice-presidente da Comissão de Assuntos Sociais e membro titular da Comissão de Educação. Em 1999, foi líder da bancada do PT e do Bloco de Oposição. Durante sua legislatura, apresentou diversos projetos, como o que disciplina o acesso aos recursos da biodiversidade brasileira e ao conhecimento das populações tradicionais.
Propôs ainda a criação da reserva de 2% do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal para os estados que tenham, em seus territórios, unidades de conservação federais e terras indígenas demarcadas. Defendeu, também por meio de um projeto, uma nova estrutura para o orçamento para garantir que verbas destinadas a gastos sociais sejam efetivamente aplicadas nesses setores. Considerada uma dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, teve sua biografia publicada no Brasil e no exterior.

Ministério – De 2003 a 2008, ela afastou-se do Senado para assumir o cargo de ministra de estado do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Deixava a defesa do meio ambiente no Poder Legislativo para defender as questões ambientais no Poder Executivo. Sua atuação, entre 2003 e 2006, inaugurou um novo modelo de gestão ambiental, que conta com a participação de diferentes setores do governo federal e da sociedade. Foi a partir desse modelo que surgiu o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento, em 2004. Resultado do trabalho de 13 ministérios coordenados pela Casa Civil, o plano foi definidor na redução estimada de mais de 50% na taxa de desmatamento da Amazônia entre 2004-2005 e 2005-2006.

Sábado, Maio 17, 2008

Manos e Minas - Bom programa



Desde a descaracterização do programa Yo MTV, a cultura Hip Hop estava sem espaço nas grandes emissoras de televisão. Só poderia ser na TV Cultura, uma nova oportunidade: Manos e Minas, comandado por Rappin Hood, um dos rapper mais atualizados do Brasil.
Mesmo na competição com telejornais e novelas, o programa consegue atingir altos indices de audiência. Para quem entende um pouco de comunicação, sabe o que isto quer dizer: sinal de continuidade.
Quando discutimos cotas, não devemos restringir só para o acesso a universidade e empregos, mas também extender a reivindicação para a cultura. Ter um programa voltado para a arte da periferia, onde a maioria é negra, deveria ser obrigação de todas as redes.
Todas as quartas - às 19h30


Quarta-feira, Maio 14, 2008

120 anos de Abolição?


História - Multidão comemora nas ruas a abolição

Processo mal acabado geral polêmico debate sobre cotas, dentro do STF com participação de intelectuais e militantes do Movimento Negro



Tão complicado quanto a comemoração do Centenário da Abolição, são 120 anos do fato, sem motivos para festejar. Bem mais interessante é ver o movimento por reparações chegar até a Corte Suprema Brasileira.
È algo muito significativo: no STF temos uma prova cabal dos efeitos da má redação da Lei Áurea; há apenas um ministro negro, Joaquim Barbosa. Em um país onde a população descendente de escravo é de 50%.
Semelhante ao clima pré abolição, há uma campanha desavergonhada da grande mídia contra as cotas. As edições das reportagens deixam evidente, uma postura preconceituosa contra as ações afirmativas. Nada surpreendente para quem tiver um tempo para pesquisar os jornais da época da escravidão, onde eram escritos artigos com previsão catastrófica, se não fosse evitado o fim da escravatura.
A necessidade de resgate social do povo negro se faz urgente, quando assistimos um professor universitário, Antonio Natalino Dantas verbalizar, sem vergonha, uma teoria ridícula sobre o baixo desempenho do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, na formação cultural do povo baiano, em sua maioria absoluta negra.
Há quem tente reescrever de forma equivocada a História do Brasil, ao colocar a Princesa Isabel, como redentora, quando a verdade em documentos, mostra uma postura vacilante da Família Real para tomar uma atitude em favor do fim do regime de exploração. Desde Dom João VI havia esta cobrança. Portanto, a assinatura da Lei Áurea, nada mais é do que o cumprimento da obrigação. É fruto da pressão das discussões parlamentares e da mobilização abolicionista.
Para o Movimento Negro está colocado um desafio: sair do baile das vaidades e encampar a bandeira das cotas de forma incondicional. Botar na rua uma manifestação, onde o mais importante, não é quem discursa, mas o efeito das palavras.
Zumbi, Dandara, Chico Rei, Xica da Silva e João Cândido, nunca fizeram grandes discursos. A força estava na atitude contra a injustiça racial.
Mas uma das etapas para a implantação de leis de promoção da igualdade racial passa pelas eleições municipais, quando é preciso eleger candidatos comprometidos com o combate ao racismo. Importante separar o joio do trigo. Há candidatos de postura constante em favor da luta e os aproveitadores.
Que a luta venha do exemplo de Nelson Mandela, que ensinou a vencer a segregação, ao convencer que não existiria nação economicamente forte, se fosse desprezada uma parte de sua população. Não há Brasil forte sem a participação de todas as etnias. E para isto acontecer, é necessário fazer a inclusão da juventude negra em universidades.
Que os anti-cotas façam abaixo-assinado. Que nós que somos a favor das ações afirmativas, devemos denunciamos a discriminação e assim daremos os argumentos necessários para os ministros do STF votaram a favor das cotas.







Único - No Supremo Tribunal Federal, apenas o ministro Joaquim Barbosa é descendente de pessoas escravizadas.

Quarta-feira, Abril 30, 2008

Os anti-cotas e o descascado


Nunca o advogado abolicionista Luiz Gama foi tão atual. Ele chamava de descascados os negros, que se posicionavam contra o fim da escravidão. Para eles, era fácil filosofar, enquanto a maioria sofria no acoite.
Passados anos, os descascados reaparecem. Tipos assim, deixam seus genes para descendentes. Um deles é o integrante do Movimento Negro Socialista, José Carlos Miranda(foto). Olha, conheço muita entidade de combate ao racismo, mas nunca vi este povo.
Ele é um produto muito interessante para o lado da mídia, contraria as Ações Afirmativas. Se diz negro; se coloca como militante e é do PT.
Ele dá a cor a um grupo de supostos intelectuais, inclusive a ex-primeira-dama do Brasil, Ruth Cardoso; criado para pressionar o STF contra as cotas. Duas ações em julgamento dentro da corte suprema do Brasil.
Num regime democrático é permitido que todos possam manifestar suas idéias. Mas é preciso que apresentem alternativas reais para corrigir as desigualdades raciais. Porém, o máximo que fazem é discursar pela universalização da educação.
O movimento negro de verdade precisa reagir: Cotas Já!

E fim da conversa fiada e excesso de discurso.

Segunda-feira, Abril 21, 2008

As Dandaras no ar


Lucas Robertto e Gabriela Watson, no ar

As mulheres negras sempre surpreendem. Desde o início da escravidão, até dias destes. Por causa deste humilde blog, fui descoberto por uma bela e inteligente estudante de Rádio e TV da Casper Libero, Gabriela Watson, que comanda ao lado de outras mulheres um programa intitulado “Dandaras”, exibido na Rádio Universitária 890 Am, quinzenalmente aos domingos, das 12h às 13h, ao vivo.
O exceção das vozes femininas no ar, fica para fica para Lucas Robertto, boa dicção e conhecimento musical.
O programa tem conteúdo: com a pauta focada sobre as etnias negras. Mas como a Gabriela é uma afro-peruana, há um diferencial: dá para saber mais sobre a cultura africana na América Latina. Só por isto, a trupe feminina já mereceria um prêmio de comunicação social.
Fica ai a dica. Sei que muitos irmãos do continente africano estão atentos a este as novidades deste blog. Deveriam entrar no link e conferir:

Observação: Com minhas fontes, levantei a fica de todas integrantes da produção, principalmente a Gabriela. Consegui descobrir o segredo da qualidade. Todas são pessoas engajadas. Nesta situação vale a idéia do Hip Hop, “só quem é, se identifica”.



Na foto, as Dandaras junto com a cantora Paula Lima.

História - Dandara foi esposa e guerreira de Zumbi dos Palmares. Junto com ele, lutava para livrar os negros da dura vida que levavam. Suicidou em seis de fevereiro de 1694, para não voltar na condição de escrava. Ela representa até hoje liberdade e igualdade,o significado deste nome e a mais bela.
Escrava liberta em 1812, pertencia à nação nagô-jejê, da Tribo de Mahi, muçulmanos africanos conhecidos como no Brasil de Malês, responsáveis por todas as revoltas e levantes negros que abalaram a Bahia nas primeiras décadas do século XIX.

* Cliquem no título para chegar na página da rádio

Domingo, Abril 20, 2008

Cinema e África

Boa oportunidade para ver filmes de qualidade que nunca estarão no circuito comercial. Pena que será realizado no Rio de janeiro, bem longe.

Dia 22
O Clandestino
Direção: Jose Laplaine - Zaire/Angola, 1997, 15 min.
Quando um angolano clandestino chega a Lisboa, ele percebe que a Europa de seus sonhos não é o paraíso que imaginava. Sempre tendo que fugir de um policial persistente, ele começa a ter saudades da terra natal.
Kuxa Kanema – O nascimento do cinema (doc.)
Direção: Margarida Cardoso, Bélgica / França / Portugal, 2003, 52min
O governo Moçambicano cria após a independência, em 1975, o Instituto Nacional de Cinema (INC), pois o presidente, Samora Machel, sabia do poder da imagem para a nação socialista. A ruína do INC após um incêndio acompanha a desilusão dos moradores com o regime. Vencedor do Festival de Nova York de Filmes Africanos.
Dia 23
Mama Put – (ficção)
Direção: Seke Somolu, 2006, 30min, Nigéria
A história de um grupo de jovens armados que invade a casa de uma pobre família mostra o poder do alimento de transformar, salvar e estremecer relações sociais na Nigéria. Mama Put é o filme de estréia do cineasta nigeriano Seke Somolu.
A cidade das mulheres – (doc.)
Dir: Lázaro Faria, 2005, 72 min, Brasil
O filme é uma resposta à Ruth Landes, antropóloga norte-americana que esteve, em 1939, na Bahia, e se surpreendeu com a força e a soberania das mulheres do candomblé dentro de uma organização matriarcal. Ganhador dos prêmios Tatu de Ouro e BNB de Cinema.
Dia 24
Menged (ficção)
Direção: Daniel Taye Workou, 2006, 20min., Etiópia
Adaptação de um conto popular etíope, sobre a trajetória de um pai e seu filho até o mercado. Mostra a Etiópia de hoje: um país na transição entre modernismo e tradicionalismo. Venceu do Urso de Cristal no Festival Internacional de Filmes de Berlim.
Mortu Negra (ficção)
Direção: Flora Gomes, 1987, 85min, Guiné-Bissau.
No interior da Guiné, lutando contra a presença colonial, o exército de libertação constrói o dia-a-dia entre a vida comunitária e o percurso para a independência de seu país. O filme marca a estréia do consagrado cineasta Flora Gomes.
Dia 25
Balé de pé no chão (documentário)
Dir: Lilian Solá Santiago, 2008, 17 min, Brasil
Documentário sobre Mercedes Baptista, principal precursora da dança afro-brasileira. Bailarina de formação erudita, cria seu grupo na década de 50, e estuda os movimentos do candomblé e das danças folclóricas. Vencedor do Prêmio Palmares de Comunicação 2005.
Hollow City (Na Cidade Vazia) – (ficção)
Direção: Maria João Ganga, 2005, 88min., Angola
O filme narra a trajetória de um menino órfão, que, assim como muitos outros de sua geração, lutam pela sobrevivência em Angola que está devastada após a revolução civil. Conquistou o grande prêmio do Festival de Filmes de Paris.


Dia 26
Maria sem graça (vídeo / ficção)
Leandro Godinho, Brasil (SP), 2007, 14min
Maria das Graças, menina negra de 12 anos, moradora da periferia de São Paulo, atormenta a vida de sua mãe para alcançar seu maior sonho: ser a apresentadora Xuxa Meneghel. Selecionado para o Festival Internacional de curta-metragens de São Paulo.
Família Alcântara (documentário)
Direção: Lílian e Daniel Solá Santiago,2006, 52min
História de uma família extensa, cujas origens remetem-se à bacia do Rio Congo, na África. Através de gerações, preservam sua história, com o coral, teatro e a congada. Premiado no 11º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, no Mato Grosso.


Dia 27
The Ball (ficção)
Orlando Mesquita, 2001, 5 min, Moçambique
Em um país que luta para combater a Aids, vinte milhões de preservativos são distribuídos, isto é, 5 por pessoa por ano. Muitas pessoas as usam de outra forma, por exemplo, os garotos que as utilizam para fazer bolas para jogar futebol.
O Herói (ficção)
Angola / França / Portugal, 2004, 97 minutos
Direção: Zezé Gamboa
Um soldado mutilado na explosão de uma mina volta à Luanda após 20 anos de combates. No elenco o senegalês Makena Diop, as brasileiras Maria Ceiça e Neuza Borges. Premiado no Festival de Sundance (EUA) e no Festival de Cinema Africano de Milão, entre outros.

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

Benjamim de Oliveira - palhaço negro


A frase é conhecida: o Brasil não tem memória. Quando se trata dos negros a amnésia é enorme. Vou citar um caso: Benjamim de Oliveira, um dos pioneiros na arte circense da interpretação de palhaço ator, cantor, instrumentista e compositor, nasceu em Pará (atual Pará de Minas) MG em 1870, e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 3/5/1954. Abandonou o lar ainda menor de idade e juntou-se à troupe do Circo Sotero, atuando em números de trapézio e de acrobacia. Estreou como palhaço no circo de Frutuoso Pereira (Rua João Alfredo, Várzea do Carmo, São Paulo SP), por volta de 1889. As primeiras apresentações foram vaiadas. Depois de trabalhar em vários circos, adquiriu experiência bastante para atuar como palhaço do Circo Caçamba, então armado na Praça da República, São Paulo.Aí trabalhou aproximadamente três anos, e, em 1893, obteve o lugar de palhaço principal do Circo Spinelli, famoso na época, no qual encenou quadros cômicos extraídos de operetas e peças burlescas. Na Semana Santa, representou o papel de Cristo, com o rosto pintado de branco, uma vez que era negro. O sucesso dessa idéia de conjugar teatro com circo abriu caminho para a popularização de clássicos, como Otelo, de William Shakespeare (1564-1616), e A Viúva alegre, de Franz Lehár (1870-1948), em que reservava para si os principais papéis masculinos. Nos entreatos cantava lundus, chulas e modinhas, especialmente de seu amigo Catulo da Paixão Cearense, acompanhando-se ao violão. Deixou gravadas algumas músicas na Columbia, por volta de 1910, como o monólogo Caipira mineiro, os lundus As comparações e O baiano na rocha, este em duo com Mário Pinheiro.

Fernanda – 1ª índia com pós graduação




Uma noticia pareceu-me estranha: Fernanda Caingangue é a primeira indígena concluir uma tese de mestrado. O fato ocorreu na Universidade de Brasília. Causa-me espanto, só após 508 anos, após a ocupação européia do solo brasileiro, uma índia conseguir ser chamada de mestre.
O Brasil é um país de péssima preservação histórica. Exceto raríssimos museus, não há registro das centenas etnias indígenas ocupantes deste solo, antes da chegada das naus portuguesas, lideradas por Pedro Álvares Cabral. Foram milhares e atualmente, não são menos de 5% da população brasileira. Segundo o IBGE, os indígenas são 700 mil pessoas, que integram 241 povos falantes de 180 línguas. Talvez por isto, o ineditismo inusitado da noticia
Fernanda é formada em Direito pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Mas o caminho não foi fácil. Dos 17 as 21 anos, ela passou fome para chegar a graduação do curso. O sustento veio da ajuda de uma ONG, através de uma bolsa de 250 dólares mensais. O restante, só Deus sabe o que a menina fez para arrumar.
O nome indígena de Fernanda no dialeto caingangue é Jófej. Atualmente, ela trabalha em um instituto de preservação da cultura de seu povo. Neta de um cacique, ela luta para manter vivo e unido um povo quase dizimado.

Shirley Chisholm - 1ª pré candidata de negra e democrata

Antes de Hillary e de Barack em 2008, há 36 anos, a deputada federal Shirley Chisholm tornou-se a primeira negra a tentar obter a candidatura à presidência. O seu slogan de campanha foi "Não Comprada e Sem Patrões".
Ela era uma liberal que defendia os direitos das mulheres e das pessoas negras, e foi uma feroz oponente da Guerra do Vietnã. Mas seu caráter foi revelado quando um dos seus oponentes na campanha pela candidatura democrata, o racista governador do Alabama, George Wallace, foi vítima de uma tentativa de assassinato em Maryland.
Chisholm o visitou no hospital e foi criticada pela comunidade negra. Quando Wallace a viu, perguntou: "O que o seu povo vai dizer?". Ela respondeu, "Eu sei o que eles dirão. Mas eu não gostaria que o que aconteceu com você acontecesse com mais ninguém".
tornou-se a primeira mulher e a primeira negra a tentar obter a candidatura à presidência. O seu slogan de campanha foi "Não Comprada e Sem Patrões".
Ela era uma liberal que defendia os direitos das mulheres e das pessoas negras, e foi uma feroz oponente da Guerra do Vietnã. Mas seu caráter foi revelado quando um dos seus oponentes na campanha pela candidatura democrata, o racista governador do Alabama, George Wallace, foi vítima de uma tentativa de assassinato em Maryland.
Chisholm o visitou no hospital e foi criticada pela comunidade negra. Quando Wallace a viu, perguntou: "O que o seu povo vai dizer?". Ela respondeu, "Eu sei o que eles dirão. Mas eu não gostaria que o que aconteceu com você acontecesse com mais ninguém".

Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Diferença entre Obama e Matilde Ribeiro








Aguardei para escrever esta coluna na madrugada de quarta-feira de cinzas, pois diferente de muita gente, estava mais ansioso para saber o resultado das primárias americanas, na Super-terça, sem preocupar-me com o resultado da eleição da melhor escola de samba do Rio de Janeiro. Cá entre nós: entender o processo dos Estados Unidos é tão complexo, quantos os quesitos usados por jurados na Sapucaí.Mas, ao que tudo indica, o senador Barack Obama perderá por pouco para Hillary Clinton, a chance de concorrer a presidência norte-americana.
Uma eleição nos Estados Unidos, sempre afeta o Brasil. Atualmente, é inegável o dedo de John Kennedy no golpe militar de 1964. Mas a chance de um negro concorrer ao cargo máximo do império, traria reflexos até em todas as periferias do mundo. Da África ao Brasil, muitos teriam um exemplo positivo de poder.
Os exemplos negros lamentáveis de poder existem. A ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, é um deles. Não dá para condená-la pelo conjunto da obra. É uma militante feminista e negra muito respeitada. Mas ao abusar do cartão corporativo, destruiu parte da biografia. Já estive duas vezes ao lado dela, em duas palestras: em Ribeirão Preto e em São Carlos, em 2006. Numa das ocasiões, cheguei a almoçar com ela, em companhia de outros militantes. No final, cada um pagou sua conta, e por cortesia, ela não, pois ela era convidada.


Matilde cai da mesma maneira de Benedita da Silva: uso condenável do dinheiro público. A Benê até o momento não se recuperou politicamente. E o ministro dos Esportes, Orlando Silva também passou pelo vexame ao revelarem seu gasto absurdo com tapioca. Estão até falando em CPI da Tapioca. Quem façam. Mas se os parlamentares forem ao fundo vão descobrir abusos em governos anteriores e teremos no fim uma pizza de tapioca.
Benê, Matilde e Orlando poderiam se tornar um nome forte para as próximas eleições, do mesmo jeito que Obama. Ele não é perfeito, mas inspira o desejo por mudanças.
De ruim, na biografia do senador afro-americano, descobriram que ele comprou uma casa abaixo do preço de mercado de um corretor imobiliário de passado obscuro. Aqui no Brasil, isto não daria em nada. Mas lá, o rigor é muito maior. Mas com certeza, ele não tem no passado, altos gastos com hotéis.
Não entro nesta de culpar o racismo pela queda de Matilde e Benê. Aprendi com minha avó paterna: ao negro não basta ser honesto, pois deve possuir postura e aparência ética.

Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

E ninguém estranha a ausência de modelos negras?


Não sei de quem é a frase, mas ela é muito interessante: “o maior truque do Diabo é fazer as pessoas acreditarem que ele não existe”. Em minha opinião, a mesma idéia podemos aplicar ao racismo no Brasil: ele é forte, pois há uma impressão dele nunca ocorrer, mas está muito forte e articulado.
Um das provas é o cancelamento das cotas na Universidade Federal de Santa Catarina. O fato foi noticiado com estardalhaço, sem levar em conta a existência deste instrumento de inclusão social, em 51 estabelecimentos de ensinos no país, incluindo o caso de Bebedouro. E não há enxurrada de processos.
Santa Catarina é o estado ideal para esta briga. Negros são minoria da população, mas a maioria dos pobres catarinenses. E exceto a cota, não há uma ação sequer para tentar mudar esta realidade.
Santa Catarina é um pedaço do Brasil, que não estranha a ausência de modelos negros no maior evento de moda de São Paulo. O Ministério Público federal vai questionar os organizadores. Será curioso saber qual a justificativa para atitude. Estilistas americanos ou franceses fazem questão de ter modelos negros.
Mas a elite brasileira sempre escondeu sua fase miscigenada. E utiliza de muitas estratégias para justificar seu racismo. O autor da novela Duas Caras, Aguinaldo Silva apela para um pseudo debate sobre atuação do movimento estudantil e negro, para aumentar a audiência de um roteiro fraco. Ele coloca um estudante negro, como um líder picareta, a se aproveitar da própria cor de pele para derrubar o reitor. O uso até irônico do termo afro-descendente ou afro-brasileiro na boca do elenco, para ter a intenção de provar uma ação pública.
Talvez seja saudável ver o debate sobre a existência de pratica racistas neste país e a necessidade de ações para eliminar seus danos, chegue até o STF. Talvez lá seja tomada uma atitude, que o Congresso Brasileiro se recusa a tomar: vota os projetos de lei sobre o assunto.

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Lazaro Ramos: ator e militante



O Ceará nos deu ótimos humoristas: Renato Aragão, Chico Anísio e Tom Cavalcanti. Mas a Bahia nos dá ainda ótimos atores. Com a maioria da população negra, seria impossível impedir o surgimento de um grande ator afro-brasileiro: Lazaro Ramos.
Não falo isto por causa do personagem Evilásio, da novela Duas Caras. Ali vemos só uma das melhores atuações dele. Mas Com participações em filmes como: O Homem Que Copiava, Carandiru, Cafundó, Meu Tio Matou um Cara, Ó Pai Ó, Cidade Baixa.
Mas a melhor interpretação para mim fica para Madame Satã, homossexual, de nome João Francisco dos Santos, assíduo freqüentador do reduto da Lapa, nos anos 30, onde trabalhava muitas vezes trabalhou como segurança de casas noturnas, quando defendia prostitutas de agressão física.
Madame Satã enfrentava polícia, e por isto era frequentemente detido por desacato. Mas usava a capoeira para se defender ou lutar em favor de outras vítimas de preconceito.
Mas após várias prisões, inclusive na Ilha da Grande, morre pobre e esquecido. O filme e a interpretação de Lazaro resgataram uma figura singular na História do país.
Diferente de muitos cantores de pagode, Lázaro, sabe ganhar dinheiro com seu talento, mas também o uso para gerar mais consciência critica na população. Neste papel, ele se iguala à outros grandes atores: Milton Gonçalves, Antônio Pompeu e Toni Tornado.
De volta à Evilásio, no começo até torci o nariz para o Romeu e Julieta interracial desempenhado por Lazaro, e Débora Falabela. Mas estou surpreso com o resultado nas ruas: há uma discussão sadia sobre o amor entre brancos e negros. E até reparei que há um aumento desta mescigenação. Bom para reduzir preconceitos.
Porém, prefiro o casal da novela Cobras e Lagartos, Lazaro e Tais, pois muitos homens negros foram educados pelos meios de comunicação à não sentir atração por mulheres negras. Exemplo: famosos jogadores de futebol e pagodeiros.
Mas haverá chance para isto se repetir: o personagem de Evilásio ficará dividido entre: a linda Sheron Menezes e a bela Débora Falabella. Qual ele escolherá e por que?

Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Queremos Palmer para presidente!




Um dos seriados de maior sucesso nos Estados Unidos e no Brasil é o 24 Horas. Com um roteiro inusitado os acontecimentos são desenrolam em supostamente 24 horas do dia de um agente secreto, Jack Bauer. O personagem principal é um James Bond do novo milênio: só não tem uma namorada em cada canto. Pior, as vezes sofre conflitos internos por causa do tipo de trabalho que faz.
Mas o personagem mais interessante ficou em cinco anos da série que já está entrando na sua sétima edição: o presidente Davis Palmer. Detalhe: é um senador negro que chega à presidência norte-americana. Bem a calhar para o senador Obama Barack, afro-americano que disputa a preferência dos filiados do Partido Democrata com a senadora Hillary Clinton.
Palmer é uma figura até apaixonante, pois mostra um tipo de político que parece não existir mais nem nos Estados Unidos, Brasil ou lugar nenhum: é honesto e ético. Em vários episódios, na dúvida entre o caminho mais fácil, onde os fins justificam os meios, ele opta para o mais difícil e nem sempre bom para a própria imagem.
Ele é um sonho para uma realidade triste que convivemos: o presidente do Senado Federal renuncia: não para escapar da cassação, que certamente não viria, e sim para não atrapalhar a votação de um projeto importante para o Governo Federal. No seu lugar, ao partido com direito de escolher um sucesso ao cargo, despreza o curriculo de um senador incorruptivel, e optar por outro que parece não ter um passado tão brilhante.
No seriado, o presidente Palmer faz pronunciamentos à nação, mesmo quando seus auxiliares ou familiares dão um passo errado. E melhor, ele se adianta aos fatos, para não ser cobrado. Na vida real, só após muitas manchetes e investigações da Midia, o político abre a boca, para dizer que não sabia de nada. Posso até admirar este politico, mas isto continua inaceitável.
Palmer morre no quinto ano da série por saber daqueles complôs tipicos. No seu ficticio enterro há comoção. E na vida real: qual político que se morrer hoje ficaremos comovidos a ponto de nos sentirmos orfãos políticamente?

Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Calvário do Padre Júlio Lancelotti


Conheci o padre Júlio Lancelotti, em 1993, durante a criação do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente, em Barretos. Ele palestrou sobre a importância do tema. Na época, confesso, até nem reparei tanto na sua notoriedade. Mas para quem o conhece, sabe: o religioso não manifesta o desejo de ser famoso e sim em aumentar a adesão às causas dos oprimidos.
Só depois, lendo os jornais e assistindo a televisão pude perceber a importância deste sacerdote. Sempre ao lado das crianças abandonadas ou moradores de rua. Não me esqueço do episódio da morte de mendigos em São Paulo, em 2004, quando ele ajudou a coordenar as manifestações.
Também é inesquecível sua participação decisiva para pacificar menores em unidades da Febem. Governadores e secretários de segurança pública solicitaram a participação dele. Mas neste trabalho pastoral, ele fez muitos inimigos, e eles parecem vir a tona, com este escândalo.
Por isto, peço a todos, ceticismo ao assistir, ler ou ouvir alguma coisa. Principalmente, quando as noticias forem veiculadas em emissoras envolvidas numa equivocada guerra entre evangélicos e católicos. Às vezes, me dá impressão que desejam provocar algo que o Brasil não tem: divisões religiosas. Nenhum lugar do mundo há tanta liberdade de credo.
Os três acusadores do padre: Anderson Marcos Batista, Conceição Eletério e Evandro dos Santos Guimarães, deveriam ter suas vidas vasculhadas. E só depois de tudo apurado, chegar à colusão, se convém levar em conta o que dizem.
Mas há erros do padre: é condenável, o padre aceitar a chantagem, e pagá-la. Infelizmente, a biografia dele ficará machada até que seja explicada como um sacerdote consegue desembolsar tanto dinheiro assim. Se é que ele fez isto. Conheço a renda mensal de muitos padres e não bate com os valores divulgados no caso.
No final, espero que as bandeiras levantadas por Júlio Lancelotti não fiquem prejudicadas. Enquanto isso, os moradores de rua de São Paulo e menores internados na Febem, necessitam de apoio. Seja de quem for.

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

De José Patrocínio à Heraldo Pereira



Achei bem divertido os meios de comunicação dar relevância à elevação de Heraldo Pereira como primeiro comentarista político do Telejornalismo. Pouca gente recorda de José do Patrocínio, um dos maiores jornalista políticos deste país. É um engano limitar sua atuação apenas ao abolicionismo: O coitado teve que fugir do Brasil, com a proclamação da República, por receio de morrer nas mãos daqueles que criticava: latifundiários, disfarçados de republicanos.
É mérito, vermos Heraldo, e até a Maria Júlia Coutinho, ex-TV Cultura, na Rede Globo. Mas é necessário vermos uma linha editorial, mais progressista, na maior emissora de televisão da América Latina. A oposição ferrenha da TV da Família Marinho, é inaceitável, principalmente na forma que as pautas são conduzidas: não há o mesmo espaço para as pessoas ou entidades que são à favor.
Mas isto já não assusta: basta pesquisar nos livros de História ou arquivos públicos, para checar nos jornais do período Pré Abolição, sobre o comportamento da Grande Imprensa.
Mesmo assim, parabéns à Heraldo e à Maria Júlia.

As Duas Caras da TV Globo




O novo folhetim da TV Globo, Duas Caras, traz para variar uma série de polêmicas para levantar a audiência. Um deles será o namoro estilo Romeu e Julieta, vividos por Lazaro Ramos e Débora Falabela: o negro e a branca ou o favelado e a rica. Um artifício para esconder o roteiro manjado e a má atuação da maioria dos atores.
Porém, gostei de uma das polêmicas: o embate entre Candomblé e NeoPentecostais. Neste ponto, o novelista Aguinaldo Silva acertou em cheio. Mas só tenho medo do caminho que adotará para finalizar a briga no encerramento do drama.
É inegável, o aumento dos evangélicos em nosso país. E o núcleo de atores consegue vivenciar na tela, o cotidiano deles, com muita oração e cânticos religiosos.
Sobre os adeptos do Candomblé, a Globo já tem experiência: nas novelas e seriados, baseados em livros de Jorge Amado. Atores negros até repetem papéis. Exemplo: Chica Xavier como iarolorixa.
No mundo real, é triste assistir nos canais controlado por Edir Macedo, a demonização dos cultos negros. Nada de novo: é a mesma estratégia usada pela Igreja Católica há séculos. Só há um diferencial: o uso da televisão, causa efeitos conseqüências incalculáveis.
Tomara que a cabeça de Aguinaldo Silva lhe dê inspiração para denunciar esta situação. Sonho com o dia em que serei acordado com o fim deste preconceito religioso. Será interessante com consciência que todas as orações vão para um único endereço: Deus.
Vejamos os próximos capítulos.

Elementar, meu caro Watson


Muitas pessoas no Mundo ficaram perplexas ao ouvir o cientista James Watson declarar-se pessimista sobre o resultado da aplicação de políticas públicas na África, por causa da suposta baixa inteligência dos negros. Ele falou isto em entrevista ao jornal The Sunday Times, baseado em testes, que não soube explicar quando e como e quantas pessoas foram submetidas. Para justificar sua opinião ele diz “esperava que todas as pessoas fossem iguais, mas que aqueles que têm de lidar com empregados negros não acham que isto seja verdade”.
As palavras não saíram da boca de qualquer um: é um geneticista norte-americano, que ao lado do cientista britânico Francis Crick, ganharam o Prêmio Nobel, em 1962, pela descoberta da estrutura do DNA.
É elementar, meu caro Watson, que todos os estudos nos ultimos 45 anos, provaram não haver diferenças na inteligência entre etnias, homens e mulheres ou classes sociais.
Não sou cientista, mas minha tese, é que a formação cultural do geneticista tenha uma boa carga de preconceito. As políticas sociais não dão certo na Africa, pois elas são ficticias: não são aplicadas. O dinheiro some no meio caminho. E conheço muitos empregados bem inteligentes, que não tem chance de provar seu papel.

Terça-feira, Outubro 16, 2007

Clara Nunes


Na voz dela foram consagradas as músicas: Você passa eu acho graça, Conto de areia, Canto das três raças e Morena de Angola, dentre outras. Mas desde sua morte repentina, nuam mesa de operação, ninguém conseguiu ocupar o espaço artistico deixado por Clara Nunes na Música Popular Brasileira.
Ela nasceu no interior de Minas Gerais no distrito de Cedro da Cachoeira. Logo na adolescência foi trabalhar numa fábrica quando participou do concurso A Voz do Ouro ABC, vencendo a etapa mineira e terceiro lugar na final, em São Paulo, 1960. A partir daí, conseguiu emprego na Rádio Inconfidência, onde teve um programa exclusivo na TV Itacolomi durante um ano e meio. Além disso, nesta época se apresentava em boates e casas noturnas de espetáculos da cidade onde viveu até 1964, quando mudou-se para o Rio de Janeiro.
O primeiro LP gravado, A voz adorável de Clara Nunes (1966), apresentou um repertório de conhecidos boleros e sambas-canções, mas foi um fracasso comercial. Só começou a cantar samba a partir do segundo, Você passa eu acho graça, em 1968, O primeiro espetáculo realizado foi Sabiá sabiô, paralelamente à gravação do álbum Clara Clarice Clara, que trouxe canções de compositores de escola de samba e MPB, como Caetano Veloso e Dorival Caymmi .
Com o LP Alvorecer de 1974 obteve grande sucesso com a canção Conto de areia. Bateu recordes de vendagem, chegando a quinhentas mil cópias rompendo com o tabu de que cantora não vendia discos. Neste mesmo ano lançou o disco Brasileiro: profissão esperança, ao lado do ator Paulo Gracindo. Os discos que se seguiram a transformaram na maior intérprete de samba do Brasil. O disco seguinte Claridade (1975) vendeu ainda mais do que o anterior.
Alguns anos depois, pode-se observar um maior ecletismo no repertório, que incluiu baiões, baladas e até valsinhas, confirmando assim a grande versatilidade de intérprete, além das canções calcadas no tema do candomblé. A religião, e por caractertísticas dela e por suas indumentárias características: vestidos longos brancos, colares e miçangas, de origem africana.
, Deixa clarear, Derramando lágrimas, dentre outras. O álbum mais vendido foi Brasil Mestiço que ultrapasssou a marca de um milhão de cópias vendidas.
Morreu na madrugada de 2 de abril de 1983, prematuramente, aos 40 anos, depois de vinte e oito dias em coma: ela se internou na Clínica São Vicente, no bairro da Gávea, onde se submeteu a uma operação de varizes na perna esquerda. Sofreu parada cardíaca e paralisação da atividade cerebral, vítima de um choque anafilático.
O corpo foi velado na quadra da Escola de Samba Portela - uma de suas paixões - e sepultado no Cemitério São João Batista.

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

Cotas para negros: avanços e retrocessos.


Quando comecei a debater as cotas para negros nas páginas da Gazeta, em 2002, não esperava poder vislumbrar cinco anos depois as boas noticias sobre a implantação das Ações Afirmativas no Brasil. Na época, o único exemplo do ensino superior estava na Universidade Estadual da Bahia. Aqui, lutávamos para implantar a medida no Imesb e nos concursos públicos em Bebedouro. Deu certo, mas um dia, quando puder conto os bastidores, não foi fácil.
Agora temos cotas em muitas instituições públicas. A justificativa é simples: brancos com o mesmo nível de escolaridade de negros ganham até 40% a mais, em média, para funções equivalentes. É o que constatou o IBGE, a partir dos números de 2006. A média de remuneração dos brancos fica em torno de 3,4 salários mínimos, enquanto que a de negros e pardos não passa de 1,8. A participação de negros e pardos na parcela que representa o 1% mais rico da população brasileira é de apenas 12,4%. Já entre os 10% mais pobres, chega a 73,2%.
E a legalidade jurídica é amparada Ação afirmativa por várias as iniciativas públicas, através de leis, que propiciaram benefícios às pessoas portadoras de deficiência física. Sem esquecer das cotas de 30% das mulheres nas candidaturas.
No livro “Curso de Direito Constitucional Positivo” o jurista Jose Afonsa da Silva argumenta, “É precisamente no Estado Democrático de Direito que se ressalta a relevância da lei, pois ele não pode ficar limitado a um conceito de lei como o que imperou no estado de Direito Clássico; precisa influir na realidade social, impondo mudanças sociais democráticas”.
Porém, vejo perigo na implantação da UNB, Brasília. Lá inventaram um equivocado sistema de decidir a etnia por fotos. Absurdo. Agora mudaram para uma comissão que entrevistara os vestibulandos, candidatos às cotas. Algo semelhante só li no nazismo. A melhor atitude seria a auto-afirmação, ou seja, vale o que o cidadão se declarar no ato da inscrição. Pode ter malandragem? Talvez, mas temos uma legislação para punir que ache “oportuno” se passar por negro.

Terça-feira, Setembro 25, 2007

O polêmico filme Tropa de Elite


Neste final de semana assisti ao polêmico filme do cineasta José Padilha: Tropa de Choque. Seria engraçado se não fosse trágico, o filme é um sucesso nas barracas de camelos das grandes cidades. É chata a atitude da pirataria, mas uma coisa é certa: se muitas pessoas recorrem a este recurso para só para assistir, é um atestado de sucesso.
O roteiro é baseado num livro homônimo, que relata o cotidiano de um oficial deste grupo de especializado da Policia Militar do Rio de Janeiro. Para nós, paulistas, poderá ser chocante a realidade retratada. Mas se algum cineasta aventurar a filmar o livro Rota 66, do jornalista global Caco Barcellos, iremos sentir mais incomodo ainda.
O que vemos em quase uma hora e meia de filme é a mesma situação vivenciada nas das grandes cidades do mundo, principalmente da América Latina. No filme são mostrados três setores da polícia carioca: os corruptos, os omissos e os sonhadores. O primeiro time todo mundo conhece, pois são os mais notórios, apesar de não ser a maioria das corporações. A gente depara com eles nos noticiários policiais, quase sempre presos em flagrante delito.
Os omissos da PM são aqueles que não participam da corrupção, sabem dos fatos, mas dentro deles moram o espírito, “deixa disso” ou pensam assim, “não vai virar nada”. Felizmente ou infelizmente são a maioria. Quando aparecem os escândalos na televisão, fazem questão de justificar para a família, que nunca aceitaram dinheiro por fora, mas não revelam o fato de testemunharem este tipo de crime e permanecerem calados.
O terceiro e menor grupo são os sonhadores: faz parte o menor grupo de policiais, em geral, novatos. Entram com disposição de mudar o sistema, punir os bandidos fora e dentro da corporação. Se forem resistentes, conseguem vencer, senão, pedem transferência para outro setor.
Há cenas de consumo de drogas, tortura e extrema crueldade, praticado por ambos os lados da guerra contra o crime. Não é fácil julgar. O certo mesmo é nem se meter a fazer análises profundas sobre o assunto.
O diagnóstico do problema é feito pelo personagem do ator Wagner Moura: o sistema é assim. Um ex-graduado da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro disse: a PM existe para conter a revolta dos morros, não para combater o crime. Estabelecem a linha social, para que os favelados continuem convivendo com os traficantes; e turistas possam passear tranqüilos pelas praias da Cidade Maravilhosa.
O filme Tropa de Elite é obrigatório para todos brasileiros. Só faltou no final da exibição no cinema a bandeira nacional, á tremular, e lermos lá ironicamente: Ordem e Progresso. Pra quem?

Segunda-feira, Março 26, 2007


Charles Fox, William Wilberforce e Lord Grenville foram os pioneiros da lei queaboliu a escravatura, que passou na Câmara dos Comuns por 144 votos a favor e 15contra, tornando a prática de traficar ou transportar escravos ilegal.
Foi o primeiro passo para colocar fim a uma das práticas mais cruéis na históriada humanidade, e outras nações iriam seguir o exemplo ao longo do século XIX.
A documentação não providencia cifras exactas sobre o número de vítimas, masexiste um consenso que cerca de 10 milhões de pessoas foram esforçados a sairdos seus lares na África Ocidental, foram vendidas aos traficantes, mantidas emcondições deploráveis nos navios, e depois vendidas aos donos das plantações nasAméricas.
Dado que cerca de metade dos escravos morriam na travessia do oceano,pode estimar-se que o número total de pessoas traficadas como escravos entremeados do século XVI e o início do século XIX foi cerca de 20 milhões de homens,mulheres e crianças.“Deplorável” é uma palavra que não serve para descrever as condições de pesadeloem que estas pessoas se encontravam.
Esforçadas a estarem deitados ou sentados,sem quaisquer condições sanitárias ou higiénicas, chegavam ao seu destino atéseis meses depois, quanto melhor, num mar de excremento. Ou pior, mortos.Contudo, a escravatura continua a existir hoje, 25 de Março de 2007. Estima-seque existem até 10 milhões de crianças a trabalharem como escravos sexuais.Existem cerca de meio milhão de crianças soldados.
Existem 27.000.000 de pessoas esforçados a trabalhar sem salário, ou por salários simbólicos. E existe aescravatura na União Europeia, onde cada ano 400.000 pessoas caem vítimas aotráfico em seres humanos.Como podemos celebrar este dia hoje, dia 25 de Março de 2007, se na Mauritânia,um escravo negro é negociado por 11 Euros, no Sudão, custa 64 Euros, e se naÍndia, Paquistão e Bangladesh, o negócio esclavagista continua a render 25milhões de Euro por ano?
Timothy BANCROFT-HINCHEYPRAVDA.Ru

Sexta-feira, Março 16, 2007

Lewis Hamilton - O primeiro piloto negro da Fórmula 1

Uma das novidades da Fórmula 1 é a participação do piloto negro Lewis Hamilton, filho de imigrantes da ilha caribenha de Granada. Ela vai corrrer pela lendária Maclaren. Sua ida para à equipe foi bancada pela fábrica de motores Mercedes.
Com 22 anos, ele é uma das apostas da equipe apra voltar a vencer na competição.
O mais próximo que um negro tinha chegado do circuito concorrido da Fórmula 1, foi com o piloto de teste Wlly Ribbs, pela equipe Brabham, um piloto que também foi pioneiro nas provas de 500 milhas de Indianápolis - prova de velocidade e resistência.
Um dos episódios tristes da Fórmula 1, ocorreu em 1963, em Jacksonville, Flórida, quando o piloto negro Wendell Scott, mesmo vencedor de uma prova do Nascar, no dia 1º de dezembro de 1963, só lhe entregaram o troféu, quando o público tinha ido embora.
O sucesso de Lewis poderá abrir as portas para outros negros aparecerem neste esporte.
Torçamos por ele.

Quinta-feira, Março 15, 2007

Dona Tereza


Morreu na segunda-feira (12), a primeira pessoa que me deu Consciência Negra, minha mãe. Ela me ensinou a nunca andar de cabeça baixa, responder as ofensas raciais e nunca correr de uma briga justa. Também me ensinou a respeitar e amar as mulheres negras. E o mais importante: tinha orgulho da minha luta contra o racismo, tanto é que no domingo pedia para que eu checasse uma historia de uma prima que teria sido discriminada no trabalho.Agora, minha missão é seguir adiante, sempre honrado tudo que ela me ensinou e ficar atenta a sua inspiração.

Terça-feira, Março 13, 2007

The Frog Princess



No princípio, era a Branca de Neve. Agora, tudo mudou. No final da semana passada, a fechar a sua reunião anual de accionistas, a Walt Disney anunciou, em Nova Orleães, o início da produção do seu novo filme de animação clássica, The Frog Princess, que tem por heroína uma jovem negra chamada Maddy, residente no Bairro Francês da cidade que o Katrina devastou.Descrito como "um conto de fadas americano" pelo realizador e director da Disney e da Pixar John Lasseter, No princípio, era a Branca de Neve. Agora, tudo mudou. No final da semana passada, a fechar a sua reunião anual de accionistas, a Walt Disney anunciou, em Nova Orleães, o início da produção do seu novo filme de animação clássica, The Frog Princess, que tem por heroína uma jovem negra chamada Maddy, residente no Bairro Francês da cidade que o Katrina devastou.Descrito como "um conto de fadas americano" pelo realizador e director da Disney e da Pixar John Lasseter, The Frog Princess foi já classificado por alguns jornais como mais um exemplo da actual estratégia artística e de marketing da companhia, que sublinha a sua orientação "multicultural" e a "diversidade" das personagens das suas animações mais importantes.A verdade é que já há bastante tempo que as princesas das longas--metragens animadas da Disney deixaram de ser europeias para passarem a ser multirraciais - é o caso das três últimas, em Aladdin, Pocahontas e Mulan. O que de modo algum tem livrado os estúdios do rato Mickey de acusações de estereotipação racial, e de continuarem a ser politicamente incorrectos.Protestos atrás de protestosEm 1993, quando da estreia de Aladdin, a primeira longa-metragem animada dos estúdios com uma princesa "étnica", a árabe Jasmine, choveram protestos da parte de organizações muçulmanas, acusando o filme, entre outras coisas, de uma visão "racista" do Médio Oriente e de excesso de "sensualidade" no desenho da jovem heroína.Seguiu-se, em 1995, Pocahontas, baseado na história da princesa índia homónima e de John Smith, um dos primeiros colonos do Novo Mundo. Mais protestos, agora de organizações nativas americanas, pelo facto dos animadores da Disney terem criado Pocahontas em grande parte baseados na cara e na figura da top model Naomi Campbell, em vez de terem optado apenas por raparigas índias. O filme mais consensual foi Mulan, de 1998, baseado numa velha lenda chinesa em que a heroína que se disfarça de homem para combater o invasor huno.Em todos estes filmes há uma mensagem de harmonia inter-racial e certamente que The Princess Frog não fugirá a esta orientação. E também de certeza que, uma vez o filme nos cinemas, surgirão vozes descontentes, acusando-o, e à Disney, de paternalismo cultural. E e à princesa negra de ser mais um cliché racial para a colecção da casa.

Sexta-feira, Março 09, 2007

Taís Araujo - Linda demais!


Maçonaria e o Abolicionismo



Um dia destes entrei pela primeira vez em uma Loja Maçônica. Cheio de rituais, de cara não me simpatizei com o lugar. Mas acabei me sentido forçado a fazer uma pesquisa sobre a Maçonaria e os negros. Fiquei surpreso.
Durante os 50 anos de luta abolicionista, as lojas maçônicas participaram de forma decisiva da luta para libertação das pessoas escravizadas. E três figuras afro-brasileiras eram maçons: o engenheiro André Rebouças, o advogado Luiz Gama e o jornalista José do Patrocínio.
Os três percorreram o país com apoio de lojas maçônicas divulgando a necessidade do abolicionismo.
Outro apoiador era o intelectual, político e também advogado Rui Barbosa, considera inclusive na época um mulato, o que na verdade não era. Ele pertencia a Loja América de São Paulo. Nesta mesma loja, no dia 7 de julho de 1868, Barbosa teria lido um projeto de Abolição com as seguintes propostas todas as lojas maçônicas: todas deveriam aderir ao abolicionismo e criar condições para capacitá-lo profissionalmente; deveriam criar um fundo especial para comprar alforrias de crianças escravas, e mesmo de adultos; incentivariam a criação de escolas diurnas e noturnas para a educação dos ex-escravos, comoforma de reparação pelo crime do escravismo.
A proposta de Rui Barbosa também dizia que ninguém poderia ser considerado maçom se mantivesse posse de escravos ou fosse traficantes de pessoas escravizadas.
Este documento influenciou todas lojas maçônicas no Brasil. A prova disto está no Amazonas, onde uma maçonaria comprou um jornal e passou a veicular a luta abolicionista. No Ceará, o primeiro estado a libertarem escravos, o então governador maçom Sátiro Dias assinou decreto extinguindo a escravidão naquele estado, em 1884. A dúvida de hoje é saber por que a proposta de Rui Barbosa não vingou.
Era uma verdadeira reforma social, endossada por nomes como:Joaquim Nabuco de Araújo, Pimenta Bueno e Eusébio de Queiroz.
Mas é bom citar que a maçonaria é feita por homens, que são em alguns casos progressistas ou conservadores. Igual o Congresso e Câmaras Municipais.

Quarta-feira, Março 07, 2007

Ouço isto quase todo dia...

Sexta-feira, Março 02, 2007

MACY GRAY


MACY GRAY


“...I try to say good-bye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear,
My world crumbles when you are not near
Good-bye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear,
My world crumbles when you are not near...”

Aos ouvir estes versos da música I Try, ou seja, Eu tento, eu adoro e me delicio com esta voz sensacional de Macy Gray, nascida em Canton, estado de Ohio, ela começou a carreira,tarde, quase tarde, aos 30 anos. Sua formação musical foi desde pequena ouvir muitos discos de R & B, de gente de alto calibre como Sly Stone, James Brown, Marvin Gaye e Stevie Wonder.
Depois, mudou-se para Los Angeles, onde conheceu artistas do mundo musical. Paralelamente foi procurando gravadoras com suas musicas. E uma das fitas demos impressionou a gravadora Epic/Sony que acabou por contratá-la em abril de 1998.
Seu primeiro produtor foi Andrew Slater, que lançou seu disco “On How Life Is”, no ano de 1999. Cheio de suingue o disco foi um sucesso vendendo aproximadamente 2 milhões de cópias. E ela ainda ganhou o premio na Inglaterra de Melhor Artista Solo e Revelação daquele ano.
Hoje não paro de ouví-la.

Marvin Gaye





Marvin Gaye

Let's Get It On

I've been really tryin', baby


Tryin' to hold back this feelin' for so long


And if you feel like I feel, baby


Then come on, oh come on


Let's get it on, oh baby


Let's get it on


Let's love, baby


Let's get it on


Sugar, let's get it on

Lembro até hoje o dia de seu assassinato em 1984. Suas músicas fizeram parte da minha juventude. Marvin Gaye, nasceu em 1939, tornando-se anos depois a perfeita tradução da palavra “Soul Man”.
Ele passou inicialmente por alguns grupos vocais até lançar em carreira solo o disco: “The Soulful Moods Of”, em 1961, indo direto para as paradas de sucesso com as músicas “How Deep Is The Ocean?” e “How High The Moon”.
Nas décadas de 60 e 70 continuou lançando clássicos e duetos com as belas divas Mary Wells, Kim Weston e Tammi Terrell. A parceria com Tammi Terrell parece ter sido a mais dolorosa. Embora eles não fossem namorados, como era comentado nos bastidores a morte dela, vitimado por um tumor no cérebro em 1970, deixou Marvin em depressão.
“What’s Going On” de 1971, cuja canção homônima chegou a ser recusado pela gravadora que não a considerou comercial o suficiente, é marco musical, com uma letra consciente, em plena Guerra do Vietnam. Em 1974 lança o disco “Live!”, e em 1978 “Here My Dear”, de 1978, onde as letras são inspiradas no fim do casamento com Anna, também tiveram ótima repercussão.Logo que seu divórcio foi concluído, casou-se com Janis Hunter. Desta união nasceram dois filhos.
Os anos 80 foram o ápice de sua carreira, com “Midnight Love”, que trazia o ‘hit’ “Sexual Healing”. Quantas vezes eu vi este clip. A letra é sensual e a batida envolvente.

Marvin tornou-se o principal artista da famosa gravadora Motown quando, infelizmente, um fato trágico fez o cantor se calar. No dia 1º de abril de 1984, véspera de seu aniversário, quando completaria 45 anos, Marvin Gaye foi assassinado pelo próprio pai, após um desentendimento familiar.
Nos anos seguintes, seus álbuns foram relançados e a coletânea “Very Best Of” chegou às lojas em 2001. A gravadora Motown também lançou gravações ao vivo e material raro depois da morte do músico.

Quinta-feira, Março 01, 2007

Um livro difícil de comprar.

Mesmo lançado com grande repercussão na imprensa, com direito a artigos e até editoriais favoráveis o livro do jornalista Ali Kamel, teima em permanecer nas prateleiras das livrarias, encalhado. Num texto que beira a arrogância, o autor tece argumentos duvidosos contra as ações afirmativas e todos os projetos de lei, em processo de votação no Congresso Nacional.
Na época, nem perdi tempo em comentar os equívocos dentro deste livro. Mas grandes personalidades do Movimento Negro fizeram com maestria.
Agora, o livro pode ser comprado por módicos R$ 15, 00, entretanto ainda assim é caro, pois os dados oficiais do IBGE e outras pesquisas mostram a necessidade da aplicação de cotas no Brasil.
Tomara que o livro não tenha se beneficiado de incentivos culturais, pois a população negra, também contribuinte em impostos, estaria sendo lesada duas vezes.
Acredito que um dia Ali Kamel tenha consciência da grande colaboração que deu para os racistas deste país.
Ele não é racista, mas o livro é.

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Vem ai a nova novela da Rede Globo...enquanto isso...


Mais uma batalha: MP da Bahia e Rede Globo






Demorou mais aconteceu: o Ministério Público da Bahia entrou com uma ação de tutela coletiva e indenizatória contra a Rede Globo, por causa da novela Sinhá Moça. Um das exigências da ação judicial é obrigar a emissora carioca a produzir no mesmo horário uma novela, que corrija os erros históricos sobre a luta da população negra por sua libertação e também sobre o abolicionismo.
A decisão de processar a Globo foi tomada após a realização de um inquérito civil, instaurado em maio do ano passado, para investigar se “Sinhá Moça” teria deturpado a história da escravidão e prejudicado a auto-estima da população negra e afrodescendente. Segundo Soares Filho, a novela errou ao mostrar o negro extremamente passivo e sofredor, incapaz de se libertar a não ser por intermédio de heróis brancos.
Baseada no romance de mesmo nome escrito por Maria Dezonne Pacheco Fernandes, adaptado pela Globo pela primeira vez em 1986, “Sinhá Moça” é considerada uma obra abolicionista. Para o promotor Soares Filho, porém, a última versão possui “inúmeras cenas de graves ofensas racistas, agredindo moral, física e psicologicamente homens e mulheres negras”.
Titular da 2ª Promotoria de Justiça da Cidadania de Salvador, Soares Filho afirma ainda no documento que, “ao veicular cenas de brutais ofensas racistas (físicas e morais) contra homens, mulheres e crianças negras, sem o devido contraponto de mostrar a capacidade de luta, a coragem, a inteligência e a incrível força moral e espiritual dessas vítimas, a Rede Globo de Televisão transmitiu uma mensagem extremamente negativa” para os afrodescendentes.
A ação corre na 3ª Vara Cível de Salvador, cuja titular, juíza Letéia Braga, solicitou a citação do diretor da Rede Globo, Octávio Florisbal, no Rio de Janeiro. Na época da abertura do inquérito civil, a emissora se defendeu das acusações de deturpação histórica e ofensa à dignidade dos negros afirmando que “Sinhá Moça” é uma obra literária e, portanto, caracterizada pela ficção.
O promotor, no entanto, não se convenceu com o argumento e procurou subsidiar sua tese na opinião de especialistas e estudiosos. Entre outros pontos, a ação lembra que, à época da abolição da escravatura, período em que “Sinhá Moça” se passa, a grande maioria dos negros já se encontrava livre ou alforriada. Alguns deles, inclusive, como o engenheiro baiano André Rebouças (1838-1898) e o jornalista fluminense José do Patrocínio (1854-1905), faziam parte da elite e se engajaram na luta pela abolição, formalizada em 1888, com a assinatura da Lei Áurea.
Para escrever a versão ‘historicamente correta’ de “Sinhá Moça”, o promotor pede que o autor da novela, Benedito Ruy Barbosa, seja orientado “por doutores em história previamente aprovados pelo Ministério Público”.

Cafundó.


Garimpando entre Dvds achei o filme Cafundó, estrelado pelo sempre eficiente Lázaro Ramos, dirigido pelo Paulo Betti, que fez da história um projeto pessoal. Vale a pena por vários aspectos. Primeiro porque ele narra a biografia de João de Camargo, líder negro religioso, que viveu na primeira metade no século XX, em Sorocaba.
Uma coisa que precisa urgente é uma revisão é o papel da comunidade na Igreja Católica. Através das irmandades negras e de pessoas como João de Camargo, teve uma caracterização forte e bem cultural.
João era escravo, depois se tornou tropeiro, e após um casamento frustrado, converte-se em religioso. Há inclusive o conflito entre religiões de matriz africana e o catolicismo, representado na figura de Flávio Bauraqui, que leva para as telas um Exu, pra lá de perfeito. Bom para aqueles que ainda pensam que o orixá é sinônimo de demônio. Ledo engano.
O filme tem defeitos de roteiro e montagem, mas nada que comprometa o produto final.
Vejam e tirem suas próprias conclusões.
Pra mim ele foi um Padre Cícero negro, do interior paulista. Mas sem o viés político que tinha o cearense.

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Jennifer Hudson + outra linda afro-americana premiada no Oscar

Texto retirado do Uol


Jennifer Hudson, uma carismática jovem de 25 anos que em 2004 foi uma das finalistas do "reality show" "American Idol", conseguiu dois anos mais tarde entrar para o elenco do musical "Dreamgirls - Em Busca de um Sonho", que rendeu glória e o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.Ela nunca estudou canto ou interpretação, mas revelou que sua meta desde pequena era virar uma estrela.No entanto, nem nos melhores sonhos imaginava que teria uma noite como a de domingo, na qual superou atrizes consagradas como a australiana Cate Blanchet ("Notas Sobre um Escândalo") e a mexicana Adriana Barraza ("Babel"), ou jovens talentos como a japonesa Rinko Kikuchi ("Babel") e Abigail Breslin ("Pequena Miss Sunshine").Dois anos depois da derrota no "American Idol", a jovem conseguiu fama e ofertas de trabalho que nenhum vencedor do 'reality' consegue.Pouco depois da participação no programa, Jennifer Hudson deu o troco na algoz, Fantasia Barrino, ao derrotar a vencedora do "American Idol" em um teste para um musical.Na ocasião, o cineasta Bill Condon procurava alguém com voz intensa para interpretar a heroína Effie White, papel que chega a ofuscar a estrela Beyoncé e que rendeu a Jennifer Hudson prêmios importantes como o Globo de Ouro e a estatueta do Sindicato dos Atores dos Estados Unidos (SAG)."Nunca perdi as esperanças de interpretar Effie. Sempre mantive a fé", disse à imprensa após o Globo de Ouro em janeiro.
Para ficar com o papel no qual brilha mais que pesos pesados como Jamie Foxx, Beyoncé Knowles e Eddie Murphy neste musical sobre a carreira de um grupo de soul famoso nas décadas de 60 e 70, Hudson concorreu com 782 candidatas.Jennifer Hudson nasceu em Chicago, onde integrou durante anos um coral gospel. Também trabalhou como animadora infantil em um cruzeiro da Disney, no qual cantava músicas do filme "Hércules". Em "Dreamgirls", o destaque fica por conta de sua interpretação de "And I'm Telling you I'm not Going".No plano musical, já assinou um contrato com o produtor Clive Davis, da Arista Records, que lançou carreiras tão diversas como as de Janis Joplin, Whitney Houston, Justin Timberlake e Christina Aguilera. A Variety, bíblia do entretenimento de Hollywood, afirma que a estrela emergente lembra as trajetórias de Barbra Streisand e Bette Midler, e até mesmo "uma jovem Aretha Franklin".

Posted by Picasa

Idi Amin Dada


Uma das poucas novidades da noite do Oscar foi a indicação do ator afro-americano Forest Whittaker, por sua interpretação do ditador de Uganda, Idi Amin, no filme: The Last King of Scotland – O Último Rei da Escócia. Tenho que salientar, que a produção é ainda um pouco maniqueísta, quando faz a tragédia africana, ser trazida na ótica de um europeu, que pra variar, só está sem cena para tentar civilizar o dirigente ugandense.
Abaixo forneço a biografia de Idi Amim retirada do site Netsaber. O que eu posso resumir é que ele foi um dos bonecos, colocados no poder pelos Estados Unidos, durante o período da Guerra Fria contra a União Soviética, que no final detonou vários paises africanos e latino-americanos.
Mas ainda assim, por curiosidade, acho que o filme deve ser visto. Eu assistirei.

Biografia

O ex-ditador de Uganda nascido em uma pequena tribo de camponeses muçulmanos de Kakwa, nas margens do Nilo e um dos distritos mais remotos de Uganda, um dos déspotas mais sanguinários da África, considerado culpado pela morte de dezenas de milhares de ugandenses, que tomou o poder em um golpe militar (1971), derrubando o presidente Milton Obote. Alistado no Exército britânico, onde foi ajudante de cozinheiro do regimento britânico King's African Rifles, e impressionou com seu 1,90 metro de altura, seus 110 kg e sua habilidade pugilística, que o converteram em campeão de boxe na categoria peso pesado de seu país (1951-1960). Após a independência do país (1962) tornou-se chefe do Exército (1966) do presidente Milton Obote. Após o golpe de estado, depois de alguns meses de moderação, iniciou rapidamente a arbitrariedade como estilo de governo que durante oito anos (1971-1979) de um regime brutal deixou um país arruinado e centenas de milhares de pessoas assassinadas. Demonstrando um temperamento megalômano, vingativo e violento, expulsou (1972) cerca de 40 mil asiáticos, descendentes de imigrantes do império britânico na Índia, dizendo que Deus lhe havia dito para transformar Uganda em um país de homens negros. Uma figura grande e imponente, seu comportamento excêntrico criou a imagem de um bufão dado a explosões irregulares e foi chamado de Bug Daddy. Uma vez se declarou rei da Escócia, proibiu hippies e minissaias, e chegou a um funeral da realeza saudita usando um kilt. Certa vez (1999) disse a um jornal ugandense que ele gostava de tocar acordeão e de recitar o Alcorão. Depois de assumir o poder (1971), tornou-se um ditador que violava os direitos humanos fundamentais durante um "reinado de horror", segundo a Comissão Internacional de Juristas. Expressava admiração por Adolf Hitler, foi denunciado dentro e fora do continente africano por matar dezenas de milhares de pessoas durante seu governo (1971-1979). Algumas estimativas dizem que o número ultrapassa as 100 mil pessoas. Muitos ugandenses acusavam o ex-campeão de box de manter cabeças decepadas em uma geladeira, de alimentar crocodilos com cadáveres e de ter desmembrado uma de suas esposas. Alguns diziam que ele praticava canibalismo. Rompeu relações diplomáticas com Israel e ordena a expulsão de 90 mil asiáticos, a maioria comerciantes indianos e paquistaneses, e de vários judeus (1972). Foi recebido (1975) pelo papa João Paulo VI como chefe em exercício da Organização da Unidade Africana. Foi notícia internacional (1976) quando, depois do seqüestro de um avião da Air France por um comando palestino, uma força aérea israelense atacou o aeroporto de Entebbe, a 37 km de Campala, libertando todos reféns são libertados. O ataque deixou 31 mortos, entre eles 20 ugandenses, uma intervenção que foi encarada como uma humilhação pessoal. Rompeu (1976) relações diplomáticas com o Reino Unido e, dois anos depois.fracassou um atentado contra ele nos subúrbios de Campala. Exilado na Tanzânia o líder por ele derrubado Milton Obote convocou um levante (1979) e, no dia 11 de abril, o ditador foi derrubado pela Frente Nacional de Libertação de Uganda (FNLU), pelas forças do presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, e de exilados ugandenses, e um novo regime, dirigido por Yusuf Lule, chefe do FNLU, também seria destituído no dia 20 de junho por Godfrey Binaisa.


Abandonou então o país e fugiu para a Líbia, mas teve de buscar um novo refúgio quando o ditador líbio Muammar Gaddafi o expulsou do país. Recebeu asilo da Arábia Saudita em nome da caridade islâmica, onde passou a viver até o fim de sua vida, aconhado por suas quatro esposas e seus mais de 50 filhos. Quando seu estado de saúde agravou-se, em julho, uma de suas quatro mulheres pediu que pudesse voltar a Uganda para morrer, mas o atual governo negou o pedido, sob o argumento que se retornasse ao país seria julgado por seus atrocidades. Gravemente doente foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo e morreu no Hospital Especialista Rei Faisal, em Jeddah, Arábia Saudita, de complicações devido à falência múltipla de órgãos. Foi enterrado na cidade saudita de Jeddah, onde ele vivia na maior parte do tempo desde que foi deposto (1979) em um pequeno funeral na Arábia Saudita, horas depois de sua morte no sábado, 16 de agosto. Os ugandenses reagiram com uma mistura de alívio com a morte de um tirano e nostalgia por um líder que muitos aplaudiram por expulsar asiáticos que dominavam a vida econômica.
Posted by Picasa

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

A ancestralidade de Whoopy Goldberg está na Guiné Bissau.




As análises de DNA realizadas pelo laboratório “African Ancestor”, especialista em afro-americanos, no campo da genealogia e da genética, provou as origens guineenses da atriz. Seus ancestrais vieram de Ome, a 45 Km de Bissau; e ela pertence ao grupo Papel e Bayote. Quando os jornalistas da Associated Press, que têm posto em Ome, mostraram uma fato da atriz a Iye Faustino, um morador da região, de 28 anos, ele assegurou aos jornalistas que “esta mulher deve ser papel. As formas de sua boca e de seu nariz lembram muito os nossos”...........Whoopy Goldberg não é a única a recorrer à genética para reencontrar suas raízes. Este método é usado cada dia mais. Graças às pesquisas levadas a cabo durante 20 anos sobre a descrição do genoma humano, é muito possível reconstituir a história de famílias, não mais pelos arquivos do estado, mas decifrando os cromossomos. Depois de cinco anos, as dezenas de laboratórios nos Estados Unidos e na Grã Bretanha, como “Family Tree DNA”, em Houston e “Oxford Ancestry”, em Cambridge, se lançaram nesse trabalho.íntegra, em francês: http://www.afrik.com/article11173.html

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

John legend

Ando ouvindo muito este cara, principalmente por causa das letras.
Ordinary People (tradução)
John Legend
Garota, estou apaixonado por você
Não é a lua-de-mel
Acabou a fase de paixão passageira
(Estamos) exatamente na parte mais densa do amor
Às vezes ficamos doentes de amor
Parece que brigamos todos os dias
Este músico cheio de talento possui uma licenciatura em Inglês da Universidade da Pensilvânia e participou nos álbuns de Lauryn Hill, Kanye West, Britney Spears, Alicia Keys, Black Eyed Peas, Jay-Z e Janet Jackson.Contudo, em 2005, John Stephens tornou-se mundialmente conhecido como John Legend e o seu extraordinário impacto no panorama musical significa que já não precisa de apresentar o seu CV a ninguém.Os amigos deram-lhe a alcunha de "Legend" (Lenda) devido à sua voz e estilo, que evocam os heróis passados da soul e R&B.Agora, enquanto o vencedor de três GRAMMY® trabalha no sucessor do primeiro álbum, Get Lifted, que vendeu milhões de cópias, a alcunha amigável parece mais uma profecia inspirada de uma sensação da música.
Contudo, a ligação de Legend com públicos de todas as idades e gostos em todo o mundo não se deve apenas ao facto de ser uma representação talentosa de heróis passados.Ao passo que a sua voz foi comparada a Marvin Gaye, Bill Withers e Stevie Wonder, as suas letras variam entre temas familiares da soul e temas contemporâneos que esperaria encontrar num álbum recente de R&B ou hip hop.Um bom exemplo é Number One. Enquanto a música utiliza um sample clássico de uma música de Curtis Mayfield, a voz do artista convidado pertence à pedra preciosa do hip hop (e amigo íntimo de Legend), Kanye West.A história de um homem que implora perdão após ter sido apanhado a trair a sua namorada é material de música soul, mas o estilo de letra, distintamente de "rua", que menciona telemóveis e o eBay, cria uma mistura irresistível e original entre o antigo e o novo.O tema percorre o álbum, desde o gospel-soul alegre de Let’s Get Lifted ao ritmo sensual de Alright e da sentida I Can Change, com Snoop Dogg, à mordacidade humilde de Ordinary People.
Esteve muito tempo à espera de atingir a ribalta, e agora que a atingiu numa escala tão extraordinária bem que se pode perdoar John Legend por se sentir algo confundido.Contudo, este não é o seu verdadeiro estilo. Em vez de se limitar a desfrutar do facto de ser o centro das atenções, Legend já está a implementar o seu plano para dominar a indústria discográfica… e mesmo a indústria cinematográfica.Para além de estar trabalhar em estúdio no sucessor de Get Lifted e em projectos conjuntos com Kanye West, Common e Will.i.am, John irá desempenhar o papel de Lionel Richie na biografia de Marvin Gaye.Quando o filme, intitulado Sexual Healing, for lançado em 2007, pode transformar John Stephens do Ohio numa das maiores e mais talentosas estrelas do planeta. Talvez mesmo numa lenda…

Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Barack Obama – O 1º presidente negro dos EUA?

Não será a primeira tentativa, mas está parece ser a mais forte investida de um político afro-americano em direção a Casa Branca. O senador democrata pelo estado de Illinois, Barack Obama, terá que vencer a também senador e ex-primeira-dama Hilary Clinton na disputa pela cadeira de George W. Bush. Apenas a ativista negra, Ângela Davis, conseguiu ser submetida as urnas através do Partido Comunista dos Estados Unidos. O pastor Jesse Jackson sempre foi o grande nome para representar os negros nos Estados Unidos, mas sempre foi preterido.
Obama nasceu no dia 4 de agosto de 1961, no Havaí, em Keyne, filho de um diplomata. Freqüentou os melhores colégios, sempre vivendo em várias partes do mundo por causa da profissão do pai. Destacou-se politicamente como um advogado defensor de causas humanitárias e pelos direitos civis, especialista em direito constitucional, formado por Harvard. É extremamente querido pela mídia.
Mas enfrentará Hilary Clinton, que dizem alguns analistas, é mais forte e implacável que o ex-presidente Bill Clinton, entretanto carecendo de carisma político. Além disto, ela tem um forte poderio econômico de grupos financeiros interessados na volta do esquema dos oitos anos Clinton, de extremo desenvolvimento econômico.
Para nós, negros brasileiros, a eleição de Obama mudará pouco nossas vidas. Nem acredito que a eleição de um presidente afro-brasileiros seria a solução para eliminação das desigualdades raciais no país. O problema é muito mais profundo, e necessita que um programa nacional sério, de longo prazo, para que tenhamos no futuro negros e brancos no mesmo patamar social.
Entretanto, se o senador Obama vencer as primárias do Partido Democrata e passar o candidato dos Republicanos, que pode ser a também negra Condolezza Rice, tornará um ícone mundial. Será o presidente do país mais poderoso do mundo, inspirando que jovens negros em todo o mundo sonhem em alçar maiores vôos. Também será um recado para os políticos brasileiros, que em geral, sem exceção mantém em suas presidências e direções uma só etnia.É incrível, o Brasil não tenha vergonha de se olhar no espelho e achar normal, que sejam raros os prefeitos, governadores, senadores e deputados negros.
 Posted by Picasa

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

TUPAC SHAKUR

until the end of time


Acho que eu era viciado em fazer coisas erradas
Em algum lugar perdido da minha infância meu coração morreu
E mesmo que nós dois tenhamos nascido no mesmo lugar
O dinheiro e a fama nos fizeram mudar de lugar
Como isso pode acontecer, por toda a miséria
Que tivemos que passar
Os tempos dificeis
fazem um verdadeiro amigo ficar receoso de vir até você
Pedir por dinheiro
Você pode vir até mim quando precisar
Nunca vou deixar alguém acreditar nessa merda que nós vemos
Isto é uma coisa pequena de verdade
O que eu posso fazer? Amigos de verdades ajudam você a enfrentar os problemas
E se houver novidades ele vai fazer o mesmo se ele puder
Porque no gueto os amigos de verdade ajudam você a se sentir bem
Tempos bons eram aqueles que nós zuavamos pra caramba, chama a policia
Acabando com a paz que estava na minha quebrada
Isto nunca vai acabar, quando minha mãe me perguntava se eu ia mudar
Eu dizia pra ela que sim mas é óbvio que eu vou ser sempre o mesmo
Até o fim dos tempos

Troque essas asas quebradas
Eu preciso de sua ajuda aqui para me curar mais uma vez
Até o fim dos tempos
Então eu poderei voar
Até o fim dos tempos
Até o fim dos tempos
Até o fim dos tempos

Por favor Senhor me perdoe por essa minha vida de pecados
Meu olhar de mau parece que assusta todos os meus sobrinhos
Porque você sabe, eu não fico muito tempo em casa
Toda noite saindo pra ganhar dinheiro me fez perder o contato, droga
Não dou um sorriso faz um tempo
Um nascimento inesperado é o pior para as crianças do gueto
Minhas atitudes me deixaram andando sozinho
Dando rolê sozinho no meu Lowrider
Vendo o mundo todo em câmera lenta
As vezes sumia para ficar ouvindo o oceano
Fumando uns Newports ficava pensando e depois voltava pra minha vida
Em quem eu posso confiar nesse mundo frio
O pilantra do meu mano teve um filho com minha ex-mina
Mas não fiquei injuriado
Eu sou um jogador, eu não matei ele
Eu comi a irmã dele, fiz ela gemer como uma mexicana
Sua parente mesmo
Sem remorsos, isto tinha que acontecer
Depois de rimar a unica coisa que eu era bom era numa transa
Até o fim dos tempos

Ha ha
Agora quem tem o dom de dizer que eu estava certo ou errado
Em viver minha vida como um fora da lei solitário
Continuei forte neste mundo cheio de invejosos
Só ficam falando mas na Death Row tá cheio de exemplos
E no fim de tudo bebendo Hennessey, todos os meus inimigos com inveja de mim
Eles somem quando eu rimo esclarecendo facilmente as coisas
Eles caem de joelhos, e imploram pelo seu direito de respirar
Enquanto me implorar para manter a paz
Ha ha
Bem, acho que isto está perto de acontecer
Em tempos de perigo não trema, é hora de ser um homem
Siga meus ensinamentos, eu lhe darei tudo oque você precisar
Um pouco de habilidade e uns treinamentos para ser um gangsta
Lembre de mim como um fora da lei filho da mãe
Outro album meu saindo, é só pra isso que eu vivo
Cada vez mais louco até eu ver o meu caixão
Enterrado como um gangsta enquanto o mundo todo se lembra de mim
Até o fim dos tempos

[Refrão] 2x

E um anjo desde do céu e me leva
Lembrem se de mim
E meu filho está só agora
Até o fim dos tempos
Até o fim dos tempos

Talvez esse seja o bandido em mim...

"O tempo em breve mostrará, um pensamento pode durar por anos"


Natural de Bronx, New York, Tupac Amaru Shakur nasceu em 1971, com o nome de Lesanne Crooks. O significado do nome pelo qual o conhecemos é especial. Tupac Amaru é um nome inca que traduz serpente resplandecente e Shakur é um nome egípcio que se traduz por grato a Deus.
Em 1981, a família de Tupac mudou-se para Baltimore, para que este frequentasse o Liceu de Artes da dita cidade. É nesta fase que Tupac escreve o seu primeiro rap, então, sob o nome de MC New York.
Mais tarde, em Junho de 1988, a sua família muda-se para Marin City, uma cidade vizinha de Oakland, na California. Aqui, Tupac envolve-se com verdadeiros marginais e começa a vender droga. Em Agosto do mesmo ano, o padrasto de Tupac, Mutulu Shakur, é preso e sentenciado a 60 anos de cadeia devido a um crime alegadamente cometido pelo mesmo em 1981.
Em 1990, Tupac junta-se ao grupo Digital Underground, desempenhando um papel de rapper e dançarino. Em 1991 e enquanto membro deste grupo que foi nomeado pela Academia dos Grammys, ele destaca-se na música Same Song do álbum This Is Na Ep Release e no álbum Sons Of The P.
Nesse mesmo ano, o rapper alcançou reconhecimento individual com o álbum 2Pacalypse Now, do qual resultaram os singles bem sucedidos, Trapped e Brenda´s Got A Baby. A polémica em redor deste álbum que falava de polícias sendo assassinados, trouxe a 2Pac alguma popularidade e o rótulo de rapper marginal e socialmente incorrecto começava a ser definido em Tupac.
No ano seguinte, Tupac participa no filme de Earnest Dickerson, Juice. Em 1993, é lançado o segundo álbum a solo do rapper, intitulado de Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z., este com uma aceitação ainda mais forte que resultou num enorme número de cópias vendidas. Note-se que houve sempre uma tendência em duplicar o número de vendas dos álbuns de 2Pac de álbum para álbum até o All Eyez On Me. Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z. produziu os singles, I Get Around, Keep Ya Head Up e Papa´z Song. Nesse mesmo ano contracenou com Janet Jackson no filme Poetic Justice.Em 1994, Tupac apareceu associado ao grupo Thug Life na banda sonora do filme protagonizado por ele próprio, Above The Rim e no próprio álbum do grupo, Volume 1.
Durante uma rixa perto dos estúdios de gravação em New York, Tupac é baleado cinco vezes, tendo sido disparados dois tiros na cabeça. Miraculosamente o rapper sobreviveu, tendo atribuído as culpas do incidente ao seu amigo de longa data Christopher Wallace (The Notorious B.I.G.). Contudo nunca houveram provas incriminatórias para o sucedido, embora que para Tupac a situação estava esclarecida, Biggie Smalls teria organizado o atentado.
E assim começou um dos maiores ódios de sempre senão mesmo o maior, da história do hip-hop. Nesse mesmo ano, o rapper foi acusado de abuso sexual a uma mulher. Julgado em Fevereiro de 1995, é condenado a quatro anos e meio de prisão.
Com o lançamento do multi-platinado Me Against The World, 2Pac torna-se no primeiro artista a atingir o número 1 do top de vendas da Billboard enquanto está preso (!). Este album produziu entre outros, um dos singles de mais sucesso do rapper de sempre, Dear Mama, música que aliás valeu a 2Pac um Grammy.
Tupac viveu dias difíceis na cadeia. Enquanto esteve lá demonstrou estar cansado da vida que levara... Thug Life to me is dead. If it´s real, let somebody else represent it, because i´m tired of it....
Tupac passsou oito meses na cadeia e em Outubro de 1995 é libertado ao ter assinado um contrato com a produtora Death Row Records, contrato esse que obrigava o rapper a produzir pelo menos três álbuns para a produtora. Foi a única solução que o rapper teve para sair da prisão. Junta-se então a outros grandes nomes do panorama do hip-hop como Snoop Doggy Dogg e Dr. Dre.
E é num novo ambiente, benefeciando do estilo de produção californiano, que em 1996 é lançado o álbum mais vendido de sempre da história do hip-hop, All Eyez On Me, também o primeiro CD duplo de hip-hop de sempre.
Prestes actualmente a alcançar o disco de diamante (10x platina!), este álbum é um marco e um must-have do estilo. Oficialmente reconhecidos como singles estão as músicas: How Do U Want It, 2 Of Amerikaz Most Wanted, I Ain´t Mad At Cha e California Love. Este último, um dueto com Dr. Dre é talvez a música que vendeu mais até hoje de hip-hop. No single da musica How Do U Want It vinha incluído outro single, Hit Em Up. Esta música fez o conflito West/East Coast chegar ao seu pico máximo, pois o rapper pode-se dizer que escangalhou por completo todos os seus inimigos nova-iorquinos! O clima de tensão era evidente e para qualquer evento, Tupac não saía desprovido de guarda-costas e um colete anti-balas.
Por um motivo que permanece misterioso, na noite de 7 de Setembro de 1996, ocasião de um combate de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon, o rapper não levou o colete como habitualmente. Nessa noite e após o combate, quando o rapper saía no carro com Suge Knight, presidente da Death Row, foram disparados 13 tiros ao carro. 4 atingiram o rapper e um raspou o seu chefe. Após ter estado 7 dias em coma, a 13 de Setembro de 1996, Tupac Amaru Shakur falece. Nesse mesmo dia, é lançado o video clip da música I Ain´t Mad At Cha onde o rapper desempenha o papel de alguém que morre. Foi isto que fez precipitar o aparecimento das teorias que dizem que o rapper se encontra vivo e apenas falseou a sua morte para fugir à fama e ao perigo. De facto, o descrito anteriormente trata-se de depoimentos de escassas testemunhas, que até se contradizem... (para mais detalhe, ver Teorias) Em Novembro desse mesmo ano é lançado mais um álbum de 2Pac, sob o nome de Makaveli, The 7th Day Theory.
Este álbum não diminui a qualidade estabelecida pelo rapper, tendo sido produzidos os singles Toss It Up, To Live & Die In L.A. e Hail Mary. No ano seguinte, para além de mais seis músicas resultantes das bandas sonoras dos filmes protagonizados por Shakur, Gang Related e Gridlock´d, é lançado mais um álbum do rapper, de nome R U Still Down, um duplo CD do qual se destaca o single de ouro Do For Love, entre outras músicas alegadamente gravadas pelo rapper num período antecedente ao da Death Row como produtora. É revelado pelas entidades do rapper que se encontram 700 músicas deixadas por 2Pac. A notícia amenizou um pouco as teorias sobre o rapper está vivo, mas não o sufeciente...
Em 1998, mais um CD é lançado, uma compilação dos melhore êxitos de 2Pac, Greatest Hits, onde são incluídos alguns temas inéditos, entre os quais o single "Changes se destaca por ter sido um número 1 em todo o mundo. No final do ano seguinte (1999) é lançado mais um álbum de temas inéditos de 2Pac com o seu grupo The Outlawz. Still I Rise é o nono álbum de 2Pac e mais um com a qualidade que habituou o público ouvinte. Baby Don´t Cry (Keep Ya Head Up II) foi single.
O ano de 2000 trouxe aos fãs de 2Pac um tributo, The Rose That Grew From Concrete, que consistia em poemas do livro do rapper com o mesmo nome, interpretados por artistas conceituados de música negra. Um gesto que o rapper merecia... Resta dizer que está confirmado o lançamento do álbum Until The End Of Time,o décimo do rapper (mais!) um duplo CD...
Vivo ou morto, Tupac é um ícone do rap e a sua mais distinta personalidade, um poeta dedicado, um homem com coragem para falar por muita gente oprimida por esse mundo fora e com sensibilidade para definir sentimentos.

Texto retirado de http://thuglove.br.tripod.com/tupac/id12.html
James Brown Vive no Céu fazendo de lá um inferno musical!!!

Oh, Eu me sinto bem, eu sabia que me sentiria
Eu me sinto bem, sabia que me sentiria
Tão bem, tão bem, por ter você
Oh, Eu me sinto bem, como açucar e tempeiro
Eu me sinto bem, como açucar e tempeiro
Tão bem, tão bem, porque tenho você
Quando te tenho em meus braços
Sei que não posso fazer nada de errado
E quando te tenho em meus braços
O meu amor não te fará mal algum
E eu me sinto bem, como açucar e tempeiro
Eu me sinto bem, como açucar e tempeiro
Tão bem, tão bem, por que eu tenho você
Quando te tenho em meus braços
Sei que não posso fazer nada de errado
E quando te tenho em meus braços
O meu amor não te fará mal algum
E eu me sinto bem, como açucar e tempeiro
Eu me sinto bem, como açucar e tempeiro
Tão bem, tão bem, Bem, porque eu tenho você
Oh, eu me sinto bem, eu sabia que me sentiria
Eu me sinto bem, eu sabia que me sentiria
Tão bem, tão bem, porque eu tenho você
Tão bem, tão bem, porque eu tenho você
Tão bem, tão bem, porque eu tenho você
Ei, oh, sim
James Joseph Brown Jr. (Barnwell, 3 de Maio de 1933 — Atlanta, 25 de Dezembro de 2006) foi um cantor, compositor e produtor musical norte-americano reconhecido como uma das figuras mais influentes do século XX na música.

Nascido na Carolina do Sul, foi um prolífico letrista e produtor musical, foi o principal impulsionador da evolução do gospel e do rhythm and blues para o soul e o funk, sendo a invenção deste último gênero creditada a ele. Também deixou sua marca em outros gêneros musicais, incluindo rock, jazz, reggae, disco, no hip-hop e na música dançante e eletrônica em geral.

Foi abandonado aos 4 anos por seus pais e deixado aos cuidados de parentes e amigos. Cresceu nas ruas de Augusta (Geórgia), onde cantava e dançava para pagar por sua vaga no quarto de um bordel.[1]

Aos 16 anos, passou três anos em um reformatório por roubar carros.

Durante os anos 60, lançou canções tais como "Papa's Got a Brand New Bag", "I Got You (I Feel Good)", "Get Up (I Feel Like Being a Sex Machine)" e "I'm Black and I'm Proud".

Em 1988, foi condenado a seis anos por posse de drogas e armas.

Sua carreira de músico profissional iniciou-se em 1953, atingindo a fama no fim da década de 1950 e início da de 1960, graças à força de suas performances ao vivo e a uma seqüência de grandes sucessos. Apesar de numerosos problemas pessoais e alguns insucessos, ele continuou a produzir sucessos nas duas décadas seguintes. Nas décadas de 1960 e 1970, Brown era uma presença em assuntos políticos norte-americanos, especialmente no ativismo em favor dos negros e dos pobres.

James Brown morreu aos 73 anos em 25 de dezembro de 2006, em Atlanta, Geógia, EUA, após internação devido a severa pneumonia[2].

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

A Grande Virada!


Apaixonado pelo cinema, tem um filme que recomendo neste final de ano para assistir com a família: Jerry Maguire – A Grande Virada. A história é simples e objetiva: um agente de atletas, acorda com a consciência da porcaria de profissional que é por estar explorando as pessoas, em nome dos lucros. E ele toma a atitude, que pouca gente tem coragem hoje em dia: falar a verdade e propor mudanças no trabalho e na forma de tratar as pessoas. Mas como a vida não é um conto de fadas, ele acaba ganhando de premio um grande pé na bunda, do patrão, dos clientes e até da namorada.
E ele acaba ficando com apenas um jogador de futebol americano, problemático, mas bem engraçado o Rod Tidwell, interpretado por Cuba Gooding Jr, além do apoio de sua única funcionária, a mãe solteira Dorothy Boyd (atriz Renée Zellweger). O Jerry Maguire é vivido pelo sempre canastrão Tom Cruise – incrível como ele consegue fazer sempre a mesma cara em todos os filmes. Mas nesta história ele até convence.
Entre algumas cenas há um senhor fazendo uma espécie de palestras motivacional, do estilo Lair Ribeiro e coisa do tipo. Apesar de parecer chato, é até legal. As dicas são excelentes. O final, todo mundo sabe: o bem vence o mal.
Mas a vida podia ser bem melhor e será, como cantava Gonzaguinha, se tivermos atitudes para mudá-la. Mesmo que custem às vezes as nossas boas vidas acomodadas. Várias vezes na minha vida eu passei por situações onde a postura correta, me custou emprego, cargo e a paz. Mas apesar do furacão, descubro depois, que fiz o melhor. E quando caímos em desgraça, ladeira abaixo, nem sempre contamos com apoio de esposa, namorada ou coisa similar. É incrível, como na descida ao inferno pessoal, ninguém nos acompanha. Mas ai é hora de avaliar: se tudo que perdeu, era teu mesmo, ou a tempestade só levou sujeira?
É necessários, termos coragem de nos testarmos como JÓ na Bíblia. Submetido a todas as provas possíveis. Se perdermos casa, família, poder e a forma da vida que temos: nos manteremos íntegros?
 Posted by Picasa

90 anos de “Carinhoso”

“Meu coração
Não sei porque
Bate feliz, quando te vê”.

Faça o teste: se você leitor passar por qualquer lugar de Bebedouro e começar a cantarolar as letras de Carinhoso com certeza, será acompanhado imediatamente por outras pessoas. É sem dúvida a canção mais conhecida deste país e que sobrevive a 90 anos. Foi composta em chorinho aos 20 anos por Alfredo da Rocha Vianna Filho – o Pixinguinha e depois letrada por João de Barros. Pergunto a vocês, qual musica sobreviveu a tanto tempo?
Já escrevi aqui sobre ele, mas não canso de lembrar: Pixinguinha foi um dos maiores músicos do país. Não foi o mais rico, pois semelhante ao jogador Garrincha, fazia o que gostava por prazer, e não possuía preocupação com contratos e ganhos. O apelido surgiu da união dos termos Pizindim, dado pela avó Edwirges, que em africano banto, quer dizer – menino bom, e Bexiguinha, ganhado por causa das marcas da varíola que lhe acometeu na infância.
O pai, Seo Alfredo, era flautista, mas queria que o filho tocasse bandolim ou cavaquinho. Até enfiou o moleque em aulas, mas ele imitava o pai, assobiando em folhas, até que foi do clarinete a flauta. Aos 14 anos foi contratado para se apresentar no Conjunto da Concha, numa casa de chope. Em 1911, gravou sua primeira música, o chorinho – Lata de Leite - em um disco de altas rotações. Aos 20 anos forma com Nelson Cavaquinho e Donga – os Batutas, que obteve tanto sucesso que chegaram a excursionar por Paris.
Aos 29 anos torna-se maestro e conhece o amor de sua vida, Albertina de Sousa, atriz de teatro de revista. Entretanto aos 35 anos, derrubado pelo vicio do álcool, abandona a flauta, impossibilitado fisicamente de tocar, para optar pelo saxofone. Seus grandes sócios de copo eram Donga e o compositor João da Baiana. O alcoolismo rendeu até uma musica: Briguei com Virginia – marca de uma pinga.
Ele ainda compôs muito, sendo prestigiado por Tom Jobim, Chico Buarque e teve inclusive homenageado em vida quando o prefeito do Rio de Janeiro, Negrão de Lima, deu a uma rua seu nome. Às dezesseis horas e 30 minutos no dia 17 de fevereiro de 1973, num dia de carnaval. Inclusive em sua reverencia, os blocos pararam em um minuto de silencio.
E agora me pergunto: das que todos escutam nas emissoras de rádio, qual atravessará o século XXI e chegará popular daqui a 90 anos? Há algum Pixinguinha entre nós? Não se apresse neste julgamento. Apenas curta os versos. Se estiver apaixonado, melhor:
Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz”.
 Posted by Picasa

Segunda-feira, Janeiro 08, 2007



Composição: Chico Buarque
Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar

E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aíOlha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega
Chega suado e veloz do batente

Não sou um grande pai, pois confesso, isto não é fácil, mas estou no aprendizado.
Mas tenho certeza que daqui uns anos, quando adulto, meu filho se orgulhara do pai que tem.
Se luto hoje, também é por ele.
Quem sabe não conseguirei ajudar a criar uma realidade racial melhor para que o Junior
Não tenha que travar as mesma lutas que hoje participo.
Que ele faça outras lutas, que o mundo também precisa.

 Posted by Picasa

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Blade - O primeiro grande sucesso de um heroi negro

Este filme faz parte da minha coleção por vários motivos. Um deles é que o protagonista é negro, num tipico filme de ação, onde em geral, somos retratados como bandidos.
O ponto positivo vai também da "mocinha", também ser negra e o vilão é branco. A mensagem do diretor não poderia ser mais direta: ele não está falando de vampiros.
Mas ele foi tão obvio, que nas sequências seguintes a coisa foi diluida em mais ação inconsequênte, sem dar chance a estas comparações.
Mesmo assim, veja e reveja.

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

DJAVAN É TUDO DE BOM

NEM UM DIA (Djavan)

Nem um dia
Djavan
Composição: Djavan

Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide (bis)

Longe da felicidade e todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo
És manhã na natureza das flores

Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você

E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris(bis)


Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide

Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você

E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris(bis)

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Quem foi Zumbi ?


Ainda hoje, passados, 311 de seu assassinato há duvidas históricas se Zumbi realmente existiu. Se este era mesmo seu nome, se era apenas uma lenda, ou seja, quem foi Zumbi?
O termo Zumbi, pode ter derivado segundo alguns historiadores de Jimvi ou Jimbi, que traduzido da língua N`angola, que dizer – o de barbas brancas, o pai, o velho, o chefe. O polemico estudioso baiano Francisco Nina Rodrigues relata a palavra Zambi, como rei. Vários zambis seriam generais, sendo assim, não um nome próprio e sim um cargo de comando.
O historiador Décio Freitas faz uma pesquisa mais minuciosa no livro “Palmares: Guerra dos Escravos”, lançado em 1984, onde calcula o nascimento de Zumbi, em 1655, numa das comunidades que formavam o grande Quilombo dos Palmares. A data coincide com a primeira expedição militar contra a comunidade, ordenada pelo então governador de Pernambuco, Francisco Barreto. As tropas foram comandadas por Brás da Rocha Cardoso, que fracassou no seu objetivo principal - destruir o quilombo, mas conseguiu capturar várias pessoas, entre elas um bebê – o pequeno Zumbi.
O recém-nascido foi entregue ao padre português, Antônio Melo, no povoado de Porto Calvo. Isto é comprovado através de cartas do religioso, que retornou a Portugal em 1682. Ele batiza o menino de Francisco, e lhe ensinou a ler e escrever em português e latim – língua usada nas celebrações eucarísticas da época. Com 10 anos Zumbi já demonstrava uma inteligência incomum.
Aos 17 anos, Zumbi, foge de volta para Palmares, onde devido sua coragem em batalha, é escolhido para o exercito de resistência. Em 1673, consegue a façanha, aos 18 anos, de derrotar as tropas de Antonio Jacome Bezerra, sendo promovido assim a cabo-de-guerra. Em 1677 ajuda a desbaratar a expedição de Fernão Carrilho, contra Palmares, e aos 22 anos, é elevado a general-das-armas. Nesta mesma época, acaba se casado com uma mulher branca de nome Maria, oriunda de uma fazenda vizinha ao Quilombo.
Contra a expedição militar de Manoel Lopes Galvão Zumbi recebe um grave ferimento na perna e fica coxo pelo resto da vida. Em novembro de 1678, ele substitui no comando central de Palmares, seu tio Ganga Zumba, traído e envenenado num acordo com o Governo de Pernambuco, do qual era contra, por não confiar no tratado de paz assinado.
No dia 26 de março de 1680, é oferecido um outro tratado de paz, mas para Zumbi, em troca da deposição das armas dos palmerinos. Zumbi não responde e continua a luta. No dia 26 de fevereiro de 1685, o próprio rei de Portugal endereça uma carta assinada, oferecendo paz a Zumbi, o nomeando Capitão de Palmares, mas dando liberdade apenas à parte dos moradores de Palmares. Ele recusa, mas conseguia diplomaticamente, mas tempo de trégua das invasões contra o Quilombo.
Em 1686 os senhores de engenho e o Governo de Pernambuco patrocinam um enorme exercito mercenário, chefiado pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. Com ajuda de canhões, comprados da Inglaterra, consegue derrubar as defesas do Quilombo, na madrugada no dia 6 de fevereiro de 1694. Zumbi escapa ferido, mas se recupera e em menos de um ano organiza uma tropa com mais de 2 mil pessoas e trava uma luta de guerrilha nas matas, emboscando as tropas que o perseguiam, e ainda liberta negros das senzalas.
No dia 20 de novembro de 1695, o bandeirante André Furtado, captura Antonio Soares, um dos companheiros de Zumbi, e sob tortura, consegue armar uma emboscada. Ele e mais 5 guerreiros são praticamente fuzilados, nas matas da Serra dos Dois irmãos. Para comprovar o feito, o bandeirante transportou o corpo até o Povoado de Porto Calvo e apresentou na Câmara Municipal. Num exame corporal Zumbi apresentava 15 ferimentos à bala. Teve seu órgão sexual cortado, e um olho arrancado num ato de selvageria, além de ter decepado a mão direita.
Atestaram a identidade de Zumbi, Banga, companheiro de Zumbi capturado, os escravos negros Francisco e João e o senhor de engenho Antonio Pinto. Salgada em sal fino a cabeça do líder negro foi exibida por ordem do então governador Melo e Castro em praça pública, como forma de intimidação a novas rebeliões negras ou formação de quilombos.
Segundo o historiador Irineu Joffily Zumbi, teve um filho, capturados aos 20 anos, durante a tomada do Quilombo dos Palmares. Na primeira oportunidade ele fugiu e teria formado no estado da Paraíba, juntamente com outros sobreviventes de Palmares, o Quilombo dos Craúnas, no vale do Piancó.
Zumbi realmente existiu, a Historia confirma com farta documentação.

Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Eu e Elas


Mais uma amostra de bom seriado norte-americano, protagonizado por um elenco negro. Aqui no Brasil tirando os seriados "Cidade dos Homens" e "Turma do Gueto", o fato real é que somos meros figurantes nas produções nacionais.
O seriado em questão é excelente , pois trata de um tema pouco debatido: os filhos de pais separados. O texto aborda de forma humoristica, a adaptação da vida do pai dentro de um novo casamento.
Vai ao ar todo sábado por volta das 18 horas no SBT. O horário as vezes muda, mas não se esqueçam, é a TV do Silvio Santos, ele é imprevisível, e a qualquer momento a atraçao saiu do ar.
E esse é mais um motivo para assisti-lo, pois talvez seja uma das poucos oportunidades de ver algo etnicamente diferente.

Quarta-feira, Agosto 16, 2006

EM MINHA TERRA


Um dos filmes que deve estar chegando às locadoras é o Em Minha Terra, estrelado pelos oscarizados Juliette Binoche e Samuel L. Jackson. É uma história madura de amor e tem como pano de fundo as Comissões da Verdade e da Reconciliação na África do Sul. O que era isso? Assim que tomou posse como presidente Nelson Mandela criou comissões regionais ou municipais para ouvir vitimas e acusados de crimes durante o Apartheid. As pessoas que assumissem suas responsabilidade durante a audiência pública, teriam judicialmente a anistia dos seus crimes.
A Argentina também está fazendo o julgamento dos acusados de crimes durante o Regime Militar, e o mesmo ocorre, de forma lenta, no Chile. Olhando para o Brasil, percebemos que a Anistia de 1979 serviu tanto para os presos políticos, quanto para os torturadores. Mas nunca a nação parou para refletir se isso foi o mais correto.
Muitos dos problemas que hoje temos, começaram neste período nefasto. A abordagem inadequada que a Segurança Publica é tratada. Temos a suspeita que as práticas de torturas para obter confissões ou mesmo dobrar o espírito dos detentos, ainda é aplicada. A forma das policias militar, civil e federal agirem desarticulada no combate ao crime, é fruto de uma redemocratização mal feita. Incrível que na Repressão Política as autoridades tinham uma articulação para prender as pessoas acusadas de subversão política e agora, não.
Mas o filme toca no assunto da culpa de uma forma de agir e pensar africana. Não aconteciam nestas comissões, atos de vinganças das vitimas contra os opressores. Isso não ajuda: é preciso saber que assim, a maldição continuaria. A pedagogia usada na África do Sul foi da Ubuntu – ou seja, do perdão e reunificação do país e das etnias em torno de uma só nação. Feitas as confissões, parentes de mortos e sobreviventes, deveriam seguir juntos para construir um futuro. Ubuntu - todos somos interligados, e uma ação contra qualquer pessoa, atinge o mundo, pois somos também responsáveis.
Nelson Mandela conseguiu assim conduzir eu seu mandato presidencial o país por uma transição que poderia ter acabado em banho de sangue.
O Brasil precisa disso: analisar o que foram as ditaduras Vargas e Militar e seus efeitos sobre o desenvolvimento econômico e social, inclusive sobre os problemas que eram jogados para debaixo do tapete, em nome da Lei de Segurança Nacional e da Ordem e Progresso.

Sexta-feira, Julho 28, 2006

FRANCISCO SOLANO TRINDADEDO


- Eita negro!
quem foi que disse
que a gente não é gente?
quem foi esse demente,
se tem olhos não vê...

O autor destes versos, Solano Trindade nasceu no dia 26 de junho em 1908, em Pernambuco, sendo um dos maiores poetas, pintores, teatrólogos do Brasil, oriundo da periferia, é que tinha militância afro-brasileira. Este recifense era filho de sapateiro Manuel Abílio, mestiço, sapateiro, e da quituteira Emerenciana, do bairro São José.
Logo na adolescência, deixou a cidade, em direção ao Rio Maravilha – Rio de Janeiro, onde juntamente com lideranças negras como Abdias do Nascimento, organizou o Primeiro Congresso Afro-Brasileiro e posteriormente ajudou a idealizar o Teatro Experimental Negro. Em editorial, o jornal O Globo chegou a afirmar que se tratava de "um grupo palmarista tentando criar um problema artificial no País", ou seja, o racial, na opinião deles, não existia no Brasil, e Solano estaria praticamente o criando. Visão jornalística racista.
Em 1950 conseguiu junto com o sociólogo Edson Carneiro fundar o Teatro Popular Brasileiro, e cinco anos depois organizou a criação do Brasiliana – grupo de dança étnica – revolucionário, e que excursionou pelo Brasil e pelo exterior com muito sucesso.Também no exterior realizou o documentário "Brasil Dança".
Sob a direção inovadora do teatrólogo Solano foi encenada pela primeira vez a peça Orfeu, que depois virou filme, dirigido pelo francês Marcel Cammus, e tornou-se um clássico cinematográfico. Embu, sua cidade adotada, passou a virar parte do mapa cultural do Brasil, com as apresentações do teatro Popular Brasileiro.Nos filmes “Agulha no Palheiro”, “Mistério da Ilha Vênus” e “Santo Milagroso” Solano atuou como ator. Foi também co-produtor no premiado “Magia Verde”.
Na literatura sua atuação pode ser constatada em “Poemas de uma Vida Simples”, “Seis tempos de Poesia” e “Cantares ao meu Povo”.
Ele ainda teve atuação política, como um dos fundadores da Frente Negra Brasileira, e sua poesia sempre tinham como tema a contestação social e racial da realidade brasileira. Entretanto sofreu na carne com isso, um de seus filhos, Francisco, morreu, durante o Regime Militar, torturado.
Morreu no dia 20 de fevereiro de 1974, em um hospital do Rio de Janeiro, praticamente anonimamente.

Fonte: O Negro Escrito, de Oswaldo de Camargo

Tem gente com fome
Tem gente com fome
Tem gente com fome
Só nas estações
Quando vai parando
Lentamente, começa a dizer
Dá de comer
Se tem gente com fome
Dá de comer
Se tem gente com fome
Dá de comer
Posted by Picasa