terça-feira, outubro 16, 2007

Clara Nunes, a tal mineira




Na voz dela foram consagradas as músicas: Você passa eu acho graça, Conto de areia, Canto das três raças e Morena de Angola, dentre outras. Mas desde sua morte repentina, em 2 de abril de 1983, numa mesa de cirurgia, ninguém conseguiu ocupar o espaço artístico deixado por Clara Nunes na Música Popular Brasileira.
Ela nasceu em 12 de agosto de 1942 no interior de Minas Gerais no distrito de Cedro da Cachoeira. Logo na adolescência foi trabalhar numa fábrica quando participou do concurso A Voz do Ouro ABC, vencendo a etapa mineira e terceiro lugar na final, em São Paulo, 1960. A partir daí, conseguiu emprego na Rádio Inconfidência, onde teve um programa exclusivo na TV Itacolomi durante um ano e meio. Além disso, nesta época se apresentava em boates e casas noturnas de espetáculos da cidade onde viveu até 1964, quando mudou-se para o Rio de Janeiro.
O primeiro LP gravado, A voz adorável de Clara Nunes (1966), apresentou um repertório de conhecidos boleros e sambas-canções, mas foi um fracasso comercial. Só começou a cantar samba a partir do segundo, Você passa eu acho graça, em 1968, O primeiro espetáculo realizado foi Sabiá Sabiô, paralelamente à gravação do álbum Clara Clarice Clara, que trouxe canções de compositores de escola de samba e MPB, como Caetano Veloso e Dorival Caymmi .
Com o LP Alvorecer de 1974 obteve grande sucesso com a canção Conto de areia. Bateu recordes de vendagem, chegando a quinhentas mil cópias rompendo com o tabu de que cantora não vendia discos. Neste mesmo ano lançou o disco Brasileiro: profissão esperança, ao lado do ator Paulo Gracindo. Os discos que se seguiram a transformaram na maior intérprete de samba do Brasil. O disco seguinte Claridade (1975) vendeu ainda mais do que o anterior.


Alguns anos depois, pode-se observar um maior ecletismo no repertório, que incluiu baiões, baladas e até valsinhas, confirmando assim a grande versatilidade de intérprete, além das canções calcadas no tema do candomblé. A religião, e por características dela e por suas indumentárias características: vestidos longos brancos, colares e miçangas, de origem africana.Deixa clarear, Derramando lágrimas, dentre outras. O álbum mais vendido foi Brasil Mestiço que ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas.
Morreu na madrugada de 2 de abril de 1983, prematuramente, aos 40 anos, depois de vinte e oito dias em coma: ela se internou na Clínica São Vicente, no bairro da Gávea, onde se submeteu a uma operação de varizes na perna esquerda. Sofreu parada cardíaca e paralisação da atividade cerebral, vítima de um choque anafilático.
O corpo foi velado na quadra da Escola de Samba Portela - uma de suas paixões - e sepultado no Cemitério São João Batista.