quinta-feira, novembro 16, 2006

Quem foi Zumbi ?


Ainda hoje, passados, 311 de seu assassinato há duvidas históricas se Zumbi realmente existiu. Se este era mesmo seu nome, se era apenas uma lenda, ou seja, quem foi Zumbi?
O termo Zumbi, pode ter derivado segundo alguns historiadores de Jimvi ou Jimbi, que traduzido da língua N`angola, que dizer – o de barbas brancas, o pai, o velho, o chefe. O polemico estudioso baiano Francisco Nina Rodrigues relata a palavra Zambi, como rei. Vários zambis seriam generais, sendo assim, não um nome próprio e sim um cargo de comando.
O historiador Décio Freitas faz uma pesquisa mais minuciosa no livro “Palmares: Guerra dos Escravos”, lançado em 1984, onde calcula o nascimento de Zumbi, em 1655, numa das comunidades que formavam o grande Quilombo dos Palmares. A data coincide com a primeira expedição militar contra a comunidade, ordenada pelo então governador de Pernambuco, Francisco Barreto. As tropas foram comandadas por Brás da Rocha Cardoso, que fracassou no seu objetivo principal - destruir o quilombo, mas conseguiu capturar várias pessoas, entre elas um bebê – o pequeno Zumbi.
O recém-nascido foi entregue ao padre português, Antônio Melo, no povoado de Porto Calvo. Isto é comprovado através de cartas do religioso, que retornou a Portugal em 1682. Ele batiza o menino de Francisco, e lhe ensinou a ler e escrever em português e latim – língua usada nas celebrações eucarísticas da época. Com 10 anos Zumbi já demonstrava uma inteligência incomum.
Aos 17 anos, Zumbi, foge de volta para Palmares, onde devido sua coragem em batalha, é escolhido para o exercito de resistência. Em 1673, consegue a façanha, aos 18 anos, de derrotar as tropas de Antonio Jacome Bezerra, sendo promovido assim a cabo-de-guerra. Em 1677 ajuda a desbaratar a expedição de Fernão Carrilho, contra Palmares, e aos 22 anos, é elevado a general-das-armas. Nesta mesma época, acaba se casado com uma mulher branca de nome Maria, oriunda de uma fazenda vizinha ao Quilombo.
Contra a expedição militar de Manoel Lopes Galvão Zumbi recebe um grave ferimento na perna e fica coxo pelo resto da vida. Em novembro de 1678, ele substitui no comando central de Palmares, seu tio Ganga Zumba, traído e envenenado num acordo com o Governo de Pernambuco, do qual era contra, por não confiar no tratado de paz assinado.
No dia 26 de março de 1680, é oferecido um outro tratado de paz, mas para Zumbi, em troca da deposição das armas dos palmerinos. Zumbi não responde e continua a luta. No dia 26 de fevereiro de 1685, o próprio rei de Portugal endereça uma carta assinada, oferecendo paz a Zumbi, o nomeando Capitão de Palmares, mas dando liberdade apenas à parte dos moradores de Palmares. Ele recusa, mas conseguia diplomaticamente, mas tempo de trégua das invasões contra o Quilombo.
Em 1686 os senhores de engenho e o Governo de Pernambuco patrocinam um enorme exercito mercenário, chefiado pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. Com ajuda de canhões, comprados da Inglaterra, consegue derrubar as defesas do Quilombo, na madrugada no dia 6 de fevereiro de 1694. Zumbi escapa ferido, mas se recupera e em menos de um ano organiza uma tropa com mais de 2 mil pessoas e trava uma luta de guerrilha nas matas, emboscando as tropas que o perseguiam, e ainda liberta negros das senzalas.
No dia 20 de novembro de 1695, o bandeirante André Furtado, captura Antonio Soares, um dos companheiros de Zumbi, e sob tortura, consegue armar uma emboscada. Ele e mais 5 guerreiros são praticamente fuzilados, nas matas da Serra dos Dois irmãos. Para comprovar o feito, o bandeirante transportou o corpo até o Povoado de Porto Calvo e apresentou na Câmara Municipal. Num exame corporal Zumbi apresentava 15 ferimentos à bala. Teve seu órgão sexual cortado, e um olho arrancado num ato de selvageria, além de ter decepado a mão direita.
Atestaram a identidade de Zumbi, Banga, companheiro de Zumbi capturado, os escravos negros Francisco e João e o senhor de engenho Antonio Pinto. Salgada em sal fino a cabeça do líder negro foi exibida por ordem do então governador Melo e Castro em praça pública, como forma de intimidação a novas rebeliões negras ou formação de quilombos.
Segundo o historiador Irineu Joffily Zumbi, teve um filho, capturados aos 20 anos, durante a tomada do Quilombo dos Palmares. Na primeira oportunidade ele fugiu e teria formado no estado da Paraíba, juntamente com outros sobreviventes de Palmares, o Quilombo dos Craúnas, no vale do Piancó.
Zumbi realmente existiu, a Historia confirma com farta documentação.

2 comentários:

Anônimo disse...

Hey Marco Adorei o teu Blog, estive procurando algo do genero por muito tempo, com relacao a populacao Negra no Brasil,eu estou fazendo uma pesquisa e necessito nomes e historias de outras pessoas com o mesmo background ao do Zumbi dos Palmares, usarei, muitas das informacoes que vc colocou por aqui, mas se pode-se dar-me mais info eu agradeceria muito

Groucho KCarão disse...

um nome qi vi no "novo dicionário brasileiro de banto" di nei lopes e qi nun me sai da cabeça é o di Zacimba Gaba. durante minhas pesqisa, inda nun parei pa leh sobre a tal, não, maz logo vô leh, pois, si eu tiveh ua fia, vai seh esse seu nome. por ora, sugiro essa página: http://www.seculodiario.com/negros/zacimba/index04.htm
ah, e nun dexe di conferih meu qilomblog: http://grouchocarao.blogspot.com
brigado e discupa escreveh em brasilêis. axé.